Intervalo de três semanas movimenta bastidores da F-1

8 de abril de 2021

As três semanas que separam o GP do Bahrein (foto de abertura/Red Bull Content Pool)da próxima etapa do Campeonato Mundial de F-1, o GP da Emília-Romagna (dia 18, em Imola) contrastam com a excelente prova que foi a abertura da temporada 2021. Se no domingo 28 de março não faltaram disputas de qualidade, a demora para retornar à pista praticamente esfriou o entusiasmo. Otimistas dirão que um período de calmaria como a categoria vive atualmente sempre precede novidades bombásticas, o que dá origem a especulações das mais variadas na imprensa europeia, aquela que segue mais de perto o ambiente da modalidade.

Em tal cenário destacam-se nos últimos dias a decisão da equipe Haas que interromper o desenvolvimento do seu carro atual após a etapa de Imola, as dificuldades da Mercedes e da Red Bull em se adaptar ao teto de gastos anuais que entrou em vigor nesta temporada e até mesmo o futuro de Pierre Gasly, que tem chances de entrar para a história como uma versão mais bem sucedida de Chris Amon, piloto neozelandês que ficou famoso por liderar muitas corridas e vencer apenas uma, o GP da Argentina de 1971, prova que não valeu para o campeonato mundial daquele ano.

Olhando em retrospecto, o francês poderá sofrer um novo revés diante da brilhante estreia do japonês Yuki Tsunoda, seu atual companheiro de equipe. O primeiro elemento desta análise é a renomada capacidade da Red Bull queimar pilotos que não correspondem aos seus critérios peculiares; ao contrário da Mercedes, que consegue lidar com dois pilotos de ponta sem interferir no ambiente da equipe, o time dirigido por Christian Horner e Helmut Marko não tem a mesma capacidade. A chegada de Sérgio Pérez para substituir Alex Albon poderá corrigir essa falha ou consolidar essa fraqueza.

No que se refere a Gasly, o próprio francês nascido na histórica cidade de Rouen não esconde que sente falta de um ambiente mais aconchegante na estrutura da Red Bull. Jovem – completou 25 anos em 7 de fevereiro -, ele conta com uma vitória (Monza, 2020) e outros bons resultados na temporada passada, quando mostrou melhor desempenho em relação ano anterior, época em que foi defenestrado da Red Bull e favor de Alex Albon. Por tudo isso, já há muita gente que o coloca como o substituto ideal de Estebán Ocón caso o conterrâneo não consiga manter um desempenho semelhante ao de Fernando Alonso na temporada de reestreia da Alpine na F-1. Posto que Alonso poderia ficar na F-1 até 2023, no máximo, Gasly seria assim preparado in-house para assumir a liderança da equipe e deixaria espaço para promover um dos jovens pilotos da academia do time, entre eles o brasileiro Caio Collet e o chinês Guanyu Zhou.

Obviamente essa solução seria igualmente menos custosa que manter um bi-campeão mundial como Alonso na folha de pagamentos, detalhe cada vez mais importante na programação financeira das equipes: o teto de US$ 145 milhões deste ano, cairá US$ 5 milhões em 2022 e outro tanto em 2023. As grandes equipes são as que mais sofreram com a decisão: Mercedes e Red Bull tiveram que despedir parte considerável de uma força de trabalho que no caso do time alemão estava próxima de 1.500 dependentes. Tal qual o rival, o time anglo-austríaco foi obrigado a despedir funcionários, até mesmo nomes que estavam trabalhando na organização há mais de duas décadas, em um processo que eliminou cerca de 30% de vagas.

Esse movimento de reduzir custos está moldando, por tabela, a incorporação do projeto Honda de F-1 por parte da Red Bull. Toyoharu Tanabe, diretor técnico da marca na F-1, confirmou que a marca japonesa vai se retirar da categoria no final do ano “independente do resultado do campeonato”, o que inclui um bem possível título com Max Verstappen, dada a performance do holandês nos testes de pré-temporada e no GP do Bahrein, onde largou na pole position e terminou em segundo por erros de estratégia.

Resultados dessa magnitude são mais do que sonhos para a equipe Haas. Guenther Steiner, líder do time norte-americano declarou que as mudanças que aparecerão no caro na próxima etapa serão as últimas incorporadas ao chassi atual, o VF-21. “Vamos priorizar o projeto para 2022, cujo regulamento técnico exige novos parâmetros de aerodinâmica”. De certa forma é um alívio para Mick Schumacher e Nikita Mazepin, seus dois pilotos desta temporada. Ambos estreantes, eles poderão disputar o ano sem a pressão de buscar resultados maiores que uma eventual vitória sobre a renascente equipe Williams.

Após um período em que algumas categorias nacionais abandonaram seus produtos, a Pirelli anunciou que será a fornecedora oficial para o Campeonato Brasileiro de Endurance e para a série GT Sprint Race. A primeira usava pneus Michelin e agora  receberá modelos produzidos na fábrica de Izmit, na Turquia; a segunda, que no ano passado correu com Yokohamas, receberá produtos fabricados na planta de Campinas, a mesma que produz equipamento semelhante para as categorias Stock Car, Stock Light e Mercedes-Benz Challenge.

 

Texto:  Wagner Gonzales

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