Helio Castroneves conquista quarta vitória nas 500 Milhas de Indianápolis

30 de maio de 2021

Por Robério Lessa – Olá amigos que acompanham o Carros e Corridas! Hoje, (domingo), dia 30 de maio de 2021 escrevo sobre um dos maiores, para mim o maior, feitos de um brasileiro no automobilismo de todo o mundo.

A conquista da quarta vitória nas 500 Milhas de Indianápolis tem um significado importante na carreira desse paulista nascido em Ribeirão Preto. Aos  46 anos de idade, Helio Castroneves  se iguala aos pilotos norte americanos AJ Foyt (1961, 1964, 1967 e 1977), Al Unser (1970, 1971, 1978 e 1987) e Rick Mears (1979, 1984, 1988 e 1991) e se torna ainda o primeiro piloto de outro país a entrar no hall dos que conquistaram a mítica prova em quatro edições.

Helinho, como também é conhecido (já que herdou o nome do pai) havia vencido nos anos de 2001, 2002 e 2009 sempre pala equipe Penske, comandada por Roger Penske e hoje, no carro número seis da Meyer Shank Racing voltou a triunfar.

Estar na Meyer Shank para disputar seis provas ao longo do ano, uma equipe com uma estrutura menor do que a da Penske, com certeza, deu ao brasileiro uma menor pressão por um resultado positivo, no entanto, deu a ele uma motivação ainda maior para entrar na pista disposto a conquistar um bom resultado para a escuderia.

Helio já enfrentou muitos problemas nos Estados Unidos, incluindo um processo por fraude fiscal, do qual foi inocentado em 2009, ano de sua terceira conquista na Indy 500, o dá mostras da personalidade desse atleta que busca forças para superar enormes obstáculos e calar os que previam sua derrocada e até mesmo a falta de título na categoria a qual estreou em 1998 pela equipe Bettenhausen (vale lembrar que naquele ano havia a divisão  para a CART e IR), no entanto, ter o rosto gravado no troféu das 500 Milhas de Indianápolis, não é para qualquer um.

Em 2017 a Penske decidiu que ele deixaria de correr a temporada completa da Indy e passaria a comandar um carro no IMSA SportsCar (Endurance), mas que teria um Penske para disputar o GP de Indianápolis e a Indy 500.

Castroneves largou em oitavo e se manteve sempre no grupo dos mais velozes e desde o começo da prova mostrava ter o controle total de seu carro que era possível ser percebido com uma simples análise dos tempos de cada volta.

Em dado momento, ele ensaiou uma arrancada, imprimindo um ritmo mais forte e o motor Honda de seu bólido respondeu bem, sobretudo quando estava com menos combustível, assim, ele permaneceu em todas as 200 voltas como um dos prováveis candidatos à vitória e não fez muita questão, em uma estratégia acertada, de permanecer muito tempo na liderança ou lutar desnecessariamente por ela antes dos momentos decisivos.

E como se desenhava, sobretudo ao chegar nas 50 voltas finais, o brasileiro teria de superar o espanhol Alex Palou, da Chip Ganassi Racing.

Helio Castroneves fez seu último pit stop na volta 172, seguido por Palou na volta 173. Palou se encaixou na frente do piloto da Meyer Shank quando ele saiu dos boxes, e formaram  um trem de três carros com Pato O’Ward na liderança virtual da corrida, mas que, igual a outros carros à frente de Helio e Palou, precisava fazer uma parada final antes do final da corrida.

Pagenaud, Sage Karam, Tony Kanaan e Santino Ferrucci saíram da liderança para suas paradas finais na volta 180, colocando Felix Rosenqvist, JR Hildebrand e Takuma Sato entre os três primeiros, respectivamente, e cerca de 12 segundos à frente de Palou e Castroneves.

Enquanto isso, Castroneves e Palou tentaram se posicionar atrás do trio, sabendo que tinham combustível suficiente para chegar ao final da prova e assim atraíram a atenção do público e da transmissão.

A briga na pista ganhava contornos épicos enquanto Rosenqvist parou para abastecer seu carro na volta 192 e Sato na volta 193.

O brasileiro herdou a liderança na volta 194, mas Palou ultrapassou-o na volta 196.

Os dois mostraram perícia e talento. Trocaram de posições e buscavam se distanciar dos outros pilotos. Nas voltas finais ao ultrapassar Palou com uma manobra ousada na Curva Um, na volta 199, Helio definia ali que a vitória era sua.

E assim  segurou o ímpeto do jovem Palou (24 anos) cruzando a linha de chegada a 0,4928s de vantagem e partindo para a sua consagração como o maior piloto brasileiro na Fórmula Indy e nas 500 Milhas de Indianápolis´.

Era o 31º triunfo na categoria que o consagrou como um dos melhores do mundo.

Após parar seu carro em meio aos aplausos do público, que já vibrava a cada ultrapassagem no duelo contra Palou,  o “Homem Aranha” voltou a comemorar em grande estilo, escalando o alambrado que separa o público da pista, sendo seguido por alguns integrantes da equipe.

A escalada que virou marca registrada de Helio, a qual lhe rendeu o apelido de “Spyder Man”  (Homem Aranha), foi o início de  uma festa que quebrou o protocolo da prova contando atém com o afago de Mario Andretti (vencedor em 1969), como que um bênção dos mitos do automobilismo ao reconhecer todo o talento e genialidade do piloto brasileiro.

“Tudo isso foi absolutamente incrível. Eu amo Indianápolis. Os fãs, eles me dão energia! Estou falando sério.”

Mais sobre a corrida:

A 105ª edição das 500 Milhas de Indianápolis, disputada no Indianapolis Motor Speedway ,foi a mais rápidas da história, com uma velocidade média de 190.690 milhas por hora, 306,8 quilômetros por hora. A corrida teve apenas duas intervenções do carro de socorro (Safety Car) o que gerou 18 voltas lentas.

Com a vitória de Helio Castroneves, e o segundo lugar de Alex Palou, o vencedor da Indy de 2019, Simon Pagenaud, terminou em terceiro lugar. Pato O’Ward foi o quarto colocado e Ed Carpenter  fechou o bloco dos cinco mais bem colocados.

Os outros brasileiros na prova, Tony Kanaan e Pietro Fittipaldi terminaram em 10º e 25º, respectivamente.

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Texto: Robério Lessa, com Informações da IndyCar.
Fotos: IndyCar

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