Ao final de um dia marcado por muitas rochas, poucas dunas e praticamente nenhuma referência visual os brasileiros Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin comemoraram o segundo lugar na primeira etapa especial do Sealine Cross Country Rally, hoje, como uma vitória. A competição vale pela Copa do Mundo da FIA de Rally Cross Country, onde os brasileiros ocupam a oitava posição na classificação geral. Por cerca de uma hora a dupla do Divino Fogão Rally Team ficou perdida no meio do deserto do Catar e vivenciou uma experiência insólita em companhia de quatro outras duplas, como explica Varela:
“Ventava muito e a areia suspensa no ar reduzia a visibilidade a praticamente zero, o que nos deixou perdidos. Quando avistamos um carro, passando próximo a nós, decidimos segui-lo e não demorou muito para que outros três concorrentes se juntassem ao nosso grupo. O problema é que nenhum de nós sabia qual direção seguir…”
Como o comboio não progredia no caminho rumo ao final da prova especial cada dupla resolveu seguir um rumo diferente. Já contabilizando o prejuízo de uma hora em relação ao líder da categoria T2 Varela e Gugelmin decidiram aliviar o ritmo de competição para poupar o carro, caindo para o último lugar na categoria T2. Alguns quilometros adiante a estratégia foi revista ao ultrapassar um concorrente e, como explica Gugelmin, a dupla brasileira voltou a acelerar fundo:
“Vimos que o podíamos andar forte e no rumo certo e não demorou muito para ultrapassar mais uma dupla. O Varela se entusiasmou e conseguimos recuperar mais posições e terminar a etapa em segundo lugar. Estamos uma hora atrás dos líderes, mas ainda temos muitas pedras pelo caminho…”
O navegador catarinense explicou ainda que, ao contrário do rally disputado duas semanas atrás no Abu Dhabi Desert Challenge, no Catar a navegação é feita com ênfase na planilha de bordo, o que acaba criando muitas dificuldades “pois praticamente não temos referências visuais para seguir ou indicar a direção correta”. Gugelmin lamentou que a “navegação de hoje não foi das melhores”, mas Reinaldo Varela tratou de animar o seu companheiro de bordo ao falar sobre as condições mecânicas do carro que estão usando em substituição ao Mitsubishi Pajero que usarão nas próximas etapas do Mundial:
“Não havia muito mais que o Gugelmin pudesse fazer, tanto que vários concorrentes também se perderam. Além disso, nosso carro mostrou-se muito mais confiável e resistente que o que usamos em Abu Dhabi e isso vai ser importante para superar as próximas três especiais do rally.”




