Por Eduardo Abbas – Vivemos em uma era de busca constante por energias alternativas e conforto sustentável, uma forma de se começar a fazer um admirável mundo novo. Em nossas casas e empresas, a busca por uma maior economia de energia e alternativas que nos tragam prazeres nunca vividos pelos nossos antepassados, começa a ser um vislumbre do que nossos descendentes podem esperar. O planeta, que tem recursos minerais que se aproximam do fim, espera que o homem consiga reverter o atual quadro de insuficiência energética e, de certa forma, faça uma grande faxina na sujeira que ele deixou durante os séculos que estamos habitando a terra.
Foi pensando nisso que começaram há alguns anos a se desenvolver tecnologias que possam suprir as nossas atuais necessidades de conforto e mobilidade. O carro, item de maior importância nos dias de hoje tanto na economia quanto na sociedade como um todo, já tem um futuro pelo menos traçado do que ele pode ser daqui a bem poucos anos. A eletricidade é a grande aliada e, para os descrentes que um dia teríamos uma frota como a que o cineasta Steven Spielberg mostrou no filme Minority Report, já começam a mudar de idéia. Nesse filme, os carros movidos por eletricidade, e não importa a fonte, são para uma ou no máximo duas pessoas, rodam praticamente sem motoristas e seguem pelas estradas americanas em uma ordenada e gigantesca fila, sem acidentes, sem problemas de estacionamento e, principalmente, sem poluição.
Pensando nisso, a Renault apresentou na Rio+20 dois modelos de carros movidos à energia elétrica, armazenadas em baterias. É um grande passo para o futuro, uma nova forma de se fazer carros no mundo.
O primeiro modelo é o Fluence Z.E. que a montadora espera, no mercado europeu, concretizar uma estratégia ambiciosa: alcançar a liderança mundial na mobilidade urbana com zero emissão de poluentes. As iniciais “Z.E.” vêm do inglês “zero emition” e envolve muito mais do que a simples comercialização de veículos livres da dependência do petróleo. O grupo Renault se comprometeu em reduzir em 10% os seus níveis de emissões de carbono até 2013 e 10% adicionais entre 2013 e 2016. Na Europa, 87% dos trajetos urbanos não ultrapassam 60 quilômetros diários. Com autonomias homologadas de 185 km e 170 km respectivamente (ciclo misto NEDC – Novo Ciclo de Condução Europeu) para o Fluence Z.E., a autonomia dos veículos Z.E. é perfeita para o dia-a-dia.
Apresentado ao mundo em setembro de 2009 no Salão de Frankfurt como carro-conceito, o Fluence Z.E. começou a ser comercializado na Europa em 2011, sendo o primeiro automóvel 100% elétrico do segmento de sedãs.
Com 4,75m de comprimento, a versão elétrica do Fluence é 13 cm mais longa que seu “irmão” com motor a combustão, para permitir a instalação das baterias atrás dos bancos traseiros. A lateral da carroceria também foi redesenhada para manter o equilíbrio geral da versão original. Completando o novo perfil, o Fluence Z.E. distingue-se pelas duas portinholas de recarga localizadas nos pára-lamas dianteiros e do novo difusor na parte inferior do pára-choque traseiro. As rodas com design específico foram desenhadas para reduzir as turbulências aerodinâmicas.
O computador de bordo inclui as informações relativas ao consumo instantâneo e médio, autonomia, bateria carregada ou descarregada. O “indicador de energia” mostra o nível de carga da bateria, exatamente como o um indicador de combustível convencional. No console central, marcações lembram as diferentes posições possíveis da alavanca de marchas (frente, ré, ponto morto e estacionamento). Graças ao prolongamento da parte traseira, o porta-malas mantém um volume de 317 litros, apesar da presença da bateria.
No teste feito que eu fui convidado para fazer, fiquei surpreendido pelo silêncio do automóvel. Quando parado, parece estar “apagado”, já em movimento, as referências auditivas são o barulho do ar e dos pneus em contato com o asfalto. O motor elétrico é do tipo síncrono com rotor bobinado. Sua potência máxima de 70 kW (equivalente a 95 cv) é alcançada a 3.000 RPM; o torque máximo atinge 226 Nm e é obtido instantaneamente, o que proporciona ao motorista uma sensação inédita. O mais surpreendente e, que será apenas uma adaptação para o motorista, é o fato de não se necessitar trocar marchas, apenas se concentrar no caminho. O preço desse modelo na Europa, com os subsídios que o governo oferece esta entre 20 e 30 mil €, dependendo dos opcionais desejados.
No teste realizado no Rio de Janeiro, mais especificamente na Barra da Tijuca, fizemos um deslocamento entre o hotel Sheraton e o campo de testes onde seria apresentado o outro modelo. Seguindo um roteiro pela avenida da praia e alguns trechos internos em direção ao Rio Centro, pudemos constatar que, em situação de transito pesado, dia com chuva e 3 pessoas no carro, em nada o veiculo deixa a desejar para os modelos movidos a combustão.
O carro é absolutamente normal, tem todos os grandes desenvolvimentos mecânicos aliados a dois grandes fatores ambientais: a não poluição do ambiente e o silêncio quase completo. O fato de não utilizar cambio também agrada muito, não existem os trancos, por mais suaves que sejam as trocas, com o carro em marcha, o freio ABS é muito mais eficiente e tranqüilo (não tem os solavancos que são normais em freadas bruscas) e utiliza a tecnologia de reaproveitamento de energia (KERS) usada também nos carros da Fórmula 1.
Na pista de testes, eu pude conhecer a jóia da coroa. É o Renault Twizy, o primeiro veículo urbano 100% elétrico que representa a solução para os trajetos na cidade. O carro que é comercializado desde o fim de 2011 e chega ao mercado europeu a um preço que desafia qualquer veículo da concorrência: a partir de 6.990 € com todos os impostos incluídos (sem o incentivo fiscal!).
Não esta incluído o valor de locação de bateria, que é de 45 € com todos os impostos incluídos, mensalmente, para um pacote de 7.500 km anuais. A autonomia é adaptada à maioria dos usos do dia-a-dia. Ele conta com um pacote de tecnologias eficazes para garantir a autonomia do VE, que vai desde o reaproveitamento da energia da frenagem (KERS), sistema de pré-condicionamento (pré-aquecimento ou pré-refrigeração do habitáculo) e Função EcoMode. O Twizy promete também uma autonomia de até 200 km com apenas uma carga na bateria, um marco na história dos carros com motores elétricos.
A montadora também fornece programas para criar hábitos de dirigir de uma forma ecologicamente correta, o Driving Eco². Com isso se pode ganhar até 35 km de autonomia.
No painel aparentemente simples, encontramos informações para gerenciar melhor a autonomia: Indicador / medidor do nível de carga da bateria, Computador de bordo que indica a autonomia (km), consumo médio e instantâneo (kWh) e kWh restante, Econômetro que detalha o consumo de energia (baixa / normal / alta), Navegação inteligente Carminat TomTom® Live, que permite localizar os pontos de recarga mais próximos e a garantia de mobilidade, seja qual for o destino ou em caso de pane, assistência 24 horas, 7 dias por semana, mas claro, tudo isso apenas na Europa.
No teste realizado pelo PORTAL MOTORCAR, eu pude sentir a versatilidade de um projeto pra lá de ambicioso da montadora francesa. O carro, que mais parece um quadriciclo coberto com uma capa de fibra de vidro, é muito fácil de dirigir, o curso da direção é bem amplo e isso permite manobras radicais que foram feitas na pista de provas. A impressão que se tem é bem diferente de estar guiando um carro de turismo, esta mais para um fórmula, e isso se deve a posição do motorista no meio, entre eixos e entre rodas, claro que se necessita de uma adaptação nos atuais conceitos de dirigir que a maioria dos motoristas tem no Brasil e no mundo. É uma solução muito inteligente da Renault, o carro tem tração traseira, direção elétrica, é até certo ponto confortável para se guiar em ambientes de cidade e pode até levar um carona.
É também uma mudança de conceito de se viver em sociedade. Ele encerra a máxima de se comprar um carro de 5 lugares para se andar sozinho. Esse “vicio” urbano ocorre muito nas grandes cidades do mundo, e são raras as situações em que dividimos o nosso espaço em um carro com uma ou mais pessoas.
O Renault Twizy dificilmente será visto pelas ruas brasileiras, devera ser mais encontrado em outros países que não contam com grandes matrizes energéticas minerais ou agrícolas, mas certamente é uma das maiores contribuições da França depois da revolução que mudou o homem e a sociedade, agora, eles pretendem mudar a cara do planeta.
Ficha Técnica Fluence ZE:
MOTOR
Tecnologia motor elétrico Síncrono com rotor bobinado
Potência máxima kW CEE (cv) 70 (95)
Potência máxima (rpm) 3.000 a 8.900 rpm
Torque máximo Nm CEE (m.kg) 226
Potência torque máximo (rpm) 400 a 2.500 rpm
BATERIA DE TRAÇÃO
Tecnologia Íon lítio
Tensão nominal (Volts) 398
Número de módulos 48
Número de células 192
Energia embarcada (kWh) 22
Capacidade nominal (Ah) 65
Peso (Kg) 280
CAIXA DE CÂMBIO
Tipo Redutor
DESEMPENHO
Velocidade máxima (Km/h) 135
0 – 100 Km/h (s) 13
CONSUMO NORMAS CEE 93/116 (EM L/100 E G/KM)
CO2 (g/Km) 0
Condições urbanas l/100 0
Condições extra-urbanas l/100 0
Misto l/100 0
DIREÇÃO
Assistida Sim (elétrica)
Ø de viragem entre passeios (m) 11 a 11,3
SUSPENSÕES
Suspensão dianteira Tipo MacPherson
Suspensão traseira Eixo semirrígido
RODAS E PNEUS
Rodas de referência (”) 16”
FREIOS
ABS Continental Teves Sim
Distribuição eletrônica de frenagem Sim
ESP com CSV (Controle de Subesterço) Sim (+ Sistema de Controle de Tração)
AFU (Assistência à Frenagem de Emergência) Sim
MASSAS
Com o veículo vazio em ordem de marcha 1.605 kg
Com o veículo vazio em ordem de marcha na frente 736 kg
Com o veículo vazio em ordem de marcha atrás 869 kg
Máxima autorizada (MTMA) 2.023 kg
Fotos: Eduardo Abbas/Renault/




