Por Robério Lessa – Direto do Eusébio – E as motos finalmente voltaram a roncar seus motores no Autódromo Internacional Virgílio Távora, localizado na cidade do Eusébio (Região Metropolitana de Fortaleza-CE), com a realização, neste domingo (18), do primeiro Track Day Motos de 2015.
No evento promovido pela Federação de Motociclismo do Ceará (FMC), juntamente com o Clube Cearense de Motovelocidade (CCMV), houve espaço também para a realização da abertura do Campeonato Cearense de Motovelocidade, categoria 125cc.
Na abertura, o presidente da FMC, Roberto Ito, ressaltou a necessidade da realização do track day como evento educativo para a formação e conscientização do motociclista. “A ocupação dos autódromos com os chamados track day surgiu na Europa nos anos 1990. Além da necessidade de gerar renda para os autódromos, era a forma de tirar o motorista e os motociclistas dos rachas que eram disputados com maior frequência naquela época. Depois foi ganhando caráter de coadjuvante na formação dos condutores e hoje se consolidou também como ponto de encontro daqueles que amam o esporte motor. É bem diferente das corridas oficiais, pois há limite físico na pista com os cones, mas consiste na forma mais correta e segura para o chamado motociclista comum poder usar sua motocicleta e aproveitar seus recursos”, avalia Ito.
Outro que discursou durante o início do evento foi o deputado estadual Bruno Gonçalves. O parlamentar fez questão de destacar a importância do autódromo para a cidade e para o fomento do turismo. Bruno fez críticas ao que chamou de abandono do autódromo citando o estado dos boxes, das escadas dos paddocks e da abrasividade do asfalto, ele disse que será um defensor da melhoria do equipamento público. Hoje o autódromo está sob a responsabilidade da Federação Cearense de Automobilismo, que tem a sessão oficial de uso através de sessão, desde o ano de 2007, pela Secretaria do Esporte do Estado do Ceará.
“Hoje estou aqui com um misto de alegria e tristeza. Alegria por ver esse autódromo repleto de pessoas que amam esse espaço, e triste por ver que, desde a entrada esta praça esportiva carece de mais cuidado. Essa semana já falei na Assembleia Legislativa que esse governo ouve muito e não tem ação, e vou colocar a necessidade de uma reforma no Autódromo como mais uma cobrança a ser feita. Não é possível subir no paddock em uma escada caindo aos pedaços. Os boxes precisam de pintura e a pista de um novo asfalto para deixá-lo sem as emendas. Há buracos no muro e parte dele na Curva Fernando Ary está caído. Nasci no Eusébio, meu pai Acilon Gonçalves me ensinou a amar essa cidade e esse autódromo e assumo o compromisso de lutar para que possamos reviver nessa pista os momentos de glória de um autódromo que tem um traçado técnico e que, com um investimento que não é do outro mundo, pode trazer de volta uma Fórmula Truck, por exemplo. Nunca entendi o motivo dela ter saído daqui e vir para o vizinho Pernambuco e voltar para o sul e sudeste”, afirmou.
A Secretaria do Esporte do Estado do Ceará (Sesporte), ao ser questionada sobre uma possível reforma no Autódromo Virgílio Távora, esclareceu que “no ano de 2007, o Governo do Estado do Ceará formalizou um Termo de Permissão de Uso do autódromo para a Federação Cearense de Automobilismo. O contrato transferiu, por prazo indeterminado, a responsabilidade pela administração e manutenção do equipamento à mencionada federação. O Termo de Permissão de Uso, que tem título precário pode ser revisto pelo Estado em qualquer período” (SIC). A assessoria informou ainda que, “ao assumir a Pasta em março deste ano, o secretário do Esporte do Estado do Ceará, Jeová Mota, dentre outras medidas adotadas em sua nova gestão, solicitou do Departamento de Arquitetura e Engenharia do Ceará (DAE), a realização de visita por equipe especializada ao autódromo bem como apresentação de relatório detalhado a fim de possibilitar a avaliação das condições do equipamento. Somente após a conclusão desse trabalho técnico, o Governo do Estado estará apto a informar a atual condição física do autódromo, as necessidades de efetiva reforma, o valor eventualmente destinado, entre outros”(SIC). A nota segue informando que a “Secretaria do Esporte do Estado do Ceará tem intenção de estimular o desenvolvimento do automobilismo e a realização de etapas de grandes eventos nacionais, repercutindo no turismo local” (SIC).
Nota do Editor.
Em que pese questões políticas, a linha editorial do site Carros e Corridas busca apresentar os fatos que envolvem a questão e, esclarece que apoia qualquer entidade na defesa do equipamento, o qual pode ser elemento de uma política de incentivo turístico.
Observo que muitos não conseguem enxergar o potencial que o automobilismo pode ter como indutor da economia regional.
Propaga-se que o Ceará é um estado turístico, que investimentos como o Castelão (R$ 351.5 milhões), Acquário Ceará (R$ 125 milhões – Obra em andamento), e Centro de Feiras e Eventos (R$ 486,51 milhões) vão potencializar o fluxo turístico… então me explica porque um equipamento como o autódromo não merece a devida atenção para trazer uma prova nacional?
Se a ordem do dia é arrecadar mais impostos é preciso que os gestores cearenses atentem para o quanto a Bahia ganhava com a realização da etapa da Stock Car no circuito montado nas ruas do Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador. Somente com os impostos, a Stock deixava R$ 18 milhões no mês dessa corrida. Em 2013, a Stock Car levou 50 mil espectadores para ver a corrida nas ruas da cidade de Ribeirão Preto, no Interior de São Paulo. A prova injetou mais de R$ 20 milhões na economia local, gerou, de acordo com dados da prefeitura do município, mais de três mil empregos.
Em 2015, com toda a retração da economia brasileira, a etapa de Ribeirão Preto movimentou cerca de R$ 10 milhões na economia local, com a geração de mais de 4.200 empregos diretos e indiretos. E não vale dizer que não tinha de onde pegar emprestado, pois o Governo Federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para o fortalecimento do turismo, destinou para São Paulo R$ 160,8 milhões, para reformar o Autódromo José Carlos Pace.
Mas o Ceará enfrenta uma seca e todo dinheiro deve ser para isso. Ok. Bom argumento, mas os outros investimentos foram realizados e ninguém falou nisso, e uma reforma no autódromo cearense não seria algo astronômico e, para voltar a receber a Fórmula Truck, por exemplo, há levantamento que aponta um investimento de R$6 a R$8 milhões.
Em abril de 2006 a Fórmula Truck correu pela primeira vez no Ceará. Naquele ano, como aponta matéria aqui mesmo do Nobres do Grid, as modificações feitas na reforma alargaram algumas partes da pista e duas alterações no traçado para possibilitar uma corrida mais emocionante e segura. Neste evento foi reunido o maior público já presente numa prova de automobilismo no Ceará com mais de 53 mil pessoas.
A reforma ampliou as saídas das curvas e as áreas de escape como o aumento das arquibancadas e melhorias na área dos boxes. A pista atual possibilita três traçados diferentes. E o que a categoria dos caminhões pode deixar na economia de uma cidade por onde passa? Para responder vamos a última etapa, em Guaporé. Foram 49.176 torcedores que pagaram ingressos a partir de R$ 35,00 nas arquibancadas; Paddock, ao preço de R$ 160,00; Camarote Torcedor a R$ 350; e credencial VIP, a R$ 570,00.
Fizeram os cálculos da relação investimento/retorno? Vocês não consideram factível investir em automobilismo onde já existe uma praça esportiva construída? O Autódromo Virgílio Távora existe, é um fato, e investir em uma reforma é apostar nessa vocação do turismo de eventos que o Ceará possui. Então o que impede de atrair esse turista? O Ceará atrai turistas pelas praias, pelas feiras de negócios, pelos eventos, e só não capitaliza este turista das corridas porque não quer.
Se não fosse viável atrair tal turista, a Paraíba e a Bahia não estariam construindo seus autódromos e kartódromos. Além disso, o Maranhão tem estudos para a construção de um outro autódromo e patrocina pilotos. Aqui, temos um tricampeão brasileiro de kart e apoio nenhum. Um piloto da equipe do Alexandre Barros no Brasileiro de Motovelocidade e apoio nenhum. Não me conformo com essa miopia.
Não prego caça às bruxas, mas penso que é preciso rever o modo como isso tem sido pensado. Um autódromo em bom estado viabiliza boas corridas e, quando não estiver sendo usado para isso, pode ser alugado para eventos e com o dinheiro desses eventos, já que não há interesse no lucro, parte dessa receita poderia voltar para o fomento das categorias locais, construção de escola para formação de novos mecânicos. E quem sabe o uso da pista para formação de novos motoristas? E quem sabe um convênio semelhante a outros estados onde presos com bom comportamento são levados para dar manutenção ao autódromo em troca da redução da pena e, consequente diminuição dos gastos para manter o equipamento público em condições de receber as corridas?
Acho que é preciso um pouco de boa vontade, de união em torno de um bem maior. O automobilismo é um arranjo produtivo e precisa ser entendido desta forma. (RL)
Robério Lessa/Editor
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