Acompanhe aqui no Carros e Corridas mais uma coluna Velocidade do jornalista Robério Lessa.
Nesta edição uma análise da temporada de 2015 da Fórmula Um, que terá sua abertura neste domingo (15), com a realização do grande Prêmio da Austrália de Fórmula Um, no circuito de rua de Albert Park, em Melbourne.
Olá, Amigos leitores do Carros e Corridas.
Quando as luzes vermelhas apagarem na madrugada (Horário de Brasília) deste domingo (15), autorizando a largada para a 66ª temporada da Fórmula Um, vai começar a caçada ao britânico Lewis Hamilton, o piloto a ser batido neste ano de 2015.
Sem utilizar o número um destinado aos campeões mundiais, Hamilton vai alinhar sua Mercedes GP nesta corrida inicial como o favorito á conquista do campeonato. Credenciado que fora pela disputa com o germânico Nico Rosberg, seu amigo de infância, o competidor do carro 44 é hoje, sem dúvidas, o que reúne mais condições para encerrar o ano no topo da tabela.
Maduro, sem ter mais nada a provar para o mundo da velocidade, ele já venceu batalhas homéricas dentro das equipes, como na McLaren, na qual soube contrapor-se ao espanhol Fernando Alonso, acostumado com o estilo dominante por onde passara. Na Mercedes, em seu segundo ano, soube sair do desconforto provocado pelo começo de ano (2014) abaixo das expectativas, e, de forma brilhante, superou Nico na segunda metade da temporada passada.
A Pré-temporada costuma ser essencial para o marketing de muitas equipes que colocam seus carros com menos peso só para cravar o menor tempo e ocupar as manchetes dos jornais, sites e blogs e matérias no rádio e na TV. No entanto, quem se dedicou a observar os números da equipe da estrela prateada observa o quanto eles foram constantes, e isso é essencial no automobilismo quando se quer chegar ao lugar mais alto do pódio.
Se Hamilton pode ser apontado como favorito, Rosberg também merece atenção especial por entrar nesta batalha com as mesmas armas de seu colega. Espera-se que a Mercedes GP enfrente uma maior dificuldade, sobretudo quanto percebemos a franca evolução da equipe Williams.
Com os mesmos propulsores 1.6 turbo híbrido da escuderia alemã, o time capitaneado pelo Sir Frank Williams tem um piloto que mostrou ao mundo não ser daqueles que se acomodam com o papel de coadjuvante e tem dado trabalho para um companheiro mais experiente.
O finlandês Valteri Bottas, que em seus momentos de relaxamento pratica tiro ao alvo, precisa ser certeiro em sua pontaria para terminar mais um ano à frente do Brasileiro Felipe Massa.
Se Bottas já era rápido, ele cresceu com as informações dadas pelo seu colega sulamericano quando do desenvolvimento do carro em 2014. Por mais que a imprensa, sobretudo a brasileira, aposte numa briga interna entre os dois, o representante do país gelado não é bobo para querer passar um muro dentro do box da Williams como tivera de fazer Nelson Piquet quando enfrentou Nigel Mansell em 1986 e 1987. Felipe Massa é respeitado pelo que já fez dentro da F-1 e é peça fundamental para que a Williams possa voltar ao topo, mas sabe ele que tem uma pedreira ao seu lado.
Este ano vai ser decisivo para Massa, pois terá de defender sua permanência na categoria máxima do automobilismo e mostrar pra ele mesmo que pode superar Bottas nas pistas.
Se os Mercedes W06 entram como favoritos nesse início de ano, espera-se muito de duas equipes. A Ferrari e a Red Bull precisam recuperar o terreno perdido e mostrar que podem ser competitivas. No final de 2014, a Red Bull mostrou sinais de melhora, já a Ferrari……
É um caso a parte é o time italiano que apresenta Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel no comando de seus carros vermelhos. Kimi está no mesmo barco de Massa, e terá um ano decisivo para seu futuro na Fórmula Um. Após os testes em Barcelona e Jerez, ele mostrou confiança com o novo carro e dominou algumas práticas, devolvendo um sorriso no rosto do “homem de gelo”.
O finlandês tem ao lado um companheiro fortíssimo. Vettel, que em 2014 desapareceu diante do australiano Daniel Ricciardo, decidiu apostar tudo com a troca do macacão azul escuro pelo vermelho e levou para a Ferrari um novo ânimo, e a escuderia do “cavallino rampante” precisava desta renovação de ares. Vitórias? Muito difícil! Pódios? Vai precisar de muito esforço dos pilotos e de toda a equipe.
E a Red Bull?
Daniil Kvyat e Daniel Ricciardo, com certeza, vão lutar pelas seis primeiras posições, mas o RBR11 vai depender muito do desempenho do motor Renault, que deixou a desejar em 2014, e milagre não algo comum para um piloto fazer.
Rápidos, jovens, motivados e sem pressão alguma, os dois pilotos do time do touro vermelho iniciam o ano sem muito que provas, e com muita liberdade para acelerar e até errar, já que não serão cobrados como um Vettel, por exemplo. Mas sabem que, ao longo das 20 etapas do ano essa realidade vai mudar e as cobranças vão aparecer. A Red Bull tem um forte apelo competitivo e a equipe na Fórmula Um não é seu único suporte para alavancar as vendas de seu energético homônimo, logo, precisam mostrar trabalho e resultados. Não existe almoço gratuito, há sempre alguém que paga a conta, e este costuma cobrar.
E o Felipe Nasr com a Sauber?
Este é um caso em que a torcida pelo bom desempenho do carro suíço saia da esperança para a realidade e que o segundo brasileiro na categoria possa mostrar toda a sua qualidade dentro do time que enfrenta problemas financeiros e, nesta corrida, vai chamar mais atenção pela pendenga judicial envolvendo o holandês Giedo van der Garde, do que qualquer expectativa de um bom resultado na pista australiana.
Apesar dos bons resultados na pré-temporada, Marcus Ericsson e Felipe Nasr correm o risco de amargar desempenhos bem menos animadores do que os obtidos em solo espanhol.
Já a grande incógnita deste ano é a McLaren. Os pífios resultados dos testes e o acidente com Fernando Alonso, sendo substituído por Kevin Magnussen no retorno da Honda à F1. Jenson Button , Alonso e Magnussen vão ter um ano todo dedicado ao desenvolvimento do carro e do motor japonês para que em 2016 eles possam mostrar o poderio da união Honda/McLaren.
Não podia deixar de falar sobre o estreante do ano, o holandês Max Verstappen, que, aos 17 anos, chega a mais desejada categoria do automobilismo e, pelo que mostrou nos testes, não parece sentir o peso que lhe é jogado nas costas. O filho do ex-piloto Jos Verstapen precisa andar bem para não ser queimado tão prematuramente quanto o seu início na Fórmula Um. A responsabilidade é toda dele!
Também estreante na Toro Rosso, o espanhol Carlos Sainz Jr., filho do campeão mundial de rally, Carlos Sainz entra na equipe, aos 20 anos, respaldado pelo retrospecto nas categorias de base a qual correu com o apoio da Red Bull e seu programa de formação de pilotos. Um pouco “eclipsado” pelo colega holandês, acaba tendo menor peso de cobrança, já que Max atraiu toda ela para si.
Agora é esperar para ver o que vai acontecer, lembrando que ainda temo uma Lotus renovada pela adoção dos motores Mercedes com dois pilotos rápidos, o venezuelano Pastor Maldonado e o franco suíço Romain Grosjean, e a Force India, que parece ter aceitado o papel de coadjuvante diante das carências financeiras, não deve ter um ano animador para Sérgio Pérez e Nico Hulkenberg.
Agora é esperar a largada para um ano repleto de emoções. Tomara!
Fotos:Red Bul Racing/Scuderia Ferrari/Mercedes GP/Toro Rosso/Force India/ Lotus GP/Sauber F1/Williams Martini Racing – Divulgação.
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Robério Lessa é Jornalista e editor do site Carros e Corridas.
Formado pelo Curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará. Robério é um apaixonado pelo mundo automobilístico em geral e escreve sobre automobilismo desde 1992.
Atuou na Rádio O Povo, Rádio CBN-Fortaleza, RCN-SAT, Jornal Tribuna do Ceará, Jornal O Povo, TV Jangadeiro (SBT-Ceará), TV Diário, TV Verdes Mares (Globo-Ceará).
Foi correspondente do portal Terra e Jornal do Terra, assessor de imprensa da Secretaria do Planejamento do Estado do Ceará, integrou a equipe de assessores da Reunião Anual do BID em 2001. Integrou a equipe de assessores de imprensa do Governo do Ceará entre os anos de 2001 a 2007. Coordenou a produção da TV Assembleia do Ceará, nos anos de 2007 a 2010.
Robério foi agraciado com Troféu Estácio Brígido sendo eleito o Jornalista do Ano do Esporte Motor em 2010.
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