Por Robério Lessa – O título dos campeonatos de construtores e pilotos já estavam decididos para a Mercedes e Lewis Hamilton, assim, havia restado aos três últimos Grandes Prêmios da temporada (México, Brasil e Abu Dhabi) as disputas pelas demais colocações e uma certa liberação do novo tricampeão mundial de Fórmula Um para buscar novos recordes, e foi assim que ele encarou a etapa brasileira disputada neste domingo (15), no Autódromo Internacional José Carlos Pace – Interlagos, em São Paulo (SP).
Declarado fã de Ayrton Senna, Hamilton exibia na parte posterior de seu capacete as cores que acompanharam o tricampeão brasileiro e revelou seu desejo de vencer em solo verde amarelo.
Nas arquibancadas o público buscava motivar os representantes do Brasil e também torcer por boas disputas na pista de um dos circuitos mais apreciados pela maioria dos competidores. Antes da largada um minuto de silêncio em razão da morte de centenas de pessoas durante os atentados terroristas na cidade de Paris.
Passada a homenagem, o barulho dos motores, enfim, anunciava que as emoções estariam por vir com a largada que tinha o comando de Nico Rosberg, o primeiro piloto no grid para as 71 voltas. O alemão tratou de acelerar forte para manter a primeira posição desde as primeiras voltas.
Na terceira volta, Daniel Ricciardo buscava uma estratégia diferente, antecipando sua parada após ter largado dos boxes, ao lado do espanhol Carlos Sainz Jr. que abandonou a prova ainda na primeira volta quando encostou seu carro na saída da Curva do Lago. Mas vamos deixar a narrativa da corrida com o jornalista Julio Sonsol, a qual você pode ler clicando aqui, e vamos voltar ao nosso “olhar sobre o GP do Brasil de 2015”.
Sem prometer o que não pode cumprir, Felipe Nasr, o melhor estreante brasileiro na Fórmula Um de todos os tempos, viveu sua primeira experiência como protagonista da prova em Interlagos, e durante todas as práticas de treinos livres e na classificação mostrou enorme vontade de levar sua Sauber número 12 aos pontos, mas o motor Ferrari não conseguiu empurrá-lo o suficiente para assegurar o objetivo do jovem piloto.
Felipe Massa enfrentou dificuldades na sexta (13), e no sábado (14), desejando que o domingo (15) fosse trazer-lhe mais alegrias, no entanto, a Williams 19 sequer esteve entre os cinco mais bem colocados e coube a ele ver seu colega finlandês à sua frente. Massa parte para o encerramento da temporada amargando ver Valtteri Bottas com mais pontos na classificação-geral, e ainda ter tomado uma volta das Mercedes.
Com as posições de Bottas e Massa, a Williams confirmou a terceira colocação no Mundial de Construtores somando 257 pontos na classificação-geral.
Alheio aos problemas dos brasileiros, Rosberg havia decidido colocar água no chopp da comemoração de Hamilton desde do México, passou a comandar a dobradinha das “Flecha de Prata”, carimbando a faixa de campeão do britânico que não representou ameaça real durante as 71 voltas, e conquistando o segundo lugar na classificação-geral do Mundial de Pilotos, com 297 pontos. Quanto ao Hamilton…… Vai ficar para a próxima o desejo de vencer pela 50ª vez na F1.
O certo é que o GP do Brasil não foi o que costumamos classificar de grande corrida, esteve longe disso, mas teve momentos bons, como das ultrapassagens de Max Verstappen, uma delas sobre Felipe Nasr, mas de resto tudo foi pouco empolgante.
A Fórmula Um, há muito, vive uma crise de motivação para o público que tem de acompanhar o domínio de uma escuderia sobre as demais. A felicidade dos germânicos se contrapõe a falta de disputa pela vitória e no Grande Prêmio do Brasil, nem mesmo uma esperada briga interna foi acompanhada pelos que foram à Interlagos, ou pelas telas do mundo inteiro.
Aquela que é chamada de “categoria máxima do automobilismo” poderia olhar para a recém criada Fórmula E que consegue aquecer o público com disputas reais em todas as posições com um carro que não precisa de asa móvel ou placa de titânio para produzir faíscas ao riscar o asfalto.
A emoção de Emerson Fittipaldi e Roberto Pupo Moreno ao serem entrevistado minutos antes da largada, e a invasão do público aos gritos de “Senna, Senna” foram, para esse que vos escreve, um indicativo de que aquela Fórmula Um desafiadora, disputada, empolgante, se perdeu em algum lugar entre os interesses de quem tem o poder de traçar os destinos da categoria.
Agora é esperar a próxima etapa do Mundial de Fórmula Um, que será disputada dia 29 de novembro, no circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi. Quem sabe lá não tenhamos uma corrida melhor?
Até a próxima!
Foto: Mercedes GP – Sauber – Williams F1 – Red Bull – Toro Rosso/Divulgação.
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