Por Julio Sonsol – Especial para o Carros e Corridas – A previsão de chuva se confirmou e as incertezas aumentaram no início da penúltima corrida da temporada de Fórmula Um, em Interlagos. Não fosse a direção da prova, certamente a corrida seria bem mais interessante. Mas os dirigentes preferiram largada com Safefy Car e paralisar a corrida com suas bandeiras vermelhas, além de impor o carro de segurança por três oportunidades.
Após a 71 voltas, repetiu-se a já conhecida monotonia dos dois carros da Mercedes fazendo ponta e dupla. Desta vez, a bandeira quadriculada caiu primeiro para Lewis Hamilton e em seguida para Nico Rosberg. O resultado assegura o campeonato mundial para o piloto alemão, se chegar até em terceiro em Abu Dabi, prova quem encerra o ano da categoria, em duas semana.
Foram necessárias 3h15min, da largada até a bandeirada final, em face das duas paralisações da corrida e a insistente presença do Safety Car na pista. Uma prova normal não chega a duas horas. Para o torcedor brasileiro, a emoção foi antecipada. Na 48ª volta Felipe Massa rodou e bateu com a sua Williams, parte da responsabilidade recaindo sobre os pneus intermediários que usava, quando o recomendável deveria ser o de chuva extrema. Mas a saída prematura da prova propiciou uma passarela de palmas vindas da arquibancada, até o box. Com cara de choro e rosto molhado pela chuva e lágrimas, o piloto brasileiro foi abraçado e saudado por integrantes de todas as equipes. Sua saída da Fórmula Um foi em grande estilo, apesar do ano fraco e da corrida sofrível que fez neste domingo.
O grande destaque desta tarde em Interlagos foi Max Verstappen (Red Bul Racing), que mostrou um talento inigualável na chuva. Apesar dos seus poucos 19 anos, enfrentou de igual para igual as Mercedes e chegou a ultrapassar Nico Rosberg, na volta 32, logo após a segunda relargada. O holandês já havia tomado a terceira posição de Kimi Raikkonen (Ferrari) na primeira largada e mostrou todo o seu arrojo para cima do líder do campeonato. Perdeu a posição por uma escolha errada de pneus. Ao parar para substituir os compostos para chuva forte, no giro 44, quando perdeu o controle do carro, retornando apenas na 13ª posição.
A partir daí Verstappen não mais errou em diversos momentos levantou a torcida, que nitidamente, desde a parada de Massa, escolheu para torcer o holandês. Como se fosse brasileiro, o piloto da Red Bull Racing levantou a arquibancada quando deixou para trás a Ferrari de Sebastien Vettel, chegando ao terceiro posto e ao pódio, na 67ª volta. O seu arrojo e disposição de correr riscos mesmo com as condições da pista tomada pela água, cativou as atenções de toda a platéia.
Quem teve um final da corrida também dramático foi o brasileiro Felipe Nasr (Sauber), que ainda tem um futuro indefinido na categoria no próximo ano. Após chegar à sexta posição, até a volta 41, por conta das paradas para troca de pneus dos outros pilotos, enquanto ele levava o carro com um único set. Perdeu três posições, a partir daí, mas concluiu a prova ainda na zona de pontuação, anotando os seus primeiros dois pontos do campeonato do mundial de pilotos e também os dois primeiros da sua equipe.
Após a prova, que marcou a 9ª vitória de Hamilton no ano, empatando com Rosberg e a terceira em Interlargos, a decisão do campeonato fica adiada por 15 dias. Nico visivelmente não se expôs a riscos, e com 12 pontos de vantagem na tabela, pode novamente fazer outra corrida burocrática na próxima e última etapa.
Confira o resultado final do GP do Brasil:
1 Lewis Hamilton (Mercedes)
2 Nico Rosberg (Mercedes)
3 Verstappen (Red Bull Racing)
4 Sérgio Perez (Force India)
5 Sebastien Vettel (Ferrari)
6 Carlos Sainz ( Toro Rosso)
7 Nico Hulkenberg (Force India)
8 Daniel Ricciardo (Red Bull Racing)
9 Felipe Nasr (Sauber)
10 Fernando Alonso (McLaren)
11 Valtteri Bottas (Williams)
12 Esteban Ocon (Manor)
13 Danill Kvyat (Toro Rosso)
14 Kevin Magnussen (Renault)
15 Paul Wehrlein (Manor)
16 Jenson Button (McLaren)

Foto: Mercedes GP/Williams F1/Red Bull/Sauber – Divulgação.




