A visão míope de que é preciso estar na Fórmula 1 para ser um piloto de sucesso há muito está caindo por terra e para o brasileiro Felipe Nasr, que teve passagem pela categoria, saudade é algo que ela não deixou já que seguiu adiante e aproveitou a chance que lhe foi dada nas provas de longa duração (Endurance).
Talento ele tinha de sobra e não demorou muito para chamar a atenção das grandes equipes sendo contratado pela Porsche Penske Motorsport no fim de 2021 com o propósito específico de desenvolver o Porsche 963 para provas de endurance.
Os resultados não demoraram a aparecer e em 2024 ele conquistou sua primeira vitória nas 24 Horas de Daytona, feito que repetiu esse ano. A segunda vitória de Nasr em Daytona aconteceu em uma corrida emocionante, no último domingo de janeiro (26) – em especial o stint final em que saiu do terceiro lugar para a liderança, na abertura do IMSA WeatherTech SportsCar Championship, No Daytona International Speedway.
O brasileiro dividiu a condução do Porsche 963 com o inglês Nick Tandy e o belga Laurens Vanthoor e afirmou que vai “estudando os fatos a cada dia que passa”, mencionando a disputa entre os dois carros da Porsche Penske Motorsport com um da BMW e outro da Acura. “É impressionante uma corrida de 24 horas ser definida nos últimos instantes”, afirma. “Para mim, foi uma honra enorme levar o nome da Stuttgart mais uma vez ao primeiro lugar em Daytona. Não poderia haver maneira melhor de começar o ano.
Nasr vem colhendo os resultados do trabalho: além das duas vitórias em Daytona, acrescentou ao currículo o título do IMSA SportsCar em 2024. Cinco dias depois de vencer pelo segundo ano consecutivo as 24 Horas de Daytona, uma das corridas mais importantes do automobilismo mundial, o piloto brasileiro Felipe Nasr esteve na sede da Stuttgart Motorsport, em São Paulo, na última sexta-feira (31) para uma conversa com jornalistas sobre a corrida e as perspectivas para a temporada 2025. O evento celebrou também o terceiro ano da parceria entre Nasr e a Stuttgart Porsche.
Um dos temas abordados na entrevista foi o relacionamento com Roger Penske, cuja equipe comanda as atividades da Porsche nas categorias de protótipos da IMSA e do Mundial de Endurance. Aos 87 anos (completará 88 em 20 de fevereiro), o ex-piloto Roger Penske se faz presente no dia a dia de suas equipes de competição e é um dos maiores empresários dos Estados Unidos, estando à frente de uma holding com atuação em diversos segmentos. “O Roger é impressionante. Em Daytona, ficou acordado a noite inteira, fazia perguntas sobre o carro e falava sobre as paradas de box. É um autêntico líder, muito legal, honesto e profissional. Eu me sinto muito motivado por trabalhar com ele”, elogia.
“Eu nunca havia pego um projeto desde o primeiro dia. Vi esse carro nascer, lembro da primeira vez em que ele andou na pista, dos testes na Europa e nos Estados Unidos. Tem sido um trabalho intenso desde o fim de 2021 e na primeira temporada (2023) o carro tinha velocidade, mas ainda não estava como desejávamos. Em 2024, começamos vencendo em Daytona e terminamos ganhando todos os títulos possíveis na IMSA. A Porsche ganhou também no WEC (FIA WEC, Campeonato Mundial de Endurance). Tudo isso dá uma satisfação enorme, estou vivendo um momento muito especial da minha carreira”, diz. Nasr não esconde que tem ambições maiores, entre elas vencer as 24 Horas de Le Mans – uma prova que nunca foi ganha por um piloto brasileiro na classificação geral. “O Roger sempre menciona o desejo de ganhar em Le Mans. Quem sabe aconteça neste ano”, finaliza.
Texto: Robério Lessa e Luiz Alberto Pandini.
Fotos: Porsche Penske Motorspor
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