Acompanhe no Carros e Corridas a nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.
Muita gente não vai lembrar, alguns vão entender por causa da internet, mas a grande maioria tem saudade dos fins de noite de domingo cujas palhaçadas que eles faziam representavam o final do dia para a molecada que na segunda-feira tinham que encarar a escola logo cedo. Estou falando dos trapalhões, um grupo formado por quatro humoristas, Renato Aragão era o Didi, Dedé Santana, Mussum e Zacarias, surgiram na metade dos anos 70 e seguiram até os anos 90. Esse fim de semana me fez lembrar esses personagens, não pelas piadas ou esquetes que faziam, mas pela bagunça que armavam em várias situações para fazer a audiência rir.
Foi assim logo pela manhã. Na pista de Spa-Francorchamps quando logo na largada o mais que desastrado o Grosjean fez aquela lambança. Estar entre os 20 melhores pilotos do mundo não é fácil e tem que se matar um leão por minuto para permanecer lá, o problema esta sendo o critério usado pra isso. Em grande parte os garotos conseguem suas vagas por causa da grana que levam, ou por serem de um país que precisa de representatividade e assim arranjam um banco pro sujeito sentar. A impressão que dá é que esse franco-suíço só esta lá por causa disso, colocando seriamente a vida dos outros em jogo. A batida tirou da corrida além dele, o Hamilton, o Alonso, o Perez e algumas voltas depois o queimador de largada Maldonado, transformou uma corrida que tinha tudo pra ser muito disputada em burocrática, aproximou os postulantes ao título do líder Alonso e obrigou a FIA a dar uma punição ao kamikaze francês de uma etapa, ele vai ser substituído pelo não menos intelectual Jerome D’Ambrosio nesse fim de semana na Itália. Com essa bagunça toda no grid, quem se deu bem foram os brasileiros que quer queiram ou não, tiveram um up de pelo menos 4 posições, Massa ficou em quinto e conseguiu pontuar decentemente, já o Bruno, atrapalhado com as estratégias mirabolantes da Williams ficou em décimo segundo. Não foi na verdade uma corrida foi sim uma grande palhaçada que na verdade não teve a menor graça.
Mais sem graça ainda foi a etapa de Baltimore da Fórmula Indy, não pela disputa, mas pela confusão. Nos treinos vimos, no meio da reta, um bump, ou melhor, um quebra-molas que tirava os carros do chão!!! Meu Deus, o que é aquilo? Uma categoria com a importância da Indy, na sua penúltima prova, em um circuito de rua de um país que preza pela qualidade em tudo que faz, não pode se dar ao luxo de se fazer uma merda daquele tamanho. A explicação seria que, por ali passam alguns trilhos de trem e que, em conjunto com o asfalto, provocaram o efeito catapulta e faziam com que os carros tirassem literalmente as 4 rodas do chão.
Não bastasse isso, os pilotos tiveram a grande idéia, até porque não se poderia ter outra, de se colocar um pouco antes do ponto de arremesso para se diminuir a velocidade dos carros e evitar vôos indesejados. Não adiantou quase nada, o resultado foi que durante a corrida muitos pilotos ou bateram no muro ao lado da pista ou simplesmente decolavam não na saliência, mas na segunda perna da chicane.
A coisa não parou por ai, entrou em campo Will Power, que até agora se mostrou um grande pé frio. Ele tinha toda a chance do mundo de fechar o campeonato esse fim de semana, fez a pole, estava mais rápido abriu uma vantagem imensa para o segundo colocado, mas aí, de novo, errou junto com a equipe na tática. Naquela conversa de chove aqui, não chove ali, ele acabou se atrapalhando nas trocas de pneus, não aproveitou nenhuma das 9 bandeiras amarelas que aconteceram na corrida para mudar o jogo e acabou chegando em sexto, assistindo a vitoria do Ryan Hunter-Reay que polarizou a disputa do título somente entre os dois e agora no oval de Fontana vamos ver quem tem garrafa vazia pra vender, Power ainda tem uma pequena vantagem mas ta quase, quem chegar na frente, leva.
Vou ficando por aqui, lembrando que o domingo de besteiras continuou pela semana. O Rubens Barrichello, que fez uma excelente corrida em Baltimore chegando em quinto, esta conversando com equipes de ponta da Indy para 2013, praticamente implorou pra correr esse fim de semana na Lótus no lugar do Grosjean. Será que ele não entendeu que não precisa mais disso? Será que tá difícil entender que a Fórmula 1 já passou na vida dele e que o melhor é focar em um campeonato que ele pode ser campeão? Enfim, acho que depois do tratamento que ele teve por lá deveria evitar até mesmo assistir, enfim…
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos & queijos
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