Qual será o motivo de Cascavel formar tão bons pilotos? O tricampeão mundial de Fórmula Um Jackie Stewart, conhecido como o Escocês Voador, disse certa vez que no caso de o Brasil ter tantos e bons pilotos que deveria ser devido à água do país. Pura brincadeira, claro. Nessa mesma linha, no caso de Cascavel pode ser o Costelão de Chão, que tem 18 toneladas de costelas assadas ao mesmo tempo e entrou para o Guinness Book como o maior churrasco do mundo. Assim como a de Jackie Stewart essa é uma tentativa de explicação que cai para o lado da diversão, mas que Cascavel é um local especial para pilotos de bom nível, especialmente da Stock Car, isso ninguém pode negar.
Nesta cidade no oeste paranaense, os cerca de 300 mil habitantes parecem ter, em vez de sangue, gasolina correndo nas veias. Ali nasceram o campeão de 2003 David Muffato (Itaipava) e o bicampeão da categoria formadora (então conhecida como Stock Car V8 Light e Copa Montana) Diogo Pachenki, além de Jaime Melo Júnior, que disputa o Mundial de Endurance. Lá também reside, há muitos anos, o tricampeão Angelo Giombelli, que há 25 anos adotou o município como sua casa. Do lado de Cascavel, em Toledo, está fincado o clã Sperafico, que na Stock tem os gêmeos Rodrigo e Ricardo entre outros pilotos que fizeram a ainda fazem carreira pelo Brasil e pelo mundo. Todos acompanharão de perto o retorno da Stock Car à cidade depois de duas décadas de ausência. A oitava corrida do ano acontece no domingo, dia 16, a partir das 9h30 no reformado autódromo municipal. Cascavel entrou para a história da categoria ao integrar a abertura, em 1979, como a 13ª e penúltima etapa da temporada, que só terminou em janeiro de 1980.
David Muffato (foto), hoje um dos mais experientes da maior categoria do automobilismo brasileiro, quebrou a hegemonia de títulos dos chamados dinossauros (Ingo Hoffmann, Chico Serra, Paulo Gomes entre outros) ao se sagrar campeão em 2003. Com 138 corridas na Stock Car, ele tem quatro vitórias (todas em 2003), fez duas pole positions e chegou 13 vezes ao pódio. David tem o pai, Pedro Muffato, também como um grande nome do esporte a motor nacional.
“Sem dúvida que o tradicional costelão ajuda para a gente queimar umas gordurinhas a mais. Mas de verdade mesmo o que ajuda é o apoio das empresas da região, algo que sempre existiu. O Sul do Brasil tem uma boa escola de pilotagem, mas falta algo que no Paraná existe. No começo recebi esse apoio, assim como os Sperafico, o Pachenki, o Jaiminho, que está na Europa, o próprio Giombelli. Além disso, o autódromo é difícil para quem não conhece, tem curvas de alta. Imagine fazer o Bacião com um Opala sem aerofólio, sem suspensão especial comom faziam no começo da Stock? Eu andava de Dodge quando comecei, pilotando e do lado, agarrado na gaiola!”, diz Muffato.
Angelo Giombelli nasceu em Ipumirim, Santa Catarina, mas escolheu morar em Cascavel e foi residindo ali que conquistou seus três títulos (1991, 1992 e 1993), todos em parceria com o Mister Stock Car Ingo Hoffmann. Das suas 14 vitórias, 13 foram com o parceiro de cockpit e somente uma – Guaporé, em 1994 -, sozinho. Há muitos anos Angelo conversou pessoalmente com Jackie Stewart e o escocês fez a ele a mesma pergunta sobre a água brasileira.
“Gozado, ele brincou sobre esse assunto num jantar nos Estados Unidos. No nosso caso acho que o costelão ajuda mesmo! Na verdade, existe uma paixão muito grande pelo automobilismo na cidade, e o esporte sempre foi forte e despertou paixão em Cascavel. Temos um autódromo e um kartódromo e um regional forte e bem organizado, o que favorece. Eu mesmo morava em Palotina e vim numa corrida com um tio, isso em 1974, e depois de visitar os boxes disse que iria correr de carro. A expectativa do retorno da Stock está muito grande na cidade. A minha época foi a era romântica. Agora impera o profissionalismo!”, disse Giombelli.
Diogo Pacheki entrou para a história da categoria formadora de pilotos para a Stock Car ao se tornar, em 2004, o primeiro campeão da Era dos motores V8 e em 2010 ao conquistar o primeiro título da Copa Montana. Pachenki (Concessionária Portal/Mion/Inspevel), natural de Cascavel, detém o recorde de 17 vitórias e vai disputar a prova da Copa Montana em sua cidade.
“Aqui o pessoal gosta muito de automobilismo. Temos um regional de Marcas com mais de 20 carros e já tivemos quarenta. Temos autódromo e kartódromo e, assim como São Paulo, também temos bons pilotos. Deve ser o costelão de chão mesmo que faz tantos pilotos aqui!!!”, brinca Diogo, que em competições nacionais só correu uma vez em Cascavel: 2001 na Fórmula Júnior, quando terminou em segundo lugar.
Foto: Fernanda Freixosa/Divulgação.




