Acompanhe, aqui, na sessão Impressões ao Dirigir, com o jornalista Robério Lessa, um test drive com o novo Fusca. Durante oito dias, ele rodou com o modelo 2.0 Turbo no trânsito lento e desordenado de Fortaleza e em rodovias federais e estaduais. As fotos que ilustram a matéria são da fotógrafa Camila Gurgel. Descubra, no site Carros e Corridas, como é pilotar um mito chamado Fusca.
O Novo Fusca chegou para ser o centro das atenções. Se você quer ser percebido, com certeza este é o seu carro. A força do mito fala mais alto em todos os locais por onde o modelo passa. No trânsito, parado no semáforo, ou no estacionamento as pessoas apontam, pedem para você baixar o vidro e perguntam algo sobre ele.
Qual é o preço?
Qual o motor?
É um Fusca?
Sim, é um Fusca! O Novo Fusca! E é respondendo essas e outras perguntas que nos acostumamos a andar com o modelo da Volkswagen durante uma semana.
Não bastasse sua cor vermelha, o carro mexe com as pessoas pela sua história com o mundo automotivo. Quem nunca teve um fusca pelo menos conhece alguém que já possuiu ou já andou em um. Agora, com seu novo visual, ele reacende todas as memórias do carro mais popular do mundo.
Não foi difícil me adaptar ao carro. Logo na entrada, com boa abertura, a porta permite acesso fácil ao habitáculo interno que, no modelo testado, era equipado com bancos de couro. Na frente, os dois felizardos ocupantes podem desfrutar de uma boa visão frontal e a delícia de curtir o vento do litoral nordestino (fizemos o teste em Fortaleza e na cidade litorânea de Aquiraz) com o teto solar aberto.
Encontrar uma boa posição de dirigir é tarefa fácil. Além das regulagens do banco, as de altura e distância do volante facilitam achar uma posição mais confortável. Os bancos também passam uma boa sensação de segurança, já que os apoios laterais “abraçam” o corpo do motorista, conferindo segurança no contorno das curvas. O volante, também com revestimento em couro, tem boa empunhadura e seu desenho remete à esportividade sempre marcante no modelo.
A Volkswagen deixou livre a escolha do Fusca em vários países (Na França – Coccinelle; Na Itália – Maggiolino, por exemplo) para ficar mais próximo do imaginário que o remete ao carismático modelo que se confunde com a história da industrialização brasileira e fez parte do cotidiano do povo brasileiro desde os anos 50. Assim, mesmo com toda a tecnologia do novo modelo, é possível identificar elementos que nos trazem lembranças do antigo modelo equipado com motor refrigerado a ar.
Acima do porta luva, há uma espécie de “segundo porta luva”, que ganhou um trinco cromado e faz lembrar o do modelo original. Outro detalhe nostálgico é a alça colocada na coluna da porta para os passageiros do banco traseiro, que continuam apertados na parte de trás, reafirmando o maior pecado do carro.
Mas, o novo desenho encomendado aos engenheiros da montadora alemã deu uma nova tradução ao Fusca, que, somado ao arsenal de equipamentos de tecnologia e qualidade de última geração, transformam o modelo em um cobiçado veículo para o público-alvo que deseja um carro diferenciado, pouco comum, bem ao perfil do adulto, solteiro e bem-sucedido.
Este é o Fusca mais potente de todos os tempos. Com motor 2.0 TSI Turbo e injeção direta de gasolina, ele desenvolve 200 cavalos de potência, que, junto com a transmissão de seis marchas DSG (Direct Shift Gearbox) de dupla embreagem, transformam o modelo em um carro que exige cuidado para não pisar fundo no acelerador, porque responde rápido, e bem, saindo de zero a 100 km/h em pouco mais de seis segundos (6,5), podendo alcançar uma velocidade máxima de 223 km/h.
Aliado ao conjunto câmbio e motor, o Fusca vem com uma suspensão mais rígida. Na dianteira, é do tipo MacPherson com molas helicoidais e amortecedores telescópicos. Na traseira, é do tipo four-link – ou multibraços. Entrando um pouco mais forte nas curvas, percebe-se que o carro passa uma boa sensação de segurança e estabilidade, ampliada pela barra antirrolamento. E vemos que o investimento no quesito segurança valeu a pena, já que ele vem de série com o bloqueio eletrônico do diferencial XDS, que tem a função de melhorar a dirigibilidade em curvas rápidas, dando ao carro um comportamento seguro, auxiliado ainda pelos freios que, seletivamente, evitam que a roda interna deslize em falso na curva, aumentando, também, a tração.
Depois de exigir do carro na curva, foi a vez de experimentar os freios. Em um local seguro, sem tráfego, e em área fechada, acelerei forte até os 80 km/h e freei forte, “montando” em cima do pedal dos freios. O resultado foi um carro parando de forma segura, sem travamento e mudanças de trajetória. Aí, os freios a disco nas quatro rodas com ABS mostraram-se adequados ao carro, um ponto bem diferente do modelo original, sobretudo para quem teve um fusca como eu, um modelo 1972, motor 1.5 com freios a tambor nas quatro rodas. É claro que a comparação não é válida, já que seria impossível imaginar um carro tão moderno equipado com freios deficientes.
Se os freios funcionam bem, parte deste funcionamento se deve ao conjunto aro/pneu. O modelo testado era equipado com rodas de alumínio de 18 polegadas e pneus de perfil baixo (235).
O modelo que agora é fabricado sobre a plataforma do Jetta e do Golf Mk6, na unidade mexicana da Volkswagen, convida a prolongar nosso passeio. Apesar da suspensão ter uma calibragem mais dura (o que na cidade chega a ser pouco confortável quando não se tem cuidado com as irregularidades do solo, mas nada que não possa ser revertido diante de uma tocada mais suave), é gostoso andar no Novo Fusca, principalmente com os vidros e o teto solar abertos para poder escutar melhor o grave roncado do motor, principalmente nas ultrapassagens e nas reduções de marcha.
O câmbio automático de dupla embreagem permite a seleção em que as marchas são trocadas na alavanca ou na “borboleta” localizada na parte posterior do volante. Um prato cheio para quem se acostumou com carros de câmbio convencional e gosta de “sentir o comando do carro” nas reduções de velocidade para contornar uma curva. Mas, se o assunto é viajar, o melhor mesmo é deixar o câmbio na posição “drive” e, dependendo da estrada, usar o piloto automático, que permite a seleção da velocidade máxima. Usando o sistema, ao tocar o freio ele é desarmado, voltando o controle da velocidade ao motorista.
Além da posição “drive” (D) o câmbio tem a pré-regulagem esportiva (S) que permite um melhor desempenho, ideal para ultrapassar veículos longos, já que se atinge a velocidade suficiente para superar o outro veículo em uma manobra mais segura.
Andar com o fusca à noite é outro capítulo à parte. Seu conjunto ótico permite que o carro seja percebido pelos outros motoristas facilmente e oferece, também, uma boa visibilidade proporcionada pelos faróis bi-xenônio emoldurados por 15 LEDs.
Internamente, chama a atenção a iluminação da moldura dos alto-falantes, que pode variar entre o vermelho, o branco e o azul (veja nas fotos da galeria a diferença entre as tonalidades – na foto ao lado com o uso da luz azul). A iluminação dos instrumentos segue com a luz branca e mostradores de fundo preto com ponteiros em vermelho, que, juntamente com o painel multimídia, o comando do ar-condicionado e dos espelhos e o console central, permitem fácil identificação do que se quer acessar à noite.
Na parte central do painel, três mostradores ajudam a dar mais esportividade ao Novo Fusca. Um cronômetro, (digital e analógico) que pode ser acionado quando o carro começa a se deslocar, um medidor da temperatura de óleo e um medidor de pressão do turbo.
Para um carro desse porte, não poderiam faltar alguns itens de qualidade como o sistema de som que reúne CD Player, interface para cartão SD, entrada USB (no porta luvas), tela sensível ao toque, Bluetooth e sistema de navegação integrada ao painel (opcional) também com comandos no volante.
E o sistema de som é um capítulo à parte. Eu, que gosto de escutar boas músicas quando dirijo, sobretudo Blues, Soul e Rock, me senti contemplado com o sistema de som Fender. Isso mesmo, aquela famosa marca de guitarras e caixas de som. Assim, o peso dos graves da marcação do baixo de Steve Harris, da banda Iron Maiden, pulsava sem distorções e ruídos estranhos, tornando ainda mais prazerosa a tarefa de conduzir o carro na via litorânea.
O sistema de som Fender (opcional) é composto por dois tweeters instalados nos triângulos dos espelhos das portas e mais dois na forração traseira. Dois woofers, aqueles que têm moldura com mudança de cor e que ficam nas portas dianteiras. E há um terceiro, mais dois woofers nos painéis de acabamento traseiros e um subwoofer no porta-malas, o suficiente para dar vazão ao amplificador de 10 canais, com amplificadores de potência de 400 Watts.
Ainda na tela do sistema de som, é possível ligar, independente de seu acionamento automático quando se engata a marcha à ré, os sensores de distância que ajudam na hora de manobrar o veículo indicando a proximidade dos objetos e diminuindo o volume da música para se escutar o bip de alerta.
Andar no Novo Fusca me remeteu aos tempos que ia para a escola no banco traseiro do Fusca 78 creme da minha mãe. Andar nele mas trouxe, além das boas recordações, o prazer de dirigir um carro com itens de conforto e segurança já comuns para os padrões dos veículos produzidos na Europa e que permitem, ao motorista, ter a confiança em um equipamento pronto para atendê-lo nas mais diversas situações. O Novo Fusca ainda tem um preço um pouco elevado para a maioria daqueles que o desejam na garagem, força das sobretaxações de impostos que temos de arcar no Brasil.
O modelo testado na concessionária Saga (Fortaleza) é vendido por R$ 92.420,000, enquanto o modelo básico, com câmbio manual e cor sólida, assume o valor de venda de R$ 87.015,00.
Texto: Robério Lessa.
Fotos: Camila Gurgel.
Agradecimentos: Volkswagen do Brasil e Concessionária Saga (Fortaleza).
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