Faltavam dez minutos para a abertura de box quando a chuva caiu forte sobre o circuito de rua de Salvador, na Bahia, que recebeu a Stock Car pela quinta vez na história. Luciano Burti havia optado por preparar o carro para pista molhada e gostou do que viu nas chamadas voltas de aquecimento. Mas era tanta água que a direção de prova decidiu postergar a largada, processo que levou uma hora. Foi o tempo necessário para o traçado começar secar.
“Escolhi o acerto para chuva. O tempo estava tão louco que não dava para saber o que ia acontecer. Nas voltas de aquecimento, eu estava confortável, rápido, mas a largada atrasou e a pista seca já não era mais tão boa para nós. Estava com pneus de pista molhada, acerto de pista molhada, então foi o que deu para fazer”, comentou Burti, décimo colocado no final. Ele ocupava o quinto lugar até cinco voltas antes da bandeirada.
Nas últimas voltas, ficou impossível segurar quem contava com pneus de pista seca. “Eu tinha uma dificuldade extra, porque meu rádio não estava funcionando, então não tive como solicitar a parada de box para trocar pneus. Com certeza, se tivesse essa comunicação eu teria escolhido parar no comecinho”, contou Luciano Burti. De fato, quem parou para colocar pneus de pista seca tinha ritmo mais forte nas voltas finais.
Ricardo Maurício venceu, seguido por Rubens Barrichello. Para se ter uma ideia, Thiago Camilo, o melhor entre os que estavam de slicks, acabou em terceiro a apenas 1s055 de Ricardinho e dava toda a impressão de que poderia ganhar a prova se houvesse mais uma ou duas voltas. Burti lembra que não adotou a mesma estratégia de Thiago porque o rádio não estava funcionando – ele não conseguiu se comunicar com a equipe para a parada.
“Gostaria que tivéssemos mais pistas de rua no calendário. Me sinto confortável aqui, é um tipo de traçado onde você consegue se atirar mais, fazer diferença. Hoje foi difícil, competitivo, mas agora é pensar na próxima. A primeira coisa que quero agora é dar um abraço no Rubens, parabenizar pelo pódio. Ele vem de uma corrida complicada. Durante a prova, soube que ele estava em segundo e fiquei torcendo para terminar ali”.
“É bom para ele, é bom para a categoria e fico feliz de ver o Rubens no pódio”, concluiu Burti. Eles foram contemporâneos na Fórmula Um em 2000 e 2001, quando Luciano Burti correu pela Jaguar e pela Prost, e também dividiram a mesma equipe entre 2002, 2003 e 2004: Rubens Barrichello era o piloto titular da Ferrari e ele ocupava
Texto: Thiago Mendonça/Divulgação.
Foto: Vanderley Soares/Divulgação.




