Por Robério Lessa – O Mercado de elétricos no Brasil ainda não chegou sequer a um terço da sua capacidade de vendas, isso porque é preciso associar a compra à necessidade de uso e, com alguns gargalos ainda presentes na distribuição de energia elétrica e na disponibilidade de pontos de carregamento, o uso urbano é, sem sombra e dúvidas, por enquanto, a mais adequada forma de uso para alguns estados do país.
Além disso, a dúvida quanto às novas tecnologias me faz lembrar quando do primeiro carro com injeção eletrônica no Brasil. Sim, vi isso sim e o Proálcool (Programa Nacional do Álcool que introduziu o álcool combustível) e ouvi pessoas dizendo que “isso é moda e logo passa. Onde já se viu acabar com o carburador”.
Não se trata de acabar com os veículos com motores à combustão, pois eles vão conviver com os elétricos, combinando nos modelos híbridos ou não. No entanto, a cada dia tem uma pessoa baixando a guarda para o que chamo de “efeito Lada” quando se trata de levar um elétrico para casa, sobretudo para uso urbano.
Refiro-me ao efeito Lada quando a montadora da antiga União Soviética exportou para essas terras tropicais seus Laika, Niva e Samara. Sem muita tropicalização, peças e consequente abandono dos planos de manter a marca por aqui, os carros de marcas não consagradas que se aventuram a chegar aqui ainda sofrem com demasiado preconceito.
Dito isso, vamos voltar à BYD que, na última quarta (13) celebrou, no Ceará, a entrega simbólica do carro 150.000 da montadora chinesa vendidos no Brasil em três anos no mercado nacional. A BYD hoje tem fábrica no Brasil (Bahia) e cresceu 48,54% de janeiro a julho desse ano em comparação com o mesmo período de 2024. Em Fortaleza, já foram emplacados 1.947 veículos no acumulado deste ano, com os modelos BYD Dolphin Mini e BYD Song Plus, sendo os mais vendidos na capital cearense.
Estive, na quarta, na concessionária BYD Carmais para a entrega simbólica da chave do carro 150.000 e conversei com Leonardo Dall’Olio, Diretor Comercial da Carmais e com Pablo Toledo, diretor de marketing e comunicação da BYD.
No Ceará a BYD emplacou 343 carros em julho. E se no acumulado foram 1.947 modelos registrados, isso aponta para uma expectativa positiva e Leonardo atribui vários fatores para as vendas que contabilizam 4.800 modelos eletrificados comercializados em três anos no Ceará.
“O chinês ele estudou muito e hoje ele detém a tecnologia do do elétrico e do eletrificado. Então, quando a gente fala de de automóvel elétrico, a gente tem o chinês à frente do resto do mundo claramente, tanto que a maioria das montadoras, elas estão buscando parceiros chinês para incorporar às suas marcas. O Brasil está quebranso esse paradigma do carro elétrico aos poucos. È preciso entender como usar um carro elétrico. Por exemplo, o carregamento do carro, ele é feito quando o carro tá parado. Normalmente em casa, durante a noite, o carro se carrega e ele não precisa nem carregar todo dia, porque você não roda 300 km no dia, a não ser motoristas particulares de aplicativo. A BYD trouxe essa visão de um carro tecnológico, despertando o interesse de todas as montadoras a também trazer esses produtos, buscar esses produtos. O crescimento foi meteórico, foi muito rápido.
Eu digo que todo crescimento desse nível, ele precisa de adaptação e tivemos problemas no início, faltou peças, pneu, mas agora isso já passou, as coisas foram se adaptando. Precisava ter o produto para a gente até ter o problema, Mas a BYD foi muito rápida e nós aqui no Grupo Ventura temos pessoas que estão no ramo dos veículos há muito tempo e também fizeram de tudo para o cliente não ficar com seu carro parado por muito tempo”, afirmou o Diretor Comercial da Carmais.
No Brasil a BYD iniciou suas vendas de veículos em 2022 com 260 carros, já em 2023 esse número pulou para 17.937 veículos, um crescimento de 6.800%. Em 2024 o volume de vendas aumentou 327% sobre os 17.937 veículos comercializados subindo esse número para 76.713 emplacamentos. Nos primeiros sete messes do ano, a montadora registrou 57.388 vendas, o que dé um percentual de 48,54% superior ao mesmo período de 2024.
Hoje a BYD responde pela venda de oito em cada 10 veículos elétricos e três em cada 10 modelos híbridos no país, como explicou Pablo Toledo, diretor de marketing e comunicação da BYD, que mostrou satisfação ao falar dos números da marca. Para ele, a montadora tem tido uma preocupação demasiada e incessante pela tecnologia, pela inovação e isso é estimulado dentro do ambiente fabril. Talvez seja esse um dos segredos da nova maneira de se fazer carro que o ocidente ainda não tenha captado. Muito aprendemos com os nipônicos e, creio eu, está passando da hora de aprendermos com os engenheiros sinos.
“A gente é muito orgulhoso do que a gente faz, principalmente em termos de tecnologia e BYD sempre teve uma postura muito humilde para enfrentar esses obstáculos. O Léo aqui da Carmais falou que a gente projetou mal nossas lojas e elas sempre foram menores do que deveriam ter sido. E foram mesmo. Até por uma questão de humildade. A gente não esperava esse sucesso todo. E a gente teve humildade para consertar o tamanho dessas lojas. Em decorrência desse sucesso também, houve um problema de reposição de peça e e quanto mais carro na rua, mais você precisa de peça para atender esse cliente. E a gente foi contornando isso na medida em que o sucesso veio. Quer seja com a improvisação que a Carmais fez aqui em Fortaleza, quer seja com a importação num volume maior, quer seja com o o desatar de nós de distribuição para o país inteiro, nós nunca tivemos problema em admitir erro e ser rápido ao corrigir. Como a gente tem esse discurso de 120.000 engenheiros ou 120.000 funcionários dedicados à pesquisa e desenvolvimento, empresa de tecnologia, isso às vezes parece uma empáfia e prepotência que no fundo é orgulho. Nós somos muito orgulhosos do que a gente faz. Muito, muito mesmo. E isso não é prepotência e arrogância, é orgulho. E nós estamos certo que hoje outros obstáculos vão vir. E aí a gente vai enfrentar esses obstáculos. Eu falava para um colega, por exemplo, que na China as estradas são muito boas. Tem que ter uma tropicalização de suspensão para cá. As estradas aqui não são boas. Então nós temos que ter uma tropicalização de suspensão. E nós vamos cada dia mais aprender com o Brasil a ser brasileiro. Então acho que a fábrica aqui no Brasil vai nos ensinar muito, não só em termos de correção. Sendo bem honestos, né? 150.000 carros, não é uma história construída com erro, é uma história construída mais em acerto. Essa é uma história de quebra de paradigma, de quebra de estigma e uma história no fundo de uma paixão. O brasileiro gostou da gente. Então é uma história que vai ser construída também com base no acerto, uma história que começou com uma importação de carros, mas que vai continuar com a tecnologia, de meninas e meninos baianos, nordestinos, cearenses, paulistas. Toda a linhagem da música do Chico Buarque, que vão ali para Camaçari e vão virar construtores de sonhos defazer os carros modernos. São brasileiros que vão fazer esses carros incríveis da nova geração”, disse um motivado profissional de comunicação.
Toledo revelou ainda que o atendimento ao consumidor da BYD tem recebido mais dúvidas sobre a gestão dos aplicativos do que sobre a parte mecânica e elétrica, o que comprova a mudança do foco da geração que tem comprado os carros elétricos, justamente a geração a qual se referiu. “O que eu falo parece muito discurso de marketing, mas não é! Para você ter uma Ideia, quando ligam hoje lá no Serviço de Atendiomento ao Consumidor (SAC) da BYD, não são dúvidas de filtro e e de mecânica. São dúvidas sobre como baixar aplicativo, como atualizar software. O consumidor da BYD hoje é esse. É um consumidor de software, não é um consumidor de mecânica. Então, é essa a história que nós estamos construindo. Você me me me colocou aí essa questão da tecnologia, Da dúvida do consumidor. É O medo às vezes, eu acho que nós já ultrapassamos o medo da tecnologia. Hoje o elétrico ele casa com a tecnologia, ou seja, o que a gente pode esperar assim, um compromisso da BYD com a tecnologia inarredável, mas não tenha dúvida, é uma empresa e, eu eu não sei até que ponto o seu público sabe, é com 120.000 profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento, né? São 45 pedidos de patente por dia e 19 aprovados. O Museu da BID que tem uma frase assim bem grande: “Se tem 1% de chance de arranjar uma solução, tem que ter 100% de dedicação. Então, é, qualquer canto da BYD, tem alguém em busca de uma de uma solução. São 11 centros de pesquisa. A BYD tem tem muito cliente famoso, que que pouca gente sabe. Vou falar um produto da BID que não é carro, é bateria. empresa que nasce com de bateria para celular e a partir dessa tecnologia de bateria desenvolve uma série de negócios. O carro hoje é o mais famoso, mas tem ônibus, caminhão, trem, o Apple Watch da Apple, a cerâmica da BYD, o Apple Pencil, o iPad. Então você tem o instituto de pesquisa só para estudar a cerâmica. A cerâmica do carro é estudada, o eletrônico, o chip. Então, é é tudo baseado em tecnologia. E aí isso nos traz outro questionamento.
O que que é o carro para nós? O que é o carro para você? O que é o carro para mim? Eu tenho três filhos, dois são adolescentes, eu já não janto mais com eles e eu não tenho tempo de tomar café da manhã com eles. O carro para mim são os 15 minutos que eu tenho para conversar com eles, de manhã na escola. Para alguns é o momento de se informar nos40 minutos de deslocamento, no trânsito maluco de São Paulo, para muita gente é o escritório. Para quem está em começo de namoro, é a DR. Para o cara que não tem paz e precisa de silêncio, talvez seja a igreja dele. O tempo de de reflexão, que ele vai escutar alguma coisa. Acho que tem essa reflexão do que que é o carro? É aí, o que que esse carro vai oferecer para ele? E o que o carro vai oferecer muitas vezes vai depender da tecnologia. E eu gostaria de oferecer um carro da BYD que vai ser silencioso, que ele vai ter um multimídia com outras opções para. Então é uma conversa muito sobre tecnologia. É, a conversa sobre o que gostaria que fosse é uma conversa sobre tecnologia, é, eu como porta-voz da BYD gostaria que essa conversa fosse sobre tecnologia, uma reflexão sobre sobre o carro do futuro”, revelou.
Hoje a BYD é líder global em carros movidos a nova energia – elétricos e híbridos plug-in. Há mais de 10 anos no Brasil, também se destaca pela produção de componentes eletrônicos, painéis solares e soluções de armazenamento de energia. A empresa opera fábricas em Campinas (SP) e Manaus (AM) e, em 2024, deu início à construção do Complexo de Camaçari, na Bahia, que irá abrigar o maior complexo fabril da companhia fora da Ásia. A BYD ainda é responsável pelo projeto do monotrilho da Linha 17 – Ouro do Metrô de São Paulo (Skyrail). Em 2024, a greentech vendeu 7 em cada 10 veículos elétricos e um em cada quatro híbridos no Brasil, conquistando a 10ª posição no ranking geral de vendas de carros de passeio no País. Com a missão de diminuir a temperatura da Terra em 1°C, a BYD é pioneira na transição para uma economia de baixo carbono, alinhando suas operações ao Pacto Global da ONU e liderando a revolução sustentável no setor automotivo.
Texto: Robério Lessa
Fotos: Robério Lessa e Daniel Joca/Cauchino Press
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