Para a felicidade de alguns e desespero de outros, a pré-temporada da Fórmula 1 acabou nesse domingo, e o resultado não foi nada diferente do esperado por aqueles que acompanham esse mundo da velocidade como eu. Sou um fã desde os anos 70, acompanhei no autódromo de Interlagos muita gente boa e muita gente ruim, as eternas promessas e os que já chegam com jeito de campeão, seja na F1 seja em outras categorias.
Para mim a Fórmula 1 começou com o grande Emerson Fittipaldi, época em que os pilotos fumavam nos boxes e os mecânicos queimavam os dedos trocando as velas dos carros. Mas desde essa época pouca coisa mudou na disputa: quem é bom é bom quem é promessa geralmente fica na promessa. E os resultados dos testes de inverno mostram isso.
Já fora das pistas, o simples prazer de correr deu lugar ao profissionalismo e ao talvez exagerado cuidado com as estrelas. Os boxes viraram laboratórios, os mecânicos engenheiros e as equipes outdoor´s itinerantes das marcas dos patrocinadores. Os antigos trailers deram lugar aos impressionantes e gigantes motor homes que hoje são extensão dos escritórios luxuosos das grandes, médias e pequenas equipes. Nesse mundo, meu caro, não se pode ter dívida com a Caixa Econômica Federal, tem que dever mesmo pro FMI, algo do tipo “pobre não entra!”. Mas pobre paga, quem dá cano é empresário rico.
Mas vamos voltar aos testes desse fim de semana. A inglesa McLaren que tem a bordo os dois últimos campeões do mundo, súditos da rainha Elizabeth II, fechou o domingo como a melhor entre as quatro grandes. Lewis Hamilton foi o responsável por garantir a superioridade do time em Barcelona e tirou momentaneamente o favoritismo da Ferrari, Mercedes e Red Bull. Foi um balde de água fria em quem achava que estava com a bola toda.
Claro que isso serve apenas pra colocar mais pressão na cabeça de novos e velhos pilotos. O heptacampeão Schumacher sabe fazer isso muito bem. Desviar o foco e jogar a batata quente no colo dos outros foi o que ele mais fez enquanto conquistava os títulos e triturava os recordes.
Agora não é diferente, ele já passou para as mãos de Massa e Alonso a responsabilidade de ser a Ferrari a equipe a ser batida. Jogada de gênio em tempos de equilíbrio, pois além das 4 grandes tem a Force Índia, a Toro Rosso e a Williams com o Barrichello chegando muito perto e querendo um lugar nos pódios da temporada.
Embora as chances de Massa e Barrichello sejam grandes esse ano, o mesmo não se pode dizer de Lucas di Grassi e Bruno Senna.
A Virgin, equipe do Lucas, sofre com o projeto do carro. Ele e o Glock deram poucas voltas nos testes em Jerez e Barcelona e muita gente acredita ser pela falta do desenvolvimento em túnel de vento. O que falta mesmo é amadurecimento para a equipe, tempo disputando corrida se aprimorando em testes e melhorando um projeto que até que provem o contrário, é bom. Na verdade, foram os problemas mecânicos que assombraram os engenheiros mas todos acreditam poder corrigi-los até a estréia no Bahein. Será?
Já o Bruno Senna continua à espera de um lugar. A Campos, equipe que tinha garantido o lugar no grid com ele em um dos carros, já se fundiu com a USF1, já trocou o diretor esportivo mas carro na pista que é bom e piloto confirmado, até agora nada. Resta esperar até a abertura do campeonato, porque é muito importante ter um piloto como o Bruno representando as nossas cores, principalmente pelo passado da família Senna, com o tricampeão Ayrton, no automobilismo mundial.
Eu acredito que vamos assistir a um grande campeonato, uma luta ferrenha pelas pole positions e vitórias e principalmente o desfile dos campeões.
Essa é a Fórmula 1 que o Max Mosley imaginou antes de sair da presidência da FIA, e espero que o Jean Todt consiga dar continuidade em 2010 e melhorar ainda mais em 2011.
Quem já esta bem e esta voltando para o Brasil é a Fórmula Indy, dessa vez para um circuito de rua em São Paulo! Na ultima corrida em 2000 o autódromo de Jacarepaguá ainda não tinha sofrido a agressão do Pan do Rio.
É uma atitude ousada e muito corajosa dos organizadores e da TV Bandeirantes, pois montar um circuito de rua numa cidade que prima pelo caos do trânsito e num ponto da cidade onde ele é mais complicado, tem que ser aplaudido.
A Reunion é a responsável pela montagem desse circo todo. O Geraldo Rodrigues, um dos sócios, me informou essa semana que o trabalho é um dos mais espetaculares que ele já realizou em termos de organização.
Tudo foi pensado, o asfalto é um tapete e já tem um vídeo promocional, que você pode conferir aqui:
http://tv.estadao.com.br/videos,DE-UMA-VOLTA-PELO-CIRCUITO-DE-SP-DA-F-INDY,86931,10,0.htm
Toda sorte aos organizadores e promotores e principalmente aos brasileiros que correm na categoria mais importante depois da Fórmula 1, e tomara que São Pedro segure as águas de março nos dias 12, 13 e 14 para engrandecer esse espetáculo do automobilismo.
Eu volto a falar com vocês no mês que vem, pois vou acompanhar as estréias das Fórmulas e das categorias turismo nesse mês de março.
Beijos e queijos.
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Foto: Virgin Racing/Divulgação



