Na mais eletrizante definição da história do evento, Lucas di Grassi precisou do critério de desempate para superar outros três competidores com igual pontuação e vencer a quinta edição do Desafio Internacional das Estrelas, encerrada neste domingo no Kartódromo Arena Sapiens. Di Grassi abandonou a segunda bateria, mas graças aos 25 pontos da vitória no sábado levou vantagem sobre Felipe Massa, Rubens Barrichello e Bia Figueiredo, que alcançaram o mesmo total.
Vice-campeão e idealizador do evento, Massa reconheceu que nem em sonhos poderia imaginar um desfecho com tamanha carga dramática. “Nunca pensei que veríamos um final como este. O título mudava de dono a cada volta”, comemorou o piloto da Ferrari, que deixou escapar o bicampeonato ao se envolver em choque com Vítor Meira já nas últimas voltas e perder pontinhos decisivos. Desde o início da prova, por causa de um acidente envolvendo a própria Bia e Antonio Pizzonia, Di Grassi já havia abandonado com o escapamento quebrado e jogado a toalha. “Naquele momento, achei que nem mesmo ao pódio eu subiria. Fiquei torcendo do lado de fora e desta vez dei a sorte que não tive em 2008, quando perdi pela diferença mínima para o Rubinho. Mas é o tal negócio: quando tem de ser, é”, comemorou.
As arquibancadas ferveram com maior intensidade em dois momentos neste domingo: primeiro, quando Barrichello passou a mover implacável perseguição ao líder Jaime Alguersuari, o espanhol que deu o toque internacional à prova em 2010. Quase veio abaixo na ultrapassagem do brasileiro em cima do piloto da Toro Roso, mas entrou em delírio mesmo no momento em que a arremetida de Bia Figueiredo – apenas a 11ª no grid – parecia incontrolável. A torcida catarinense passou a empurrar a única mulher no grid até que ela deixou Barrichello para trás com uma manobra impecável. “Jamais imaginei que conseguiria ultrapassar um piloto tão bom como o Rubinho numa corrida”, admitiu Bia, que festejou em grande estilo depois de ver a bandeira quadriculada. Jogou o kart para o gramado, soltou os cabelos ao vento e correu para a galera que a aplaudia nas arquibancadas.
Barrichello admitiu a superioridade da adversária, que correu com o motor utilizado por Alguersuari na véspera – os motores são sorteados entre as duas baterias. “Ela estava mais rápida e cheguei até a dar um tchauzinho quando vi que aquele kart amarelo chegando. Você nunca faz isso para ninguém na Fórmula 1”, lembrou o recordista de largadas na categoria. Mas não esperava a ressalva de Bia. “Uma vez você deu um tchau para o Schumacher, não foi?”, perguntou Bia, arrancando risos generalizados dos colegas e dos jornalistas.
Massa não escondeu o orgulho pelo sucesso do Desafio. O público mais uma vez prestigiou – o kartódromo, com capacidade para cerca de 20 mil pessoas, esteve quase lotado nos dois dias -, a ideia da corrida noturna, antecedida por show de música, foi bem recebida e as duas corridas foram, para dizer o mínimo, espetaculares. “O que construímos aqui foi impressionante e toda a organização está de parabéns”, analisou, já deixando claro que o formato será mantido em 2011. Só não pôde garantir que levará adiante a sugestão apresentada por um repórter para trazer mais representantes do sexo feminino para fazer frente a Bia Figueiredo. “O problema é que não existe uma piloto tão boa quanto ela”, elogiou Massa, que jurou ter corrido “às cegas” durante todo o tempo. “Só me preocupei em acelerar. Não sabia que em certo momento eu seria campeão com as posições de pista.”
Claramente emocionada pelo resultado histórico, Bia ganhou de presente o capacete de Tony Kanaan, quinto colocado a apenas um ponto de diferença dos quatro primeiros. Pelo Twitter, durante a semana, eles combinaram que quem vencesse uma corrida ganharia o capacete do outro. Ainda sem vaga na Fórmula Indy, espera que o esforço e o talento que demonstrou contra alguns dos nomes mais conhecidos do automobilismo mundial não tenham sido em vão. “Espero que os chefes de equipe da Indy tenham visto a corrida…”
Fotos: Carsten Horst e Duda Bairros/Divulgação.



