O trio formado por Ene Pires, Geraldo Filho e Lutianne Soares foi o vencedor das Três Horas do Ceará.
A prova de longa duração, realizada na tarde deste domingo (18), no Autódromo Internacional Virgílio Távora, na cidade do Eusébio, marcou o encerramento da temporada cearense de automobilismo de 2012.
Reunindo pilotos do Ceará, Maranhão, Pernambuco, e Piauí a prova foi marcada por fortes emoções e, com vários momentos de disputas ao longo das 108 voltas completadas pelo trio em 3:01:58.917.
“Para mim não tem tamanho a alegria que estou sentindo em vencer esta prova. Eu fiz um esforço imenso para estar aqui hoje após uma viagem cansativa. Cheguei da Europa no sábado e saí direto do aeroporto para estar aqui treinando e correndo hoje. Quero agradecer a todos da equipe, todos, sem citar nomes porque todos foram importantes e contribuíram para essa conquista de hoje”, disse Ene Pires, que fez a sua primeira prova de longa duração.
Quem também não cabia em si de tanta felicidade era o jovem piloto Geraldo Filho. Também do Maranhão, Geraldo, de 20 anos de idade, fazia sua estreia no automobilismo após competir apenas no Kart e, em sua prova inaugural enfrentou o rigor de uma corrida de longa duração. “Não sei o que dizer. Estou exausto, mas muito contente com tudo isso. É uma experiência incrível. Só tenho que agradecer ao Ene pela oportunidade e toda a equipe”, afirmou Geraldo.
O carro 92 conduzido, na última etapa da competição, pelo maranhense Geraldo Filho chegou a apenas 1.397 segundos do Superturismo 22, o segundo colocado geral, e primeiro em sua categoria (protótipo abaixo de 1.6), sob o comando de Pedrinho Virgínio, que fez a corrida junto com os pilotos Ignácio Barreira e Sérgio Saboia.
“Eu sabia das limitações do carro, mas também sabia de suas qualidades. Nosso carro é muito confiável, é um carro experimentado. Não fosse o “Drive Trough” (passagem pelos boxes) que tivemos de pagar em função de uma ultrapassagem na pista em bandeira amarela, acho que o resultado poderia ter sido outro. Não posso lamentar, só tenho a agradecer por ter conseguido reunir dois amigos para conseguir correr comigo. Essa corrida tem todo um significado para mim, correr no carro que foi projetado pelo meu pai junto com seus amigos foi algo incrível. Ele estava aqui em nossos corações e sei que, de onde estiver, ele vai estar feliz por nós”, disse Pedrinho Virgínio em palavras trêmulas e olhos mareados tomados pela emoção das lembranças de seu pai Pedro Virgínio, piloto, engenheiro e projetista.
Em terceiro, a duas voltas de diferença ficou o trio Alexandre Roncy, Edmard Júnior, e Tibúrcio Frota, que, apesar da quebra da asa traseira e da falha no motor nas últimas 15 voltas, concluíram a prova em segundo na sua categoria (Protótipo acima de 1.6), a mesma do trio vencedor.
Alexandre Roncy, que conduziu o carro na parte final da prova, ressaltou o espírito de equipe e a garra dos seus integrantes ao conseguir superar tantas adversidades ao longo da corrida.
“Eu me considero vencedor. Eu, o Edmar e o Tibúrcio podemos nos encher de orgulho pelo que fizemos aqui hoje. Na hora em que a asa traseira caiu eu pensei que tinha sido tocado de lado, mas consegui segurar o carro. A partir daí tivemos que mudar a tocada. Nossa equipe permaneceu unida e coesa e é isso que faz um time que entende o espírito de uma prova como essa. Só se chega a algum lugar em provas de longa de duração com a soma das forças e nosso time é vencedor”, afirmou Alexandre, que é projetista dos Spirit.
Para Tibúrcio, que fez a primeira parte da corrida no comando do Spirit número três, esse domingo vai ficar registrado na história do Automobilismo Cearense. “Mesmo com a falta de alguns pilotos, o que é lamentável, o que vimos aqui foi um grande espetáculo. A união de pilotos de várias gerações, a participação de familiares dando todo o incentivo isso é grande, é nobre. Independente de qualquer resultado temos que abraçar esse tipo de iniciativa, uma corrida como essa mostra que podemos fazer no Ceará uma competição com todo o nível de exigência que a Confederação Brasileira de Automobilismo faz para homologar provas de longa duração. Temos, podemos, e sabemos fazer carros e corridas. Todos estão de parabéns, do primeiro ao último colocado”, destacou Tibúrcio.
Em quarto lugar, terceiro na categoria Protótipo acima de 1.6 cilindradas, ficou o Trio formado por Arnaldo Pinho, Marcos Moretti, e Silvio Camelo. Com o Próton, também criação de Pedro Virgínio Arnaldo iniciou a corrida marcando a melhor volta da prova em 1:26.600. A estratégia de dar um ritmo maior nas voltas iniciais foi determinante para a classificação final do carro número quatro, já que teve de parar nos boxes mais duas vezes, além das paradas programadas para reabastecimento e troca de pilotos, a fim de solucionar um problema que incomodou a equipe por muito tempo.
A asa traseira se soltou e teve de ser soldada quando Moretti assumiu o comando do Próton. Mais tarde incomodou Silvio Camelo que chegou a rodar na sápida da Curva Fernando Ari, e, no final caiu de veza com Arnaldo Pinho que teve de andar mais de 20 voltas sem aderência na entrada e saída de curva, tendo que dominar o carro no freio motor e no braço para poder chegar ao final.
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Foi duro, foi duro. Mas conseguimos lograr êxito. Esse carro ficou pronto em uma semana e o que ele rendeu na pista mostra o quanto ele foi bem projetado. Eu fico satisfeito em poder encerrar o ano assim e ver que todos gostaram do trabalho. O Moretti disse que nunca tinha guiado um carro tão bom e que fazia o que queria, colocava o carro no traçado que ele desejava. Precisa eu dizer mais do que isso? Só quero agradecer ao esforço de todos da equipe. O Moretti, o Silvio, o Fabão, o Pedro Bala, enfim, todos que se entregaram a esse projeto de, na pista, prestar essa homenagem ao grande Pedro Virgínio”, afirmou Arnaldo Pinho.
Na categoria Turismo 1.6 os vencedores foram de Pernambuco. A dupla Anderson Oliveira e Leonel Neto chegou em quinto na geral e levam para casa o troféu da vitória. Eles tiveram no pódio a companhia de outros dois pernambucanos, Igor Antunes e Leonardo Camelo, que chegaram em segundo na mesma categoria.
Na categoria Turismo, a dupla cearense composta por Queiroz Barbosa e Thiago Barbosa, pai e filho, foram os terceiros colocados, sétimos no geral.
O trio cearense composto por Ângelo Lavor, Leo Sampaio e Paulo Fernandes chegou em oitavo; Hybernon Cisne, Tarquílio Pimentel, e Hiderlandson Peixoto, em nono. Wladimir Pinheiro, Thiago e Duda Bala chegaram em décimo.
Já o trio composto por Paulo Plutarcho, Minho Pimentel, e Stênio Pimentel, que fez a pole, não completou 10 voltas. No nono giro o motor do Spirit número 13 perdeu rendimento e travou, provocando o abandono da equipe.
Fotos: Robério Lessa.




