Acompanhe agora entrevista exclusiva com Christian Fittipaldi.
Com o sobrenome do mais famoso clã do automobilismo brasileiro, Christian Fittipaldi vive um bom momento em sua longa carreira de piloto. Convidado a substituir Geraldo Piquet durante as duas primeiras etapas da Fórmula Truck, Christian surpreendeu até mesmo aos mais otimistas e durante todo o fim de semana da etapa inaugural da categoria e andou sempre entre os 10 mais rápidos e só não subiu ao pódio na sua primeira corrida com os caminhões por conta de falha mecânica.
O site Carros e Corridas apresenta agora uma entrevista com Christian Fittipaldi, ao jornalista Robério Lessa. Às vésperas da segunda etapa da Truck, o piloto, que já passou pela Fórmula Um, Indy, Nascar, 24 Horas de Le Mans, 24 Horas de Daytona, fala sobre sua carreira, a família e muito mais.
Carros e Corridas – Você espera conseguir um equipamento para o restante da temporada na Truck?
Christian Fittipaldi – Não. Não foi esse o planejado para este ano. Desde o começo, deixei bem claro que seria apenas essas duas corridas que o Geraldo está fora. Espero devolver o caminhão dele da mesma forma como ele me “emprestou” e fazer duas provas competitivas.
C & C – Você vem da família quer melhor representa o automobilismo no Brasil. Como é fazer parte dos Fittipaldi?
C F. – Pra mim, sempre foi uma honra muito grande. Tudo começou com a história do meu avô, fora das pistas, depois meu pai, meu tio. Meu pai construiu um carro de F-1, meu tio teve muito sucesso dentro das pistas. Participo desta história sendo talvez o piloto brasileiro que mais categorias disputou, praticamente todas as grandes que existem no automobilismo mundial. Tirando a V8 australiana, já corri nos principais campeonatos, agora até de caminhão! Espero fazer jus ao nome e isso me deixa muito honrado.
C & C – O convívio com os avós nos remete a boas lembranças. Como é seu contato com o Barão e como era na infância? Foi dela o maior incentivo para o início de sua carreira no automobilismo?
C F – Sempre tive muito contato com eles. Fui o primeiro neto e eles sempre foram muito próximos, especialmente a minha avó. Ela que me levava para viajar, já que meus pais estavam sempre nas pistas. Mas, sinceramente, eles nunca foram contra nem a favor de eu ser piloto.
C & C – E o seu pai Wilson e o seu tio Emmerson. Como eles te influenciaram?
C F – O meu pai e a minha mãe sempre incentivaram, desde que eu fosse “competitivo” também na escola (risos), principalmente na época do kart. Eles sempre me apoiaram desde que eu levasse a sério.
No caso do Emerson, também recebi apoio, mas estávamos cada um em um continente e geograficamente isso restringia o nosso contato.
C & C – Você chegou a correr disputando provas com o Emmerson na F – Indy. Deixou-te mais “nervoso” ou estimulado essa disputa?
C F – Sempre foi um estimulo. Eu estava começando e aprendi muito com ele.
C & C – No Kart e nas categorias de formação você e Rubens Barrichello se notabilizaram por ganhar a maioria dos títulos nos anos 1980. Que lembranças você tem dessa época?
C F – Foi o início da minha carreira, então marcou bastante e aprendi muito também. Dividi muita freada com o Rubinho, ele me incentivava bastante e acredito que eu também o incentivava. Também sou o que sou por causa do Rubinho e espero que ele fale o mesmo de mim. Aprendemos muito um com o outro. Em 90% da minha história no kart, era eu contra ele. Depois seguimos caminhos diferentes. Eu era um ano mais velho e, quando ele chegou à F-1, fiquei pouco tempo e fui para a Indy.
C & C – Como você e o Rubens se relacionavam?
C F – Sempre muito bem. Tivemos nossos impasses dentro das pistas, mas que foram resolvidos na hora ou logo depois. Sou amigo e torcedor dele e espero que ele seja de mim também. Nunca tivemos problemas, apenas as nossas diferenças, o que é normal em um ambiente competitivo.
C & C – Você foi vencedor da Fórmula 3000 Internacional em 1991. Após esse título você entrou na F-1 em 1992 pela Minardi. Como foi sua experiência na Fórmula Um?
C F – Foi uma experiência ótima. Aprendi muito. Pena que passei apenas três anos correndo por equipes limitadas, onde era difícil extrair um resultado positivo. Mas, naquela época havia mais carros e só os seis primeiros pontuavam. Não como hoje que são os 10. Se eu corresse hoje, talvez a impressão fosse completamente diferente. Sempre marquei pontos nas temporadas que corri e atingi resultados bons, considerando os carros que eu tinha. Já fiz as contas e, na pontuação atual, eu teria marcado uns 35 /40 pontos na F-1 e não 12.
C & C – Você guarda alguma mágoa dessa passagem pela F-1 ?
C F – Não. As coisas não aconteceram como eu gostaria, mas pra tudo na vida você precisa estar no lugar certo na hora certa. Na F-1, faltou sorte para isso. Mas não guardo mágoas.
C & C – No seu segundo ano na F-1, em 1993, pela Minardi, no Grande Prêmio de Monza, o seu companheiro de equipe, o italiano Pierluigi Martini, com quem você disputava a sétima posição, fechou seu carro para impedir a ultrapassagem pela direita, a poucos metros da linha de chegada, onde os carros atingem a maior velocidade na pista. Aquele acidente ainda é considerado hoje um dos mais espetaculares da F-1. Naquele momento houve tempo para você temer a morte?
C F – Sem dúvida passou pela minha cabeça que eu iria morrer. Virei no ar, completamente uma volta inteira e achei que iria morrer. Felizmente, o carro “caiu” nas quatro rodas, pois a história seria diferente se não acontecesse deste jeito.
C & C – Qual a lição que você tirou desse acidente?
C F – Agradeci ao papai do céu, pois se ele não estivesse comigo eu não estaria aqui falando com vocês.
C & C – Ainda na F-1, em 1994, no GP de Imola, o mundo chorava a morte de Ayrton Senna. Como foi que você recebeu a notícia ? Houve tempo para estreitar o relacionamento com ele?
C F – Nosso relacionamento sempre foi muito bom, mas não muito estreito. Recebi a notícia da morte dele após a prova. O JJ Letto, que corria na Benetton, me perguntou: Viu o que aconteceu? E ele disse: O Ayrton morreu. Eu perguntei: Como assim??? Fiquei chocado e abismado. Isso foi meia hora depois da corrida.
C & C – Qual foi o motivo de sair da F-1?
C F – Recebi uma proposta ótima para ir para a Indy. Achei que fosse ficar um ano e voltaria para a F-1. Nunca achei que ficaria tanto tempo e, no final, minha vida tomou um rumo diferente. Fiz minha vida nos EUA e, quando vi, já tinha perdido o bonde da F-1.
C & C – A F-Indy, desbravada para os brasileiro pelo seu tio Emmerson, o Emmo, como era chamado nos EUA, possibilitou outro mercado para os pilotos brasileiros. Como foi sua experiência nessa categoria?
C F – Foi ótima. Conheci várias pessoas, tive um relacionamento muito próximo com o Paul (Newman) e o Carl (Haas) e corri sete anos da minha vida com eles. Foi fantástico. Era praticamente uma família. Sou muito grato por essa oportunidade, e feliz também.
C & C – Você foi um dos pilotos do país que mostrou ser possível fazer carreira lá fora sem necessariamente partir desesperado em busca da F-1 e se submeter a carros pouco competitivos e equipes mais interessadas no dinheiro dos patrocinadores dos pilotos. Há outro caminho fora a F-1 para os pilotos brasileiros que almejam carreira internacional?
C F – Acho que os EUA já provaram que são um bom caminho, só ver a carreira do Tony e do Helinho. Claro que se um piloto planeja chegar à F-1, o melhor é correr na Europa, como está fazendo o Felipe Nasr. Mas se pretende seguir carreira nos EUA, é bom começar por lá, como meu primo (Pietro). São duas coisas diferentes.
Veja mais fotos de Christian Fittipaldi:
Fotos: Arquivo Pessoal do Piloto – Orlei Silva – José Mario Dias – Duda Bairros/Divulgação.





















