O site Carros e Corridas apresenta o primeiro entrevistado do mês de Abril, o piloto paranaense Ricardo Zonta. Foi na primeira corrida que participou (kart) que o jovem piloto mostrou seu talento, venceu a corrida para sua alegria e deu seu pai Joanir Zonta, a quem reputa ser seu maior incentivador.
Após dominar o kart paranaense no final dos anos 80, Ricardo Zonta foi para São Paulo onde continuou conquistando vitórias e títulos, inclusive o brasileiro em 1991.
Depois de passar pela Fórmula – Chevrolet, Fórmula-Três , Fórmula-3000, FIA GT chegou à Fórmula Um atuando como piloto de testes da McLaren e, em 1999, entrou na equipe BAR.
Em 2007 voltou ao Brasil e entrou para a Stock Car. Além da Stock, na qual é o quarto colocado na classificação geral, disputa o campeonato FIA GT ao lado do brasileiro Enrique Bernoldi.
Zonta respondeu as perguntas por e-mail entre os testes da FIA GT e a primeira etapa da Stock (ainda em março).
Acompanhe agora essa entrevista exclusiva com Ricardo Zonta, nascido em 23 de março de 1976, em Curitiba que em 1987 foi vice-campeão Curitibano de kart; em 1990 e 1991 foi campeão paranaense de kart; em 1994 é campeão da Fórmula Três Sul americana e Brasileira; em 1996 conquista o título de campeão da Fórmula 3000 Internacional; em 1997 sagra-se campeão Mundial da FIA GT ao lado de Klaus Ludwig; em 2001 torna-se campeão da World Series by Nissan pela equipe Gabord Competicion; em 2007 fica com o terceiro lugar nas 24 Horas de Le Mans pela equipe Peugeot.
Carros e Corridas – Quem foi o teu maior incentivador? Em quem você se inspirou?
Ricardo Zonta – Com certeza foi meu pai (Joanir Zonta). Ele sempre foi um apaixonado por automobilismo e nunca perdeu uma corrida minha do kart até a F-1. Ele é meu ídolo e minha inspiração.
C e C – Por ser um esporte envolvendo riscos, houve algum pedido para você não seguir nessa carreira por parte de sua família?
RZ – Posso garantir que nunca houve um pedido! Alguns acidentes assustaram, mas nada que tirasse de nós o gosto da velocidade.
C e C – Que lembranças você guarda de sua primeira vitória e seu primeiro título?
RZ – Foram acontecimentos marcantes na minha vida, mas têm valor igual às conquistas que tive mais para frente.
C e C – Você acha que hoje está mais fácil ser piloto hoje? Existem mais oportunidades agora em relação ao tempo em que você começou?
RZ – Existem oportunidades variadas (de carros e de custos) para se correr de turismo no Brasil (em monopostos é mais complicado), e acredito ter espaço para todos. A moral da história é a mesma do meu tempo: correr todos podem, mas poucos se sobressaem.
C e C – Sair do Kart para a Fórmula Chevrolet, em
seguida a F-3 e buscar a carreira fora do país. Você pensou em desistir em algum momento? Qual foi a sua maior dificuldade?
RZ – Nunca pensei em desistir. Confiava no meu potencial, obtive bons resultados que me incentivaram ainda mais a crescer. Minhas dificuldades foram facilmente contornáveis, como a adaptação a um novo país e uma nova língua.
C e C– Ao vencer a Fórmula 3.000 Internacional, superando até o colombiano Juan Pablo Montoya, em 1997, qual foi o sentimento que passou na sua cabeça?
RZ – O Montoya era apenas mais um no grid. Um concorrente que precisava ser batido como todos os outros se quisesse ser campeão. Meu sentimento era de que estava preparado para encarar coisas maiores, como a F-1 e o Mundial de FIA GT.
C e C – Você é o único brasileiro campeão Mundial da FIA GT. Mesmo tendo conquistado esse título em uma categoria competitiva como é a FIA GT, você não acha que no Brasil ainda há pouca valorização aos feitos dos pilotos em outras categorias internacionais fora a Fórmula Um?
RZ – A cultura do brasileiro é F-1, não adianta. Se você correu na F-1, você é mais lembrado que os outros, isso é evidente. Existe a valorização por parte das pessoas que vivem o automobilismo, o que é uma coisa normal. No futebol, os jogadores mais lembrados são os que atuaram vestindo a camisa da Seleção, o que é algo parecido conosco e com a F-1.
C e C– Agora você vai ter a oportunidade de dividir o cockpit da equipe Sumo Power GT no Campeonato Mundial de GT1 com o Henrique Bernoldi. O que você espera dessa parceria com um piloto que, igualmente a você, tem mostrado haver outro cenário para os pilotos que pretendem trilhar uma carreira internacional?
RZ – O Enrique e eu nos conhecemos desde crianças e tenho certeza de que nos daremos muito bem juntos.
C e C – Você e o Bernoldi vão ter carro para disputar o título?
RZ – É cedo para dizer. Testamos em Zolder e gostamos do que vimos. A Nissan tem potencial e vontade de crescer, por isso estamos com eles.
C e C – Assim como o Augusto Farfus Jr, que compete no WTCC, que só ficou conhecido de muitos brasileiros quando houve uma etapa do campeonato no Brasil, a ausência de disputas de outras categorias internacionais em nossas pistas não motivam esse distanciamento do público das outras categorias, notadamente as de turismo?
RZ – Não. Nas épocas de ouro do automobilismo brasileiro, nos anos 50 e 60, não tínhamos corridas internacionais, mas públicos maiores que os de hoje. Existem locais que não se importam com corridas e outros que adoram.
C e C – Você conhece os autódromos do país, já que pilota também na Stock, nossas pistas têm qualidade para sediar competições internacionais? O que falta para o Brasil ter uma maior assiduidade no calendário de outras competições?
RZ – Apenas Curitiba e Interlagos têm capacidade. O Brasil recebe F-1, WTCC, Indy e FIA GT, sem contar a Top Race argentina. Você acha pouco?
C e C – Já que tocamos no assunto Stock Car. Como você avalia o atual momento que a Stock atravessa, sendo palco para pilotos com experiência fora do país?
RZ – A Stock Car é uma categoria profissional e dentro da pista a competição sempre foi muito boa e interessante. Creio que será outro ano competitivo.
C e C – Dá para conciliar Stock Car com GT1?
RZ – É cansativo, mas dá.
C e C – Você defendeu as cores do Corinthians. Essa entrada de um time tão popular quanto o Corinthians ajuda na popularização da Stock?
RZ – Claro. Um dos maiores times do Brasil puxa a torcida para a pista. Nossos boxes eram os mais visitados, de longe.
C e C – Gostaria de falar sobre Fórmula Um. Em seu ano de estreia (1999) você se acidentou no GP do Brasil, e ficou de fora por três corridas, isso te atrapalhou?
RZ –Claro que atrapalhou, pois perdi parte do campeonato e isso para um estreante sempre é muito ruim.
C e C – Você esteve perto do pódio no Grande Prêmio da Alemanha de 2000. Segurava o carro com pista molhada e pneu slick, mas, por um problema te levou a abandonar a corrida. Como foi para você ter de se conformar com esse revez?
RZ – Como lidei como todos os outros. Cabeça erguida e bola pra frente que 15 dias depois teria outra chance de reverter isso.
C e C – Ficou alguma mágoa por não ter continuado na categoria? O Que faltou para você na categoria?
RZ – Não ficou mágoa nenhuma, pois sei da minha capacidade. Estava na hora certa no lugar errado.
C e C– A Fórmula Um tem hoje duas categorias dentro de uma. A das equipes com dinheiro e a das mais modestas. Alguns pilotos já declararam que muitas vezes a disparidade existente entre uma HTR, Lotus ou Virgin e as demais coloca em risco a segurança dos pilotos. O que você pensa sobre isso? Será que um dia essas pequenas vão se tornar grande?
RZ – Penso que a F-1 precisa de equipes grandes e pequenas. Se elas vão se tornar grandes? Só o trabalho delas dirá.
C e C – Até que ponto fatores como patrocinador e ingerência política podem atrapalhar a carreira de um piloto na F-1? Na BAR, por exemplo, você chegou a declarar que houve uma preferência pelo Jacques Villeneuve.
RZ – Até o ponto em que atrapalha o trabalho do piloto na pista.
C e C – E o acidente entre você e o Villeneuve na Alemanha. Ele forçou a barra por se achar mais importante dentro da equipe?
RZ – Foi um assunto resolvido lá mesmo dentro da equipe.
C e C – No Brasil há uma cobrança exacerbada aos pilotos que chegam à F-1 e às vezes injustiça. Você sentiu essa cobrança, algo como ter de repetir os feitos de Emerson, Piquet e Senna?
RZ – Tive e tenho muito apoio. A cobrança que senti o Bruno Senna sente hoje, o Luiz Razia sentirá amanhã e por aí vai. Isso não mudará nunca.
C e C – Hoje se comenta muito sobre a tecnologia assumindo cada vez mais o comando dos carros. Até que ponto a tecnologia nivela por baixo os pilotos? (em todas as categorias).
RZ – Falar isso na F-1 é bobagem, pois é uma categoria conhecida por sua parte tecnológica. Tudo o que vai pras ruas vêm da F-1. Isso é inevitável e nem sempre uma tecnologia nova significa vida fácil para o piloto.
C e C– recentemente uma empresa brasileira fechou patrocínio para dar condições à Bia Figueiredo competir uma temporada completa na Fórmula Indy. As empresas nacionais estão com nova mentalidade quanto ao apoio financeiro a pilotos do Brasil?
RZ – Isso é mais fácil perguntar para as empresas! Sempre tive fiéis apoiadores, como a Protork e a Girho’s, empresas nacionais, que acreditam no meu trabalho. Vai da mentalidade de cada uma.
C e C – Você se arrepende de alguma coisa que fez no automobilismo?
RZ – Nada, nem um pouco.
C e C– E há algo que você gostaria de ter feito e não o fez?
RZ – Acredito ter feito tudo o que um piloto gostaria de ter feito. Estou feliz com tudo o que conquistei.
C e C – O que falta para o piloto Ricardo Zonta se sentir realizado?
RZ – Não falta nada, sou um piloto realizado.
C e C – Que conselho você daria para aqueles que estão iniciando hoje uma carreira no automobilismo?
RZ – Nunca desistam!
Agradecimento: Bruno Vicaria
Fotos: Site Oficial do piloto, Vanderley Soares -MS2/Div
Zonta inicia sua carreira no kart e vence a primeira prova que disputou. É vice-campeão Curitibano de kart.
1987
Vice-campeão Curitibano de kart.
O piloto disputa campeonatos de kart.
Zonta Kart
Campeão Paranaense de kart.
Campeão Paranaense de kart.
Quarto colocado no Campeonato Paulista de kart.
Sexto colocado na Fórmula Chevrolet.
1993
Quinto colocado na F-3 Brasileira.
1994
Campeão da F-3 Sul-americana e Brasileira.
1995
Quarto colocado na F-3000 Internacional (duas vitórias).
1996
Campeão da F-3000 Internacional pela equipe SuperNova, superando o colombiano Juan Pablo Montoya .
1997
Campeão Mundial da FIA GT ao lado de Klaus Ludwig.
Vencedor do Capacete de Ouro pela segunda vez.
1998
Estreia na Fórmula 1 pela equipe BAR.
1999
Fórmula 1 – equipe BAR (três sextos lugares).
2000
Fórmula 1 – equipe Jordan Grand Prix. Ricardo tornou-se piloto de testes da equipe e substituiu o alemão Heinz-Harald Frentzen em duas etapas.
2001
Campeão da World Series by Nissan pela equipe Gabord Competicion.
2002
Piloto de testes da equipe Toyota de Fórmula 1.
2003
Terceiro piloto da equipe Toyota na Fórmula 1. Zonta pilotou o terceiro carro da equipe nos testes de sexta-feira e disputou cinco etapas, quando a escuderia substituiu o piloto Cristiano da Matta.
2004
Piloto de testes e terceiro piloto da equipe Toyota na Fórmula 1.
2005
Piloto de testes e piloto reserva da equipe Toyota na Fórmula 1.
2006
Piloto de testes da equipe Renault na Fórmula 1.
Estreia na Copa Nextel Stock Car.
2007
Grand-Am: quarto colocado nas 24 Horas de Daytona.
Terceiro lugar nas 24 Horas de Le Mans pela equipe Peugeot.
No Brasil, competiu na Copa Nextel Stock Car.
2008
Grand-Am: duas vitórias e um segundo lugar pela equipe Krohn Racing.
Copa Nextel Stock Car: uma pole e um pódio (segundo lugar).
2009
Defendeu as cores do RZ Corinthians na Stock Car, homenageando a maior torcida do Brasil, com o número 100 do Centenário. Disputou o Mundial de FIA GT pela equipe Reiter, dando à Lamborghini suas primeira vitórias na categoria, nas etapas Spa- Francorchamps e Navarra. Na temporada, também disputou algumas etapas do GT Brasil.
2009



