Acompanhe no Carros e Corridas a nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.
Muitos tentaram de várias maneiras evitar, mas o destino traçado do autódromo do Rio de Janeiro. Já estava escrito nas decisões equivocadas dos dirigentes esportivos e dos governantes e agora começou a se tornar uma triste realidade.
Finalmente as máquinas invadiram a pista daquele que, um dia, foi também palco de muitas corridas nacionais e internacionais de carros e motos. Por ali passaram muitos dos grandes pilotos que o mundo conheceu em 4 ou 2 rodas, foi ali que surgiram talentos que ganharam as pistas do mundo e que colocou os mais fracos nos seus devidos lugares.
Sem querer julgar o mérito de ser uma pista das mais desafiadoras, palco da Fórmula 1, MotoGP e Fórmula Indy além de todas as categorias nacionais, o autódromo de Jacarepaguá é, antes de qualquer coisa, o ponto de partida para muita gente que adora o esporte à motor no Brasil.
É um esporte caro? Sim, é mas também é emocionante. Gera centenas de empregos, forma, além de pilotos, diversos profissionais que orbitam toda a estrutura, desde o mais humilde faxineiro até o mais rico e ganancioso empresário, democraticamente abre as portas para o pequeno patrocinador até a mais conceituada multinacional investirem em um sonho de vitória e exposição quase impossível em outro esporte.
Por que acabar com o autódromo? Um sonho não pode acabar com outro. Os jogos olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 não deveriam servir de motivo para se enterrar um passado de glórias, é como tirar um filho de casa para abrigar outro mais novo e que, talvez, seja bem sucedido.
Onde estão os presidentes das confederações? A CBM esta sem um comando voltado a zelar pelo esporte tem muito tempo. De alguns anos pra cá, algumas ligas resolveram assumir o papel de organizar campeonatos das mais diversas categorias de motos, e nesse momento pouco ou quase nada representam na hora de se gritar pelo autódromo. Já a CBA vive um momento impar. Talvez o Brasil seja o maior ou um dos maiores países a abrigar categorias turismo, não existe um programa de criação de novos talentos porque o kart é muito fraco, depende mais da vontade dos pais dos pilotos do que da organização da confederação, e as categorias Fórmula não existem realmente, não se pode revelar talentos sem ter a forma adequada, é como fazer teatro sem palco, cinema sem câmera, televisão sem energia elétrica.
O ano de 2012 já passou da metade e parece que o esporte à motor não anima nem entusiasma mais ninguém. As baixas audiências da televisão em corridas, o público que desapareceu dos autódromos, a falta de investimento e de interesse em categorias escola, a crise que nossos dois pilotos vivem na Fórmula 1, a não existência de um piloto na MotoGP desde que o Alexandre Barros se aposentou, e agora, a destruição total do autódromo Nelson Piquet no Rio de Janeiro, começam a mostrar o tamanho do iceberg e exibem a real condição do esporte no Brasil: esta acabando e nada é feito, seja por entidades, governos ou grandes investidores que preferem ver sumir a ter que assumir.
Vou ficando por aqui, roubando uma frase do agora setentão Caetano Veloso, que na verdade fez a frase para São Paulo e cabe como uma luva para o momento do autódromo do Rio de Janeiro: É A FORÇA DA GRANA QUE ERGUE E DESTROI COISAS BELAS.
R.I.P. Jacarepaguá!
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos & queijos
Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística. Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada, a direção do programa Grid Motor, a produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.
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Foto: -Bruno Turano-Brazilphotopress.




