Acompanhe no Carros e Corridas mais uma coluna do piloto Helio Castroneves
Salve, gente boa do Carros e Corridas!
Hoje eu quero falar um pouco mais detalhadamente sobre aerodinâmica. Vocês se acostumaram a ver os carros da Fórmula Indy muito iguais nos últimos anos, esteticamente falando. É verdade que sempre houve um pacote aerodinâmico para os mistos e outro para o circuitos ovais. É fácil diferenciar porque, nos ovais, os aerofólios são sempre numa configuração plana, praticamente sem angulação nenhuma, justamente para que a resistência do ar seja a menor possível e o carro atingir as grande médias horárias dos superspeedways, como Indianapolis e Fontana, por exemplo.
Já no misto a coisa é diferente. Tanto na frente quanto na traseira, os spoilers de sustentação são montados em ângulos pronunciados, formando uma espécie de paredão. A explicação aí é simples. Enquanto no oval é pé embaixo quase o tempo todo, nos mistos você até acelera o máximo nas retas, só que em 99% das vezes tem de frear forte logo em seguida por causa da curva fechada que está aí na frente.
Nos dois casos, todas as equipes recebiam o mesmo pacote aerodinâmico aprovado para aquela corrida, ficando a cargo dos engenheiros um campo restrito de ação para conseguir o melhor equilíbrio possível entre downforce e velocidade, obtido através das asas. Meu pai, que e sempre muito curioso, de vez em quando me fala: “Filho, fulano está com grau acima do que você…”. Mas até então não tinha passado muito disso, um grauzinho pra cá ou um grauzinho pra lá.
Mas agora, nessa temporada, a situação vai ficar um pouco mais complexa porque outras empresas, que não apenas a Dallara, estão autorizadas a produzir seus próprios pacotes aerodinâmicos. Então, isso trás um elemento novo para a categoria e aumenta o número de alternativas de acerto por parte das equipes, além de aumentar o nível da competição. Se Chevrolet e Honda já se confrontam cotidianamente através de seus motores, as duas montadoras estão trabalhando em pacotes aerodinâmicos específicos.
Esse envolvimento direto das empresas é muito interessante porque reforça ainda mais o compromisso com a categoria. De uma lado, ambas tentam tirar o máximo possível de potência dos seus motores, numa equação onde o “céu” não é o limite. Desde que dentro das normas estabelecidas para o desenvolvimento de pré-temporada, os gênios que contróem essas usinas de força podem tudo, menos comprometer a durabilidade. É aí que entra esse outro flanco de desenvolvimento, pois as criações aerodinâmicas de cada uma delas vai produzir eficiência complementar ao já obtido nos motores.
Tudo isso é super verdade e, no papel, funciona que é uma maravilha. Daí a se transformar em realidade há um vasto campo de trabalho de testes. Testa, muda uma cosinha, testa novamente e por aí vai. É nessa fase que a gente se encontra. Eu já testei o pacote da Chevrolet e devo dizer a vocês que o ganho de downforce foi incrível, mas ainda vamos trabalhar bastante até o início da temporada.
É isso aí, pessoal, forte abraço!
Foto: Castroneves Racing.





