Acompanhe no Carros e Corridas a nova Coluna do Borracha – Por Eduardo Abbas.
Entra ano, sai ano e é a musica é sempre a mesma, somos discriminados, a equipe foi prejudicada, sofremos perseguições e por ai vai. Infelizmente a equipe mais antiga da Fórmula 1 é a que mais chora em relação a títulos perdidos e situações as quais ela mesma se coloca em posição de critica e de discussões éticas com relação à competição.
Nos anos Schumacher, período em que ganhavam tudo por capacidade de seus integrantes, poucas eram as reclamações, pouquíssimos eram os momentos de afirmar estar sendo injustiçado e quase nunca seus métodos pouco ortodoxos eram aceitos como critica, peitavam tudo e todos, faziam valer seus enormes poderes de ser a equipe mais antiga, rica e poderosa.
Não acredito que seja revanchismo, mas a Ferrari de hoje colhe os frutos podres plantados em um passado não tão distante. As manobras, que na época eram consideradas ilegais, como a troca de posições na pista, por exemplo, hoje encontram na lei da FIA o respaldo de poderem acontecer sem maiores problemas, pode até ser chamada de sacanagem oficial e, o que deve dificultar o entendimento dos italianos, é que a regra é para todos e não só pra eles. Não sou contra, muito pelo contrario, acho que time tem que jogar como time, mas quando acontecia não era permitido. Maranello se especializou em procurar burlar a lei, já que não vai na pista tem que encontrar um atalho no livro de regras.
Na semana passada os corneteiros ferraristas encontraram nos seus parceiros espanhóis um dueto para reclamar de uma suposta ultrapassagem ilegal do Vettel, que segundo eles teria sido em bandeira amarela, no GP do Brasil. A imagem da TV oficial mostra que o alemão realmente ultrapassou um retardatário entre um sinal amarelo e um verde, entre eles havia um fiscal acenando a bandeira verde, quando deveria acenar a amarela na verdade, mas estava dentro da regra e foi considerada legal. O Vettel e a Red Bull ganharam o titulo na pista, no braço e na regra, a Ferrari perdeu em todas, inclusive na ética, porque não sai da minha cabeça a quebra do lacre do Felipe em Austin.
Não existe motivo para tanta gritaria, acabou, perdeu, parte pra outra. Tá certo que é um mundo que movimenta bilhões de euros, cada posição no fim do campeonato representa uma montanha de dinheiro a menos nos cofres, mas para uma equipe desse tamanho isso é meio que irrelevante, o nome Ferrari sozinho se encarrega de trazer muito mais caso seja necessário, o que não concordo é com essa coisa de metralhadora giratória antes do natal.
Essa semana, ainda na ressaca do titulo perdido, o presidente da Ferrari, Luca de Montezemolo resolveu atacar o Bernie Ecclestone, chefão da Fórmula 1. Discordar da decisão da FIA de nem acatar a reclamação faz parte, mas ofender um octogenário que tem como mérito fazer de uma corrida de carros o maior espetáculo do planeta e enriquecer muita gente, já passa do aceitável. Por mais senil que o Bernie possa estar, por mais equivocadas que sejam as decisões que ele tome, isso não dá o direito de ninguém fazer ofensas, até mesmo por respeito, e porque seus “enganos” são mais acertos e vira e mexe deixam todos na categoria alguns milhões de euros mais ricos. O que o Luca fez nem parece coisa de italiano, sempre tão ligado à família e as tradições e sempre com respeito aos mais velhos, parece picuinha de menino chorão que quebrou o brinquedo e agora vai a colocar culpa no irmão mais novo, coisa chata e feia.
Deixando o que é triste de lado, quero falar sobre o Autódromo Internacional de Curvelo, em Minas Gerais. Chamado de Cidade Motor, será um complexo sustentável que vai ter mais de 10 pistas para a pratica de Off e On Road para carros e motos. Aliás, esse é o grande interesse dos donos do autódromo, trazer de volta a MotoGP para as pistas da America Latina a partir de 2015 e fazer aquilo que tanto apregôo aqui na coluna: dar condições para novos pilotos surgirem e não deixar o automobilismo nem o motociclismo brasileiro morrerem. É uma iniciativa ótima, é finalmente uma visão menos nebulosa do atual estado de quase morte cerebral que acontece com kart, motos e fórmulas no Brasil, é a uma ação de empresários com vontade de fazer em contrapartida da inércia de se apenas estar na vida para entregar troféus no pódio.
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos & queijos
Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística. Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada, a direção do programa Grid Motor, a produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.
Escreva para o colunista: coluna.site@gmail.com
Acompanhe Eduardo Abbas no Twitter: @borrachatv
*A coluna publicada neste site expressa a opinião de seu autor
Foto: Divulgação.





