Acompanhe no Carros e Corridas a nova Coluna do Borracha – Por Eduardo Abbas.
Um dia acontece. Como os meteoros que atingiram a Rússia na semana passada, grandes empresas e grandes negócios sempre vão passar por crises e descer de seus enormes pedestais. Vimos nos últimos anos a derrocada e a quase falência de varias gigantes de todos os ramos de negócio, vimos a imponente União Soviética se transformar em várias republiquetas, trazendo com ela a mazela dos seus habitantes, deixando expostas feridas muitas vezes sem serem cicatrizadas.

Um dia ia começar a acontecer com a Fórmula 1. No Brasil ela começou a dar sinais de fraqueza quando da morte do Ayrton Senna, recuperou-se no começo do século na era Schumacher, mas agora parece que começa sua curva descendente não só aqui como no mundo todo.
Por aqui a categoria mais importante do automobilismo sobrevive com índices de audiência ainda bem aceitáveis, mas isso não significa que o esporte seja esse sucesso todo. A morte quase que iminente das categorias nacionais de carros e motos não deixa na verdade outra opção para quem gosta de esportes à motor. Dizer que os amantes da velocidade sofrem é uma grande mentira, pois esses são eventuais, são os amores que na verdade se vêem órfãos de outra opção de entretenimento nesse setor.
Por isso o futebol cresce no mundo, por causa disso as maiores verbas publicitárias são voltadas para esse esporte, por isso no agora no Brasil estão construindo mais de uma dezena de estádios, que devem virar monumentos mortos depois de 40 dias de copa do mundo daqui a um ano, aí entendemos porque destruir Jacarepaguá, porque no mundo nos últimos 10 anos não se construiu mais de 10 pistas novas por iniciativa do estado, as poucas que foram feitas aqui e lá fora tem muito mais de dinheiro privado que público.
Só para se ter um exemplo claro disso, na semana passada aconteceram os testes em de inverno da Fórmula 1 e da MOTOGP. O espaço dado para a cobertura dos dois maiores eventos à motor no mundo foi, aqui no Brasil 1/100 da cobertura da folga dos jogadores de futebol para pularem o carnaval. No caso da moto, não houve sequer citação, o máximo foram notas de redação dizendo que estava acontecendo. Já em Jerez, onde a Fórmula 1 treinava a cobertura foi um pouco melhor por motivos óbvios, e mesmo o fato do Felipe Massa ser o mais rápido de todos os treinos não animou ninguém de forma contundente. Fazer o que?
A Fórmula 1 não vai morrer no mundo, isso seria o caos para um segmento de pessoas e empresas a ela ligadas e que vive do glamour que essas corridas proporcionam, além de arrastar bilhões de euros para onde se deslocam, mas vai diminuir, perder espaço, se arrastar por migalhas em horários de televisão ou mesmo espaço em mídia por um fato pra lá de simples: hoje corre quem tem dinheiro, o talento vem depois, e mesmo que não venha não vai fazer falta, hoje em dia basta para alguns pais terem uma foto de seus filhos na parede e dizer a celebre frase “meu filho foi piloto de Fórmula 1”.
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos & queijos
Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística. Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada, a direção do programa Grid Motor, a produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.
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