Ela tem 11 anos, é filha de ex-piloto e carrega o sonho de poder competir no automobilismo assim como fez seu pai nos anos 1970 a 1990.
Fernanda Dourado Macedo é uma apaixonada por carros e, ao contrário de muitas meninas de sua idade, troca as tardes de passeio nos shoppings por horas no kartódromo. Há três semanas seguidas ela é figura fácil de ser vista no Kartódromo Internacional Júlio Ventura, localizado na cidade do Eusébio (CE), onde deu início à concretização de seu sonho.
O primeiro contato com um kart foi no colo de seu pai quando tinha seis anos de idade e Fernando Macedo deu algumas voltas com sua filha. Daquele contato, o envolvimento com o mundo fascinante dos motores e rodas foi tomando conta do imaginário da criança e ganhando espaço em sua vida.
“Eu acho que peguei esse gosto do meu pai. Não o acompanhei correndo, mas vi as fotos e ouvi muitas histórias do tempo em que ele correu com o Ayrton Senna”, disse.
A menina, em seu primeiro contato com a pista, mostrou que tem potencial. No último sábado (15) ela chegou a andar na frente de outros pilotos amadores mais experientes, e quando foi ultrapassada conseguiu recuperar a posição.
“Eu fiquei chateada quando perdi a posição. Sei que é um treino, mas é por isso que estou aqui, para aprender a andar, então eu precisava ultrapassar pois vou ter que fazer isso quando começar a competir oficialmente”, disse Fernanda em meio a um largo sorriso.
Quem também não tirava o sorriso do rosto era Fernando Macedo. Ciente de que tudo está começando, ninguém mais que ele sabe o quanto sua filha terá de superar obstáculos para correr, e o primeiro deles será em casa, já que sua mãe ainda não aceitou bem a ideia de ver a filha andando no meio dos marmanjos.
“Eu não forcei nada. Ela quem quis correr, ela que me pediu para levá-la ao kart pela primeira vez. Tudo tem seu tempo, e estou dando espaço para isso, Hoje ela foi mais atirada, andou mais forte, segurou a posição, ultrapassou, mas ainda é o começo”, disse.
Fernando Macêdo, aos 58 anos, foi o primeiro cearense a se aventurar nas pistas da Europa. Após ter iniciado sua vida nas pistas escondido da família, correu de Kart, Fusca, Fiat 143, Divisão 3 (Maverick) Fórmula Ford, e Fórmula Três.
Sua paixão pelos carros começou em casa quando disputava corrida de autorama com os primos. Depois começou a construir carros de rolimã, comprou um kart em 1975 e, mesmo sem pista, andava nos espaços livres de sua casa em estacionamentos.
No Automobilismo Cearense foi companheiro de Equipe de Aloísio de Castro, e foi tentar a sorte na Europa como forma de saber até onde iria. Chegou na Europa com o dinheiro de sua mesada, dividira a prestação da passagem comprando-a em uma agência de viagem de um amigo e, com a cara e a coragem, desembarcou num mundo desconhecido.
Fernando foi piloto da equipe Royale e em 1981 disputou 12 das 16 provas do Campeonato Britânico de Fórmula Ford, vencido por Ayrton Senna, então piloto da Van Diemen. Em 1982 disputou algumas provas da Fórmula Três Britânica pela equipe de Eddie Jordan, mas a falta de apoio o fez encerrar a carreira no velho mundo (Aguarde matéria especial sobre a trajetória do piloto).
Hoje Fernando vê em sua filha Fernanda a possibilidade de continuar o legado que ele começou nos anos 1970.
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Texto e Fotos: Robério Lessa.
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