Acompanhe no Carros e Corridas mais uma Coluna Velocidade escrita pelo jornalista Robério Lessa.
Foi no dia 28 de abril deste ano, no Autódromo Internacional de Curitiba (PR), que conheci um garoto com cara de anjo. Cabelos loiros, olhos azuis e um sorriso cravejado por um aparelho ortodôntico.
Aquele menino “danado”, como se diz por essas bandas de cá do Brasil (sou do Ceará), não parava um minuto até a chegada do maior piloto que este país já viu nas pistas o chamar para uma conversa junto com os outros integrantes de sua equipe.
O piloto que me refiro é claro que não seria outra pessoa se não Alexandre Barros, hoje com a missão de descobrir novos talentos para representar as “terras brasilis” pelas pistas deste mundão.
Diogo Moreira, ou simplesmente Dioguinho nem piscava diante do “chefe” e, após mais algumas palavras de seu pai Luis Nascimento, montou na moto azul número 20 e, mesmo sem tocar direito no chão, partiu para sua primeira volta em treino oficial da temporada de 2015 do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade, o Moto 1000 GP.
Depois de ter ganho tudo o que podia no motocross, o jovem piloto, aos 11 anos de idade, ingressava na aventura das motos em pista de asfalto respaldado por Alexandre Barros que não se incomodou com os primeiros tempos marcados pelo novo pupilo.
Quando ouvimos dizer que um diamante bruto não encanta, poucos sabemos realmente como é uma pedra antes da lapidação e apenas os olhos de um especialista pode mensurar o valor real que ela pode alcançar após trabalhada.
O diamante, ou melhor, o piloto, não precisou nem mesmo de metade da temporada, e, já na terceira corrida do ano, em Goiânia, no dia 28 de junho, terminou na quarta colocação, a mesma da quinta etapa, novamente em Curitiba.
Hoje, Diogo já anda entre os cinco primeiros em uma moto que ainda é um “trombolho” para o corpo de criança que ainda vai dar uma “esticada”. Sem em abril ele largava na última posição do grid sendo auxiliado por uma pessoa para que a moto não tombasse, neste domingo (29), de volta à pista do Autódromo Internacional de Curitiba, a ponta de seus pés já lhe dão equilíbrio suficiente para largar sozinho da segunda fila, ao lado de seu companheiro de equipe, o cearense José Duarte.
Diogo fez o tempo de 1min 43,772, na mesma casa de pilotos com maior experiência como os irmãos Kawakami, Rafael Traldi, Guilherme Brito e o Duarte.
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“Ele é diferenciado”. Essa frase com três palavras não é difícil de ser ouvida quando se coloca o tema Diogo Moreira Nascimento na discussão.
Hoje a semente do motociclismo está plantada e uma próxima safra será colhida. Os passos Antônio Jorge Neto, Alex Barros e Eric Granado, para citar apenas três pilotos que se aventuram a representar o Brasil lá fora, passam a ser seguidos por vários garotos sonhadores, alguns deles contando apenas com o talento que Deus lhes deu e a abnegação de toda a família para que um dia o sonho se torne real.
Diogo começou cedo, aos seis anos de idade, e hoje sabe que terá de abdicar de muita coisa para chegar onde deseja. No Motocross, o vitorioso aluno de Rodney Smith tem hoje outro grande professor, e um número grande de pessoas torcendo para que em seu boletim só haja registro para notas 10!
Escrevo sobre a promessa por entender que reside em nossos sonhos um futuro melhor. E este, como diria o poeta, é um sonho que se sonha junto, um sonho coletivo carregado de muita energia positiva para ver esse menino com cara de anjo levantar nossa bandeira no topo do pódio mundo afora.
Acelera Dioguinho!
Texto: Robério Lessa
Fotos: Robério Lessa e Sampa Fotos.
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