Acompanhe agora no Carros e Corridas mais uma coluna Velocidade Cearense do jornalista Robério Lessa
Foi um dia movimentado no Autódromo Internacional Virgílio Távora que recebeu neste domingo (23) a quinta etapa do Campeonato Cearense de Automobilismo.
Inicio esta coluna falando de um item vital para a realização de corridas de automóvel, a segurança.
Na segunda volta da segunda bateria da categoria Protótipo os pilotos Minho Pimentel e Alexandre Roncy disputavam a ponta. Alexandre defendia a posição quando foi tocado por Minho. Os dois saíram para a área de escape da Curva do Viaduto e, na volta (os dois erraram ao voltar à pista da forma como fizeram naquele momento) Minho passou Alexandre, que acabou sendo tocado por Tibúrcio Frota e rodou na frente de Lulinha Silveira que, sem chances de evasiva, acabou colhendo com seu CTM 49 o Spirit número três de forma violenta e cinematográfica. O choque foi duro e os carros seguiram para lados diferentes da pista.
O primeiro dos quatro carros da equipe de resgate chegou em menos de 30 segundos, dado a proximidade do local e a extrema perícia da equipe envolvida. Em poucos minutos vimos Alexandre e Lulinha saírem dos seus carros e acenarem para a torcida demonstrando que nada os acontecera.
Aqui eu faço questão de lembrar o que me relatara o engenheiro, piloto e colunista do site Nobres do Grid, Flávio Pinheiro. “Aqui no Ceará vocês fazem carros com qualidade para não ficar atrás de nenhum outro produzido no Brasil. Os carros (Fórmula V e CTM) têm boa estrutura e muita segurança…”. Recordo muito bem daquelas palavras quando, em 2010, jantamos na temakeria Yap com Alexandre Roncy e o saudoso Pedro Virgínio, os construtores dos respectivos carros de corrida.
O Flávio havia gostado da qualidade da estrutura empregada e da preocupação com a segurança. O Formula V recebeu mais reforço ainda para ganhar a carenagem que hoje o transformou no Spirit e, nesta corrida, ficou patente o quanto ele e o CTM são seguros.
Alexandre vai ter que construir outro carro porque os danos no chassi não podem, e nem devem, ser reparados, mas o espaço da chamada célula de sobrevivência, o habitáculo do piloto, não fora afetado. Igual realidade fora confirmada também no CTM de Lulinha.
Carro de corrida não é brincadeira para amadores. A responsabilidade que pesa nas costas de quem os projeta é posta em prova nesses momentos e os dois modelos comprovaram o que a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) já havia comprovado quando da homologação deles para as competições.
O choque entre os carros é coisa que pode acontecer em corrida, contudo, o respeito às normas de segurança na construção dos carros e o preparo dos profissionais de socorro em casos de acidente são condições sine qua non para a prática desta atividade.
Pai de Piloto: Lula Silveira, pai de Lulinha, deve optar por trocar de categoria para dar continuidade à carreira promissora de mais um herdeiro nas pistas. Falei com o veterano piloto e ele disse que foi difícil ver o acidente, mas que ficou muito aliviado ao ver o filho sair do carro sem um arranhão. Lula, que brilhou na pista cearense, vive o outro lado da carreira, chefiando a equipe que tem seus filhos Julyano e Lulinha e deverá perder mais alguns fios de cabelo ao longo das corridas que os dois disputarem.
Encheu os olhos de todos a corrida do piloto Robertinho Vieira. Aos 26 anos de idade, o maranhense que só andara de Kart estreou na pista cearense neste domingo. Era a primeira vez que Robertinho guiava um carro da Spirit em competições oficiais e o resultado não poderia ser melhor. Acima de qualquer prognóstico otimista, o representante maranhense levou para casa o troféu de vencedor da quinta etapa do Cearense de Automobilismo.
O bom trabalho realizado pela equipe, comandada pelo piloto Ene Pires e coordenada pelo preparador Juquinha, um veterano no automobilismo cearense, foi recompensada com um verdadeiro show do jovem piloto que mostra talento e se credencia para uma forte temporada em 2013.
Robertinho é a promessa de que no ano que vem seja o “ano da Spirit”. Pena que o piloto Marcus Vinícius, o Kinho, não tenha participado desta etapa, pois seria interessante ver como se comportaria diante o estreante que não se intimidou em brigar por posições com os mais experientes.
E por falar em piloto que não foi correr…. É de cortar o coração de quem é apaixonado e acredita no automobilismo cearense ver uma categoria se desmantelar de um ano para outro.
Sei que vou desagradar algumas pessoas, mas não posso me quedar em falar o quanto é feio e até desrespeitoso ver todo um esforço da Federação Cearense de Automobilismo, do Governo do Estado do Ceará, e de empresários que acreditam no esporte, ao ver no grid apenas QUATRO carros da Superturismo.
Uma categoria que sempre se mostrou grande pela união de seus pilotos, desde os tempos do Corsa e depois que fizeram o ST (Projeto de Pedro Virgínio com a parceria Airton Vasconcelos). A categoria já colocou na pista 32 carros na pista, e hoje não consegue superar as diferenças internas e se unir com os Spirit para aproveitarem a transmissão da TV Diário como uma janela para os anunciantes.
Claro que tem uma conta e tem quem pague essa conta, por isso mesmo que a Superturismo deveria vir nesse momento em que tem uma hora de transmissão, ao vivo, para compor a disputa. Lamento, mas a Superturismo está perdendo o bonde da história.
Lugar de carro de corrida é na pista.
Sei que há uma movimentação se iniciando, mas antes de 2013, a categoria deveria, ao menos fechar o ano com a mesma quantidade de carros da Spirit, que faz neste ano o primeiro campeonato de sua história.
Até a próxima!






