Em um domingo cinza em que boa parte do grid lembrava em seus carros e capacetes a campanha Outubro Rosa, por exames preventivos e diagnóstico precoce de câncer de mama, que é divulgada nacionalmente, as duas corridas da décima etapa do Circuito Schin Stock Car em Curitiba, no Paraná, foram vencidas por carros amarelos. Lucas Foresti, da AMG Motorsport, e Max Wilson, da Eurofarma-RC, foram os dois vencedores do final de semana em duas corridas movimentadíssimas.
Quem saiu de Curitiba no lucro foi o líder do campeonato, Marcos Gomes. O piloto da Voxx Racing, que largou da pole position, foi acertado antes da primeira curva e ficou de fora da bateria. Recolheu o carro aos boxes para que a equipe fizesse os reparos, e voltou no final para poder alinhar no grid da segunda. Era uma grande oportunidade para Cacá Bueno, mas o pentacampeão da Red Bull também sofreu com percalços e completou apenas em 13º lugar.
Na segunda bateria, uma inversão. Bueno sofreu outro revés e teve de abandonar a corrida, enquanto Gomes subia de posições e terminava em quarto lugar. Assim, a diferença que era de 24 pontos subiu para 27: 220 a 183 em favor de Gomes.
“A cada dia o automobilismo me surpreende mais”, aprendeu Marcos. “Fiz uma péssima largada, ficou aquela confusão, aquele strike todo e o carro ficou bem avariado. Nos boxes a equipe fez um trabalho incrível ao trocar um canto inteiro do carro, voltei à primeira bateria com o volante desalinhado e decidimos largar assim. Deu certo e tudo que tive de azar na primeira prova virou sorte na segunda. Teve outro strike na minha frente, passei raspando. Botaram bastante olho gordo na gente, mas o nosso santo está forte. Mesmo com o carro torto eu consegui acompanhar o pessoal, eu tinha bastante botões de ultrapassagem e no final alguns carros ainda tiveram problema de falta de combustível. Aumentamos em mais três pontos a diferença para o Cacá, então foi perfeito”, resumiu.
Gomes largou mal na primeira bateria, mas quem largou muito bem foi Átila Abreu, que saltou da quarta para a primeira posição, seguido de Thiago Camilo, Allam Khodair e Lucas Foresti. O drama da parte inicial da corrida passou a ser a sinalização para o carro de Átila para que fosse aos boxes verificar as luzes de freio, que não acendiam. Pelo regulamento da competição, as luzes de freio devem funcionar normalmente.
O piloto do carro 51 tentou esperar a abertura da janela de pit stops, que acontecia somente na 20ª volta. Mas como o primeiro aviso veio no 16º giro, ele foi desclassificado com a bandeira preta, pois o aviso deveria ter sido cumprido em no máximo três voltas. Restava à AMG buscar a vitória então com o carro 12, de Lucas Foresti.
Em terceiro, acossado por Ricardo Maurício, o trunfo passava a ser a estratégia. Enquanto todos paravam para abastecer e trocar o pneu traseiro esquerdo ou os dois do mesmo lado, a opção da AMG Motorsport foi a mais rápida possível, trocar o pneu traseiro direito, do mesmo lado onde era feito o abastecimento. Assim, Foresti conseguiu sair à frente de Khodair nos boxes e voltar à pista em primeiro lugar, de onde não saiu mais até a bandeirada final.
“Meu trabalho mesmo era priorizar a primeira corrida. O que viesse na segunda seria lucro”, apontou Lucas, que venceu pela primeira vez na principal categoria do automobilismo brasileiro. “A equipe fez um trabalho tão bom no pit stop, com uma estratégia tão correta, que deu certo. Trabalhamos bastante para isso, ousamos. Foi um alívio gigantesco. Minha primeira vitória, a primeira da equipe nesse ano… Foi muito bom. Significou muito para a equipe, que está de parabéns”, contou o brasiliense que corre pela equipe sediada em Americana, São Paulo.
Allam Khodair, em segundo, e Ricardo Maurício em terceiro subiram ao pódio da bateria, enquanto Luciano Burti, Vitor Genz, Thiago Camilo, Rafael Suzuki, Gabriel Casagrande, Tuka Rocha e Denis Navarro fecharam os dez primeiros que largaram em ordem invertida para a segunda corrida.
A largada, teve um toque de confusão. Rafael Suzuki chegou a apontar para a primeira curva ocupando a liderança, mas o piloto da RZ Motorsports não conseguiu fazer o contorno e passou reto, assim como outros que vinham atrás. No retorno à pista, o carro de Cacá Bueno foi atingido, assim como o de Valdeno Brito e Bia Figueiredo, causando o final da corrida para eles.
A liderança passava para as mãos de Khodair, mas a preocupação tanto dele como de seu companheiro de equipe Rubens Barrichello, em quarto àquela altura, era economizar combustível. Max Wilson, que havia largado dos boxes na primeira prova por causa de um problema na direção hidráulica, aparecia em segundo e atacava o piloto da Full Time e tomou a liderança.
Ricardo Maurício fez o mesmo passando Thiago Camilo e também Khodair. Os carros da Voxx Racing, com Marcos Gomes e Felipe Fraga, se aproximavam do grupo da frente e se aproveitaram da falta de combustível dos dois carros da Full Time Barrichello, que ainda deu sorte e conseguiu cruzar a linha de chegada em sexto, ao passo que Khodair concluiu apenas em 22º lugar.
Na bandeirada, dobradinha da equipe de Rosinei Campos, que dominou o pódio em terceiro com a Ipiranga-RCM, também de Campos, Thiago Camilo somou 27 pontos e subiu à terceira posição no campeonato.
Com contratos renovados, Max Wilson e Ricardo Maurício foram os primeiros a receber a bandeirada quadriculada e comemoraram juntos na chegada ao pódio. Foi a segunda vitória de Wilson, campeão de 2010, no ano.
“Larguei dos boxes e vi que na primeira largada alguns pilotos ficaram de fora. Meu carro estava muito bom, eu estava em décimo na penúltima volta, que lhe colocaria na pole para a segunda prova, e na final o Denis me passou e tive que largar em 11º lugar”, lembrou o vencedor.
“A segunda corrida foi muito boa para mim, mas foi uma daquelas largadas que não achei das mais justas. Alguns pilotos foram em um embalo muito forte e tivemos acidentes nas duas provas. Da minha parte eu fiquei marcando o Khodair, tentando atacar, me defendendo do Thiago. Acho que o Khodair não esperava, e o passei na reta oposta. Passei, apertei o ritmo para manter distância boa e no final tanto eu como o Ricardo tiramos o pé para economizar combustível e chegamos nessa dobradinha mais uma vez”, afirmou.
A penúltima etapa do Circuito Schin Stock Car acontece no dia oito de novembro no veloz circuito de Tarumã, na cidade de Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Texto e fotos: Dep. de Comunicação Vicar
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