O site Carros e Corridas publica mais uma de suas entrevistas exclusivas. Você vai conhecer mais sobre o piloto sorocabano Fábio Fogaça. Nascido em 1991, este sorocabano é herdeiro do ex-piloto, e hoje chefe de equipe, Djalma Fogaça.
Mostrando muita maturidade e segurança em suas respostas, Fábio Fogaça falou ao site Carros e Corridas sobre muitos temas que alguns pilotos não gostam de opinar.
Fábio iniciou no kart em 1997, aos seis anos de idade, os títulos de campeão paulista da categoria Light de Fórmula-250 e do Campeonato Aldeia da Serra de RD135. Estreou no automobilismo em 2007, mas abandonou a temporada e regressou em 2008 na Stock Jr. conquistando o título em 2009. Após passar pela Top Race argentina, disputa hoje o Brasileiro de Marcas e revela, nessa entrevista exclusiva, o seu interesse em permanecer na categoria recém-criada.
Acompanhe a entrevista de Fábio Fogaça ao jornalista Robério Lessa:
Carros e Corridas – Gostaria de começar nossa entrevista de forma diferente. Antes de você falar sobre sua carreira gostaria que você comentasse sobre um tema que tem preocupado muita gente que é a segurança dos pilotos. Enquanto alguns fazem do tema uma oportunidade de aparecer, os pilotos mostram pouca união para exigirem mais segurança nas pistas. Você acha que é possível melhorar a segurança nas corridas brasileiras? Quais são os pontos mais fracos?
Fábio Fogaça – Eu acredito que segurança é um tema que está na cabeça de todos os pilotos, mas muitas vezes é deixado de lado pelo fato da competição falar mais alto. O que parte dos pilotos pensam é em vencer a qualquer custo, por isso a segurança é deixada de lado.Isso é muito comum, até no meu caso, quando eu entro em um carro a ultima coisa que eu penso é que pode acontecer um acidente fatal.É claro que há espaços para muitas melhorias, acho que já tem pilotos se mobilizando para isso, mas as decisões finais ficam por conta da CBA. Eu penso que teriam que reformar alguns autódromos, aumentar as áreas de segurança para quando o piloto sair da pista, e o mais importante, punir os pilotos que fazem manobras consideradas “perigosas”. Punir , que eu falo não é aplicar uma multa, por que muitos pilotos não vivem disso e são ricos, isso não muda absolutamente nada.O mais correto é aplicar uma punição em meses,onde o piloto não poderia pilotar nesse período.
Carros e Corridas – Com sua experiência na Argentina, no Brasil o piloto corre com menos riscos?
Fábio Fogaça – Sem duvidas, eu sempre falo disso, quem reclama dos autódromos do Brasil não sabe o que se passa na Argentina, e o mais estranho é que mesmo assim o automobilismo argentino é bem mais forte. Mas não podemos usar esse pensamento de que está ruim, mas tem piores.Temos que melhorar nossa estrutura independente dos outros países.
Carros e Corridas – Você foi campeão da Stock Jr. e provou para muita gente que está no automobilismo porque gosta do que faz e não porque é filho do Djalma Fogaça. Como é ser piloto e filho do Fogaça? A cobrança é maior dentro das pistas? Até que ponto isso ajuda ou atrapalha?
Fábio Fogaça – Realmente acho que já dei algumas provas de que não estou no automobilismo apenas pelo meu pai, sobrenome não ganha corrida. Claro que isso me ajuda pelo fato de eu ter um grande conselheiro dentro de casa, e, além disso, eu querendo ou não acabo sendo mais reconhecido. A cobrança das outras pessoas não influi muito no meu trabalho, mas existe sim. Muitas vezes eu sou o que mais me cobro, tenho certeza que muita gente já me viu subindo ao pódio com cara amarrada, e quando isso acontece significa que eu esperava vencer. Quando vou mal em um treino o meu dia se torna muito ruim, eu me ponho muito pra baixo, isso acaba nem me fazendo bem, mas é meu jeito. A cobrança me ajuda sim,nunca é bom você estar acomodado,tem que aprender e melhorar sempre.
Carros e Corridas – Você chegou a fazer uma temporada na Pick Up Racing (Hoje Copa Montana), mas após o título da Stock Jr. você foi competir na Argentina, na Top Race. Quanto tempo você pretende passar no automobilismo daquele país? Sua ida para a Argentina tem haver com os custos elevados no Brasil para se ter um equipamento competitivo e não entrar para o grid só para fazer número?
Fábio Fogaça – Na realidade eu fiz poucas etapas na Pick-up, e o que pesou muito na minha ida pra Argentina foi a parte financeira, lá o preço é muito mais baixo, e eu disputava as corridas com pilotos consagrados na Argentina, entre eles Pechito Lopez, Pato Silva, Noberto Fontana. Isso foi fundamental para meu aprendizado,já que esses pilotos são de alto nível. Acho que minha passagem pela Argentina por enquanto foi finalizada, estou em uma fase legal no Brasileiro de Marcas, e pretendo fazer meu nome aqui. Na Argentina também peguei equipamentos que não eram muito competitivos,mas foi bom, é muito fácil você andar bem no equipamento bom, é bom sofrer um pouco para aprender também, mas isso não pesou muito na minha escolha.
Carros e Corridas – Qual a maior dificuldade que você encontrou na Top Race?
Fábio Fogaça – A maior dificuldade foi o estilo do carro e as pistas. O carro é muito complicado para pilotar, é muito manhoso. Além disso, a grande maioria dos pilotos andavam em três categorias, ou seja, tinham corrida todos os finais de semana e, eu ia apenas uma vez por mês, e não treinava nada, era uma disputa “desleal”. Outra coisa que me prejudicou foi o fato de não conhecer nenhum traçado.
Carros e Corridas – O que passou pela tua cabeça quando, na prova de estreia na Top Race seu Mondeo pegou fogo quando ocupava a 27ª. posição entre os 41 pilotos?
Fábio Fogaça – Na realidade aquela situação foi terrível, eu tive muita dificuldade para abrir a porta, e quando vi o fogo aumentar fiquei muito desesperado, na hora pensava apenas que poderia ficar cego se ficasse muito tempo no carro, e isso me traumatizou um pouco no inicio.
Carros e Corridas – Você hoje esta atuando no Brasileiro de Marcas. Quais as perspectivas que você apontaria para esta competição?
Fábio Fogaça – Eu acho que essa competição tem tudo para crescer muito em poucos anos, a categoria é muito interessante, a forma de disputa cria uma grande rivalidade. Além disso,os carros são como carros de rua,o que aumenta muito o apelo com o publico,as pessoas poderão ir torcer pelo seu próprio carro,ou pela sua marca.Eu espero que em pouco tempo a categoria possa ser bem recebida pelo publico e com isso se tornar a maior do país.
Carros e Corridas – Fala sobre o início de sua carreira. Como e porque você decidiu entrar para esse mundo das competições automotivas?
Fábio Fogaça – Toda criança no inicio sonha em seguir os passos do pai, e comigo não era diferente, eu sempre tive vontade de correr. A primeira vez que eu andei de kart foi com sete anos, em Itu, e já virei bem de cara,eu gostei muito também. Nessa época meu pai não tinha condições financeiras para me bancar no kart, e, além disso, ele acredita que é um erro colocar crianças dessa idade para pilotar, pois além de perder a infância, nem tem estrutura física e mental para isso. Comecei pra valer com 13 anos, sempre correndo com karts de marcha(RD), pois era o mais em conta. Esse tipo de kart é muito descriminado no meio, mas eu acredito que esse kart é muito melhor para quem quer aprender. Além disso, é uma bobeira ficar investindo muito dinheiro em kart, a não ser que você queira ser kartista e viver disso pro resto da vida.
Carros e Corridas – Embora tenha tido o contato com o Kart aos seis anos de idade, você só participou de campeonatos de forma regular a partir dos 13 anos. Esse meio tempo te motivou mais ainda? Ou você chegou a pensar em desistir?
Fábio Fogaça – Nunca pensei em desistir, mas eu sempre fui muito conformado com essas coisas, se não tivesse condições eu ia fazer o que? Insistir pro meu pai investir até fazer quebrar? Eu sempre fui realista, e continuo sendo. Se amanhã eu não tiver condições eu paro e volto quando for possível.
Carros e Corridas – Fala sobre tua primeira vitória no Kart? Qual foi a sensação de chegar na frente de todos os outros pilotos? E nos teus títulos no Campeonato Paulista Light de F-250 e do Campeonato Aldeia da Serra de RD135?
Fábio Fogaça – Rapaz, e se eu te falar que eu não lembro da minha primeira vitória no kart? Na realidade eu não sou muito ligado a títulos e feitos no kart, eu ganhei a maioria dos títulos que disputei, mas não acho isso muito importante. Acho que o carro é totalmente diferente do kart, você vê ótimos pilotos de kart não andarem bem de carro. E meu negócio sempre foi visando as disputas de carro. Mesmo assim eu gosto muito de andar de kart, principalmente em corridas de longa duração. Os títulos de RD e F-250 foram importantes para dar confiança para fazer a transição do kart para o carro, pois deu muita confiança.
Carros e Corridas – Com 16 anos você estreou na Stock Jr. Na segunda corrida já fez a pole. Foi aí que você viu que não poderia mais deixar de seguir a carreira como piloto?
Fábio Fogaça – Eu sempre confiei muito em mim. Eu já acreditava que eu era capaz seguir carreira mesmo antes da Stock Jr. Claro que os resultados fazem a motivação aumentar muito, então fazer a pole logo na segunda corrida foi muito bom. A vitória demorou um pouco mais para sair, mas foi uma linda vitória, não me canso de ver os vídeos até hoje.
Carros e Corridas – Qual o grande sonho do piloto Fábio Fogaça?
Fábio Fogaça – O grande sonho do piloto Fabio Fogaça é viver do automobilismo, poder construir e sustentar uma família com isso, e ser feliz fazendo o que eu gosto.
Carros e Corridas – Você acredita que os brasileiros começaram a entender que corrida de carro não é somente Fórmula Um?
Fábio Fogaça – Não vejo muita mudança nisso. Quem gosta de automobilismo sempre acompanha as outras categorias, mas pra quem não sabe muito a respeito só existe a Fórmula Um. Isso é normal, o que pode estar acontecendo é um aumento de pessoas que gostam de corridas.
Carros e Corridas – Por falar em Fórmula Um… Você acha que o Hamilton está exagerando ou quem diz isso não consegue compreender o que é uma corrida?
Fábio Fogaça – Quem sou eu pra julgar um piloto como o Hamilton né? Mas já que me perguntou, acredito que ele as vezes passa da conta, mas é o estilo dele. Os pilotos da Fórmula Um reclamam muito, corrida não é desfile de carro! Corrida é disputa!
Carros e Corridas – Onde você quer estar em 2012?
Fábio Fogaça – Ainda está tudo em aberto. Quero estar onde eu tenha mais vantagens. Gostaria muito de continuar trabalhando com a equipe Officer ProGp. Criei um carinho muito grande pelo pessoal da equipe.
Carros e Corridas – Quando você erra na pista toma bronca do “Fogação”? Todo pai quer o melhor para o filho e ele sabe muito as artimanhas do esporte. Ele te cobra muito? Qual o lado bom e ruim de ser filho do Djalma?
Fábio Fogaça – Rapaz! Bota bronca nisso! (risos). Quem conhece o velho Fogação sabe muito bem o seu estilo badboy (risos). Ele não leva desaforo pra casa, e não alivia em nada por ser meu pai. Definitivamente ele é realista, não é aquele pai que acha que o filho é o novo Ayrton Senna. No começo ele me corrigia muito, e era muito duro. Isso me incomodava um pouco, pois somos muito diferentes, mas com o passar dos anos ele foi ficando mais calmo, e agora não fala praticamente nesse sentido, o grande problema é que ele muitas vezes entrega sua insatisfação com uma cara muito amarrada (risos). Brincadeiras à parte é fantástico ser filho dele! Contar com os conselhos que ele sempre me deu, e ter ele me apoiando em tudo! Eu dei muita sorte nisso. Ele é um cara fantástico, um batalhador.
Carros e Corridas – Você se arrepende de algo que fez em sua carreira? O que considera seu maior erro?
Fábio Fogaça – Não me arrependo muito não! Sempre penso pra frente. Se hoje não deu certo, amanhã já é outro dia.
Carros e Corridas – Qual a sua maior conquista? Que momento você terá sempre na sua memória?
Fábio Fogaça – Minha maior conquista foi o título da Stock Jr. Não tenho nem palavras pra descrever como eu pilotei naquele ano. Eu dei meu máximo em todos os momentos, não aliviava o pé por nada. Guiava sempre pra ganhar, e isso tornava minhas corridas muito bonitas. O grande problema é que dessa maneira você comete erros, e eu acabei quase perdendo um campeonato ganho por querer sempre andar no limite. Hoje sou um piloto muito mais conservador e maduro. Mesmo assim é muito legal ver uma guiada agressiva sempre!
Carros e Corridas – Há receita para ser um bom piloto?
Fábio Fogaça – Para ser um bom piloto a receita necessária é apenas treinar, o grande problema é que chega a um certo nível na carreira em que você só disputa com bons pilotos. Então existem os pilotos que são acima da média, para isso além de ter talento, você tem que estar muito focado no que faz, e contar com a sorte também. Ou seja, ser apenas bem treinado não basta.
Carros e Corridas – Que conselho você daria para quem quer seguir essa carreira?
Fábio Fogaça – Meu conselho é para que a pessoa nunca desista do sonho. Tem que correr atrás e batalhar muito,a coisa mais comum é encontrar grandes dificuldades,outra fato é que você sempre perde muito mais corridas do que ganha.O importante é encontrar a felicidade onde for, e ter sempre um plano B em mente, pois o automobilismo muitas vezes deixa bons pilotos na mão.
Fotos: Arquivo do piloto, Vanderlei Soares, Fernanda Freixosa e Duda Bairros.




