Acompanhe mais uma coluna No Mundo do Lua, com o jornalista Carlos Mauro Cintra, o Lua.
A estratégia é um fator real nos rallys-raid. O medo de cair em uma “dinâmica de ioiô” (vai lá em cima em um dia e cai lá embaixo no outro) é uma das coisas que mantém os pilotos de elite acordados à noite, especialmente quando chega a hora de apostar tudo pelo título. Tosha Schareina, no entanto, deu um show de ousadia ontem e hoje para conquistar vitórias consecutivas. Pilotos do Dakar capazes de vencer largando na frente são raros. O espanhol fez isso com uma performance avassaladora, ficando sozinho na liderança por metade dos 417 km da especial até sua quarta vitória de etapa no evento.

Dois dias de paisagens inacreditáveis!
Schareina assumiu a liderança geral, embora Ricky Brabec esteja no mesmo segundo. Os dois líderes da Monster Energy Honda HRC estão empatados após cinco dias de corrida. O espanhol detém a ponta graças ao melhor desempenho na etapa de hoje.
Skyler Howes, apenas 10 segundos atrás, completou o 1-2-3 da Honda e reforçou a força da marca japonesa. Do outro lado, Adrien Van Beveren perdeu mais 5 minutos e agora está na beira do top 10, a 27′24″ de Schareina.
Enquanto isso, a Red Bull KTM Factory Racing está esperando o momento certo. Daniel Sanders, quinto a 2′37″, e Edgar Canet, oitavo a 3′49″, continuam na briga pelo geral, especialmente o australiano, que está apenas 1′24″ atrás de Schareina e Brabec e terá uma posição de largada mais favorável amanhã.
Na classe Rally2, os dois primeiros colocados despencaram na luta pelo título. Uma roda quebrada impediu Michael Docherty de chegar ao bivouac-refúgio. Ele vai levar uma penalidade pesada. Já Martim Ventura perdeu quase duas horas por problemas mecânicos. Um pódio agora é improvável. A má sorte deles beneficiou o estreante no Dakar Preston Campbell, filho do pioneiro americano Johnny Campbell, que agora lidera a categoria. Por fim, Neels Theric abriu sua conta pessoal com uma vitória de etapa, a primeira também para a fabricante chinesa Kove.

O sul-africano Henk Lategan de Toyota dominou de forma absoluta e lidera na Classificação-Geral
Ainda é cedo, mas Henk Lategan pode ter dado o primeiro passo rumo à glória. No ano passado, ele travou um duelo de alto risco com Yazeed Al Rajhi até falhar perto da linha de chegada. O sul-africano, sabendo que o Dakar é uma fera indomável, decidiu jogar a cautela fora para quebrar o ciclo vicioso de furos (nove nos três primeiros dias). No final, a sorte sorriu para o ousado, com Lategan levando sua Toyota Hilux à quinta vitória de etapa na carreira no Dakar, abrindo mais de sete minutos sobre Nasser Al Attiyah e assumindo a liderança geral por 3′55″ sobre o catariano.
Largando em 23º às 8:50 e marcando o melhor tempo com boa margem sobre os rivais, Henk Lategan ultrapassou nada menos que onze veículos na pista. Essa estatística impressionante destaca a performance do sul-africano em busca de sua quinta vitória no Dakar.

Nasser Al-Attyia com o seu Dacia Sandriders vem em 2o na geral
Explicando as pedras
Os últimos dois dias mostraram uma preocupação constante com o terreno rochoso causando tantos furos nos pensu. As pedras não são só grandes, mas algumas são finas e, ao quebrarem, espalham fragmentos pequenos (verdadeiros estilhaços pontiagudos e perfurantes) que causam os furos. Principalmente nos carros 4×4, onde as rodas dianteiras de tração jogam esses fragmentos de pedra a alta velocidade contra os pneus traseiros. Por isso a maioria dos furos é do tipo rasgo e começa exatamente nas laterais dos pneus! Isso é tão real que um 4×2 (sem sofrer furos) ficou entre os top 6 na pior etapa deste ano. Vale a pena refletir sobre isso!

O patriarca Marek Goczal vem de lado para ficar em 3o hoje com seu filho em 4o e seu irmão em 6o!
É coisa de família
Mais atrás, o clã Goczał, da Polônia, veio com tudo: o pai Marek em terceiro a 14′15″, o filho Eryk em quarto a 17′36″ e o tio Michał em sexto a 19′53″.
Os poloneses vão adorar ter cercado Sébastien Loeb, quinto a 17′54″. As coisas estão começando a se encaixar para o francês, agora oitavo no geral a 20 minutos, mas ele certamente tem habilidade para virar o jogo.
As Toyotas e Dacias estão no topo da classificação, mas as Ford Raptors continuam próximas após o destaque de ontem. O americano Mitch Guthrie teve um dia ruim na frente, perdendo quase 44 minutos, mas Mattias Ekström, terceiro a 13′, e Carlos Sainz, quarto a 15′53″, estão em ótima posição para a segunda metade da etapa maratona-refúgio, que vão começar em 12º e 13º.
Foi o fim da linha para o atual campeão da classe Ultimate, que já vinha com desempenho discreto desde o início de um Dakar com dúvidas sobre sua forma. No final as pedras acabaram com Yazeed Al Rajhi: sua Toyota Hilux parou no km 234, após três furos de oneus! O saudita pode voltar após a etapa maratona-refúgio, mas sem chances de brigar pelo pódio.

Lucas Moraes perdido na imensidão cênica e em 14o na geral
Curiosidade
2014! É preciso voltar 12 anos, ao Dakar 2014, para ver quatro líderes diferentes nas quatro primeiras etapas na categoria carros. Na época, foram o português Carlos Sousa (etapa 1), o francês Stéphane Peterhansel (etapa 2), o espanhol Nani Roma (etapa 3) e o compatriota Carlos Sainz (etapa 4). Neste ano, os quatro líderes são o belga Guillaume de Mévius (etapa 1), o catariano Nasser Al Attiyah (etapa 2), o americano Mitch Guthrie (etapa 3) e o sul-africano Henk Lategan (etapa 4). Cada um ao volante de um veículo diferente: um X-raid Mini, um Dacia Sandrider, um Ford Raptor e um Toyota Hilux.

A promessa Gonçalo Guerreiro navegado pelo brasileiro Mykal Justo caiu de 2o na geral para 7o na Categoria SSV Uma pena!
Decisões da Dacia
Os Dacia Sandriders ainda não venceram sua primeira etapa no Dakar 2026, mas a consistência está rendendo na classificação geral, com os quatro veículos no top 12. Nasser Al Attiyah é o melhor representante em segundo, a 3′55″ de Henk Lategan. Seus companheiros Sébastien Loeb (oitavo a 19′57″) e Cristina Gutiérrez (décima a 25′18″) estão no top 10, com o campeão mundial, nosso Lucas Moraes (12º a 26′16″), logo atrás.

E a dupla de marido e mulher Nico Cavigliasso-Valen Pertegarini, campeões em 2025, finalmente venceu uma etapa! E subiram para 3o na Geral
O Sr. Dakar nunca diz nunca!
Stéphane Peterhansel e Michaël Metge repetiram a vitória Stock de ontem com outra hoje. Os Defenders dominaram o pódio da etapa, com “Monsieur Dakar” batendo Sara Price (+5′12″) e Rokas Baciuška (+11′52″). Stéphane Peterhansel venceu a etapa Stock e descontou 25 minutos sobre Ronaldo Basso, logo à frente em segundo no geral. “Monsieur Dakar” segue em terceiro, mas reduziu a diferença para o piloto da Toyota Auto Body para apenas 1′19″. Enquanto isso, Rokas Baciuška mantém a liderança com 42′36″ de vantagem sobre Basso e 43′55″ sobre Peterhansel.
Bônus para os motociclistas
O “Bonus Ouvreur” é um bônus de tempo concedido aos pilotos que abrem a pista em certas seções seletivas, compensando a dificuldade de navegar sem trilhas. Vale só para as categorias Rally GP e Rally 2 (FIM). Pontos de controle invisíveis chamados WP Bonus são colocados ao longo da etapa: o primeiro piloto a chegar ganha o bônus, e qualquer um que chegue em até 15 segundos também é considerado abridor e recebe o mesmo benefício. No Dakar, os elegíveis ganham 1 segundo por quilômetro percorrido entre dois pontos WP Bonus. O bônus vale para a maior parte da especial (exceto os últimos 10 km) e o valor depende do formato da etapa, pois algumas não são elegíveis. O bônus é adicionado ao tempo final e pode impactar a classificação da etapa. Por exemplo, haviam 6′26″ em jogo na etapa maratona de hoje.
Amanhã tem mais
A volta da etapa Maratona rumo a Hail e eu volto com mais histórias exclusivas especialmente para Carros e Corridas.
Fotos: Dakar./Divulgação.
Copyright© 2007-2026 – carrosecorridas.com.br | Proibida a reprodução sem autorização





