Entre erros, disputas e intensidade: a temporada 2025 da Fórmula 1
O campeonato de 2025 entrou para a história por reunir tudo o que torna o esporte imprevisível: equilíbrio técnico, disputas internas, erros estratégicos e um campeonato decidido apenas na última corrida
O campeonato de 2025 se despediu sem abrir mão do drama, sustentando o equilíbrio que marcou a temporada e mantendo três pilotos no centro da cena até a última corrida. Max Verstappen venceu no GP de Abu Dhabi, Oscar Piastri terminou em segundo, e Lando Norris fez exatamente o que precisava para conquistar o título mundial, chegou em terceiro lugar. O resultado garantiu o primeiro campeonato da carreira do britânico e encerrou um jejum de 17 anos da McLaren sem um título de pilotos.
O título de Norris foi merecido, embora a temporada tenha deixado claro que Verstappen e Piastri também teriam sido campeões dignos. Ambos valorizaram a conquista do rival, que carrega um peso simbólico: a fidelidade à McLaren. Foi com a equipe que Norris estreou na Fórmula 1, venceu pela primeira vez, construiu sua trajetória e agora alcançou o auge.
A McLaren vinha do título de Construtores em 2024, mas havia visto o Mundial de Pilotos escapar para Verstappen. Em 2025, o time trabalhou para que o roteiro não se repetisse, oferecendo o melhor cenário possível para Norris e Piastri brigarem até o fim. O resultado foi uma disputa interna intensa, que acabou influenciando diretamente o campeonato.
A consolidação da McLaren e o título que coroou um projeto
A temporada de 2025 simbolizou a consolidação definitiva da McLaren como a principal força da Fórmula 1. Após anos de reconstrução, a equipe chegou ao ponto em que conseguiu construir uma campanha forte, madura e competitiva até a última etapa, criando o cenário ideal para que Lando Norris transformasse regularidade e crescimento em título mundial.
Mesmo diante de uma disputa intensa até o fim, Norris fez uma temporada capaz de resistir à pressão extrema de um campeonato decidido no detalhe. O britânico chegou a Abu Dhabi sabendo exatamente o que precisava fazer. O resultado coroou não apenas um piloto, mas um projeto que vinha sendo lapidado desde as dificuldades técnicas enfrentadas em 2023 e amadurecido com o domínio nos Mundiais de Construtores.
O título de construtores, naturalmente, tem peso financeiro e estrutural, mas é o Mundial de Pilotos que define uma era. É ele que fixa na memória coletiva qual carro marcou determinado ano. Em 2025, essa imagem pertence à McLaren e a Lando Norris.
No ano anterior, Norris chegou perto de entrar na briga, mas a esperança se dissipou no Brasil. Em 2025, o cenário foi diferente. As peças finalmente se encaixaram, e nem mesmo falhas da equipe nas etapas finais foram suficientes para tirá-lo do caminho do título.
Erros, ordens de equipe e uma disputa que poderia ter sido diferente
O sucesso da McLaren teve raízes técnicas claras. Durante os testes de 2023, a equipe sofria com a falta de eficiência aerodinâmica, um dos parâmetros-chave para competir no topo. Em meados daquele ano, conseguiu superar essas dificuldades de forma mais dramática do que quase qualquer outra equipe nas últimas temporadas. A evolução continuou em 2024, quando o carro já era considerado o mais rápido do grid, status confirmado com dois títulos consecutivos de Construtores.
Em 2025, porém, o cenário interno se tornou mais complexo. Oscar Piastri chegou a liderar o campeonato com mais de 100 pontos de vantagem. Norris vinha reduzindo a diferença, mas sofreu com pequenos erros próprios e falhas estratégicas da equipe. Enquanto isso, Verstappen se aproximava rapidamente, cometendo pouquíssimos erros e extraindo o máximo de uma Red Bull que já não era o carro mais competitivo.
Nesse contexto, as ordens de equipe ganharam protagonismo negativo. As chamadas papaya rules foram vistas como inconsistentes. Na Hungria, uma estratégia controversa de Norris deu certo e a equipe não pediu a devolução de posição, prejudicando Piastri por acidente. Em Monza, após Norris perder tempo em um pit-stop mais lento, Oscar recebeu ordem para devolver a posição. Em Singapura, depois de um empurrão de Norris que resultou em ultrapassagem — uma violação direta das regras internas —, a posição novamente não foi devolvida.
Na etapa seguinte, Norris e a McLaren afirmaram que o erro havia sido reconhecido e que haveria consequências internas, sem detalhá-las. Esses episódios alimentaram acusações de favoritismo. Caso as papaya rules tivessem sido aplicadas de forma diferente, Piastri poderia ter mantido uma vantagem maior até o fim do verão e talvez chegado a Abu Dhabi ainda na liderança.
Gabriel Bortoleto e um primeiro ano de aprendizado
Gabriel Bortoleto chegou à Fórmula 1 cercado de expectativas após conquistar os títulos da F3 e da F2 como novato. A adaptação, porém, exigiu paciência. As dez primeiras provas foram sem pontuar, incluindo abandonos na Austrália e em Miami, com um carro pouco competitivo da Sauber.
Com a introdução de atualizações, a situação mudou. Os primeiros pontos vieram no GP da Áustria, com um oitavo lugar. A partir daí, o brasileiro engatou quatro top-10 em seis corridas e passou a se destacar especialmente nas classificações, frequentemente superando Nico Hülkenberg.
Em outros momentos, porém, surgiram erros típicos de estreante, sobretudo em largadas e ritmo de corrida, o que fez com que o placar final de pontos terminasse em 49 a 19 para o alemão. Ainda assim, o saldo foi positivo. Considerando o contexto técnico da equipe e o ano de estreia, Bortoleto fez uma boa temporada, mostrando evolução, velocidade e potencial.
Com a saída da Sauber da Fórmula 1, Bortoleto inicia uma nova fase em 2026 como piloto titular da Audi, que estreia oficialmente como equipe de fábrica. O desafio será maior, com mais pressão e cobrança, mas também com oportunidades de crescimento no futuro.
Sobre a colunista.
Juliete Costa é jornalista e escritora e publicou, recentemente, o livro Corrida Invisível (clique aqui para adquirir a obra), o qual mostra um longo caminho de lutas, desafios e conquistas percorrido por mulheres em busca de espaço, com uma pesquisa inédita na qual levantou informações sobre a presença e a ausência feminina nas principais categorias dos esportes a motor nas mais variadas décadas. A jornalista escreve pontualmente para o Carros e Corridas.
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Fotos: Pirelli Motorsport-F1
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