Ah, a entressafra. Esse limbo peculiar em que os motores se calam, o champanhe perde o gás e a gente se pega encarando o calendário como quem observa a tinta da parede morrer lentamente. Aqui estamos em 14 de dezembro, e você percebe que faltam apenas 83 dias até o Grande Prêmio da Austrália voltar a rugir em Melbourne, no dia 6 de março? Oitenta e três!
Mal dá uma dúzia de semanas. E se contar direitinho, pelos finais de semana – essas ilhas gloriosas de lazer em que realmente temos tempo para assistir corridas – são apenas 13 a suportar. Civilizado, não acha? Três meses, mais ou menos, que no grande esquema parecem o intervalo do piscar das luzes da árvore de Natal.
Mas a natureza, em sua infinita sabedoria, detesta o vazio – especialmente aquele em forma de buraco de F1 na alma. E então, espalha distrações deliciosas pelo caminho, como promoções inesperadas no seu marketplace favorito. Veja só: primeiro vem o Natal, esse carnaval de luzes, exageros e discussões familiares disfarçadas de charadas. Depois o Ano Novo, com resoluções que abandonaremos até 3 de janeiro e a inevitável ressaca que faz a gente agradecer pelo silêncio.
Mal nos recuperamos e já chega o Rally Dakar, de 3 a 17 de janeiro – duas semanas de malucos (e malucas) se lançando pelas dunas da Arábia Saudita em veículos que não se parecem com nada. É bruto, empoeirado, implacável; o antídoto perfeito para os excessos festivos.
Depois das dunas, as 24 Horas de Daytona no fim de janeiro – uma gloriosa orgia americana de resistência sob refletores, onde protótipos uivam pela noite e a gente finge entender os ângulos do banking.
E então, alegria das alegrias, os testes oficiais da pré-temporada da F1 em fevereiro, quando os novos regulamentos de 2026 finalmente vão revelar os seus segredos. Carros menores? Mais ágeis? Aerodinâmica ativa? Combustíveis sustentáveis?
Vamos analisar cada tempo de volta como sommeliers farejando um rosé duvidoso, debatendo qual piloto parece confortável e qual fabricante produziu algo mais parecido com um trator.
Esses não são meros eventos; são flores no meio do inverno (no hemisféto norte, calro) explosões inesperadas de cor antes da primavera completa. Mantêm a ansiedade afastada, aquela coceira incômoda de ficar sem F1. Use o tempo com sabedoria, meu amigo. Reflita sobre suas alianças – vai continuar com a velha guarda ou flertar com um novato? Debata com amigos em longos almoços (virtuais ou não) sobre quem pode dominar as novas regras. Exercite a imaginação: desenhe pinturas de carros de fantasia, sonhe ultrapassagens heroicas. A criatividade floresce na antecipação.
Antes que você perceba, o tempo vai acelerar como um carro com pneus macios novos. E então vem a deliciosa tarefa de reajustar o relógio biológico para os horários antípodas de Melbourne – madrugadas, café forte, a doce desorientação de ver o sol nascer junto com o grid. É um pequeno preço para o paraíso recuperado.
Cabeça erguida. Os motores estão apenas descansando. A primavera – a verdadeira primavera do norte – está mais próxima do que parece no retrovisor.
A Fórmula 2 já começou a preencher o vazio
Tivemos três dias em Yas Marina para observar os novatos no novo grid da F2 para 2026. Pilotos mudando de equipe e estreantes que merecem atenção. Rafael Câmara (campeão da F3 2025 com facilidade), pronto para dar outro show; Emerson Fittipaldi (filho do bicampeão de F1 e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis), tentando queimar etapas; Colton Herta (resgatado da Indy) buscando retomar seu caminho rumo à F1. Gabriele Minì (tentando recuperar o prestígio após um 2025 esquisito), e certo de convencer todos de que seu nome se pronuncia Gabriele (com “e” fechado) e Minì (acentuando o último “i”, não o primeiro).
Foram três dias de testes no circuito de Yas Marina e já conseguimos ver alguns padrões novos.
A perspectiva do que será a temporada 2026 da Fórmula 2 se encerrou com o melhor tempo de Alexander Dunne no terceiro dia de testes coletivos. O irlandês da equipe Rodin conquistou a volta mais rápida na sessão inicial (como praticamente todos os pilotos) com 1’37”153, que, no entanto, não é o tempo absoluto destas provas. Esse permanece com Oliver Goethe (MP Motorsport), que marcou 1’37”049 no primeiro turno da quinta-feira.
Dunne ficou à frente de Kush Maini, da equipe ART. O indiano havia ficado discreto nas sessões anteriores, mas no final apareceu com o tempo de 1’37”163, superando Rafael Villagomez, que obteve resultados consistentes durante todos os testes. Desta vez, Gabriele Minì não buscou voltas rápidas; após liderar os dois primeiros dias, concentrou-se em simulações de ritmo de corrida. O mesmo fizeram seu companheiro de equipe Goethe, além de Sebastian Montoya e Joshua Durksen.
Confira os tempos da sexta-feira, 12 de dezembro de 2025 – Melhores resultados absolutos do 3º dia
1. Alexander Dunne – Rodin – 1’37”153
2. Kush Maini – ART – 1’37”163
3. Rafael Villagomez – Van Amersfoort – 1’37”300
4. Dino Beganovic – Dams – 1’37”320
5. Rafael Câmara – Invicta – 1’37”362
6. Mari Boya – Prema – 1’37”391
7. Martinius Stenshorne – Rodin – 1’37”393
8. Nikola Tsolov – Campos – 1’37”466
9. Noel Leon – Campos – 1’37”478
10. Ritomo Miyata – Hitech – 1’37”550
11. Emerson Fittipaldi – AIX – 1’37”594
12. Tasanapol Inthraphuvasak – ART – 1’37”684
13. John Bennett – Trident – 1’37”760
14. Colton Herta – Hitech – 1’37”761
15. Laurens Van Hoepen – Trident – 1’37”941
16. Gabriele Minì – MP Motorsport – 1’37”981
17. Roman Bilinski – Dams – 1’38”050
18. Cian Shields – AIX – 1’38”054
19. Nicolas Varrone – Van Amersfoort – 1’38”054
20. Oliver Goethe – MP Motorsport – 1’38”827
21. Sebastian Montoya – Prema – 1’38”874
22. Joshua Durksen – Invicta – 1’41”267
Enquanto isso, no Brasil
Temos a última corrida da Stock Car brasileira. Muita coisa a ser decidida acompanhada da despedida do carro que, em 2026, perderá seu motor turbo de 4 cilindros para ganhar um poderoso V8 aspirado!
Na Formula 4 vamos ter a confirmação que o Campeão é Heitor Dall’ Agnol. É a nossa próxima promessa a caminho já da Europa!

Fotos: Fórmula 1/Fórmula 2/Porsche-Penske
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