Um episódio envolvendo a briga pela vitória na categoria caminhões mostrou que no Rally Internacional dos Sertões a amizade se sobrepõe à competitividade. Marcos Cassol (Ford) e André Azevedo (Mercedes) protagonizaram nesta quinta-feira (19), durante disputa da nona etapa, um dos episódios mais belos desta 18ª edição, que termina nesta sexta-feira (20), em Fortaleza (CE), depois de percorrer 4.486 km, em seis estados brasileiros.
Marcos Cassol, atual líder da categoria caminhões no acumulado de tempos, mantinha um bom ritmo durante o percurso. Entretanto, quando parecia que ele consolidaria mais uma vitória, que o deixaria em uma situação ainda mais confortável na briga pelo título, o caminhão atolou em um banco de areia, na reta final da especial. André Azevedo, que largou quatro minutos depois do adversário, não hesitou a parou para dar uma assistência ao concorrente. “Eu vi o Marcos atolado e resolvi ajudar. Foi só rebocá-lo para trás. O que fiz foi muito simples”, afirmou o piloto, que venceu com o tempo de 03h15min25s0, contra 03h22min38s0de Marcos Cassol, que graças à preciosa ajuda, conseguiu chegar em segundo.
“Foi uma atitude de homem e de ‘ralizeiro’. E o Sertões é isso”, afirmou Cassol. Azevedo também concorda que esse é o verdadeiro espírito da segunda maior competição do off-road mundial. “Somos concorrentes diretos pelo título, mas tenho certeza que o Marcos faria o mesmo por mim”.
Para Azevedo, a etapa de hoje, que ligou Teresina (PI) a Sobral (CE) foi um pouco nostálgica. “Lembrei muito do Paris-Dakar, da época que a prova ainda era disputada na África. O trecho lembrou muito a região de savana, entre o Mali e a Mauritânia. Gostei muito”, afirmou. Cassol também elogiou o percurso. “Hoje foi um dia muito legal, a especial foi muito completa. Foi a etapa mais legal do Sertões este ano. Foi bem mista, com muita pedra, areia. Temos que dar parabéns à Dunas (organizadora do evento) pela especial tão legal, que superou a do Jalapão”, elogiou Marcos Cassol, que afirmou que manterá uma estratégia conservadora para conseguir o título da categoria. “Amanhã a estratégia é passear ainda mais, pois temos que entregar o caminhão inteiro no parque fechado em Fortaleza”, finalizou.
A especial de sexta terá 390 km, dos quais 107 km de disputa contra o relógio.
A especial dos caminhões, na quinta, teve o percurso de 195 km, contra 245 km das demais categorias. A redução do trajeto já estava prevista pela organização para evitar que os competidores passassem pela Serra do Ubajara (CE), uma Área de Preservação Ambiental (APA). Veículos grandes são proibidos de acessar o local.
Fotos: Eliseo Miciu, Theo Ribeiro, Ricardo Leizer/Divulgação.



