Acompanhe mais uma coluna Por Dentro da DTM com Marc Zimmermann.
A temporada da DTM 2013 terminou, com o titulo de um piloto que poucos esperavam, Mike Rockenfeller. Mas antes vamos ver como isto aconteceu.
Desde o inicio do ano, Rockenfeller vinha mantendo a constância e terminando sempre entre os primeiros, enquanto os favoritos ao titulo tinham altos e baixos. Até a metade do ano, Bruno Spengler ainda estava na disputa pelo titulo, mas depois de ser abalroado em Moscou, as chances foram por água abaixo.
A Mercedes que fez uma temporada regular manteve ate Oschersleben dois pilotos com chances matemáticas ao titulo, o regular Christian Vietoris e o canadense Robert Wickens, que conquistou uma belíssima vitória no Nuerburgring.
Após a etapa de Oschersleben, um circuito técnico na antiga Alemanha Oriental, apenas um piloto manteve chances matemáticas de disputar o titulo, o paranaense Augusto Farfus. Em sua segunda temporada na DTM, o brasileiro mostrou todo seu talento sendo o piloto que mais vezes conseguiu chegar ao Q4, a última fase de classificação em cada prova, com os quatro melhores.
Farfus deu um show em Oschersleben, largando em segundo assumiu a ponta na largada e com uma estratégia perfeita venceu. Seus maiores adversários Robert Wickens e Bruno Spengler se tocaram e abandonaram, enquanto Vietoris não teve um bom final de semana.
Aliás, a regularidade é algo crucial na DTM, já que são apenas 10 provas e uma prova ruim já diminuem bem as chances de título. No caso de Farfus, até Oschersleben ele teve três finais de semana sem pontos: Brands Hatch onde abandonou com problema no câmbio quando estava em segundo, Lausitzring quando foi punido por um erro da equipe e no Norisring, onde não achou o melhor acerto.
Mesmo assim, sua sequencia de pódios em Moscou e no Nuerburgring o mantiveram na disputa pelo titulo ao chegar a Oschersleben.
Após esta vitoria faltavam apenas duas provas para o final da temporada, Zandvoort e Hockenheim e apenas dois pilotos com chances de conquistar o titulo. Rockenfeller precisava de apenas um terceiro lugar, enquanto Farfus precisava de duas vitórias e dois péssimos resultados do piloto da Audi.
Em Zandvoort, o brasileiro dominou o sábado e só perdeu a pole para seu companheiro de marca Marco Wittmann, que fez uma volta perfeita. Já na largada Farfus assumiu a ponta e comandou a prova, enquanto Rockenfeller, com apoio de seus companheiros da Audi, terminou em segundo lugar garantindo assim o seu primeiro titulo na DTM.
“Rocky” é um dos melhores pilotos de turismo alemães, tendo conquistados títulos na Porsche, vitórias em todos continentes e nas 24 Horas de Le Mans. O circuito francês foi também o palco de um de seus momentos mais difíceis, já que após um forte acidente em 2011, ele ficou afastado das pistas por alguns meses.
Vendo que não dava para conciliar a DTM e o Mundial de Protótipos, Rockenfeller decidiu em 2013 focar apenas na DTM e o titulo comprovou a escolha. Para o brasileiro Farfus, a vitória de Zandvoort foi agridoce, já que por um lado é sempre bom vencer, mas mesmo assim ele viu as chances de conquistar o titulo se esvaírem.
A prova nas dunas holandesas foi a última da DTM, já que o circuito é considerado inseguro e não esta no calendário de 2014.
A última prova do ano em Hockenheim seria o palco da decisão de equipes e marcas. O titulo de pilotos já estava decidido, assim como o vice-campeonato de Farfus também já estava garantido. Entre as equipes a disputa seria entre a Phoenix (Audi de Rockenfeller e Miguel Molina) e a BMW RBM de Augusto Farfus e Joey Hand.
Na disputa entre as montadoras, a Audi estava na frente e a BMW teria que conquistar bons resultados para conquistar o titulo. A prova foi disputada sob chuva e Farfus, após uma largada espetacular de 10º para 5º, foi abalroado por Timo Glock e caiu para último.
Mesmo com uma estratégia sólida, Farfus não conseguiu recuperar o terreno e terminou fora dos pontos, assim como Rockenfeller. Com uma estratégia diferenciada, a vitória ficou com Timo Glock, da BMW.
O ex-piloto de Formula Um foi o primeiro piloto vindo da categoria top a vencer na DTM desde Mika Hakkinen e Jean Alesi. O segundo lugar foi do surpreendente espanhol Roberto Merhi.
O piloto da Mercedes largou em ultimo, teve um drive-through por ter queimado a largada e terminou a dois segundos de Glock. Merhi, filho de um libanês que viveu muitos anos no Brasil, tem as cores do Brasil, Líbano e Espanha no seu capacete, além de ser grande fã de Ayrton Senna.
Os preparativos para a temporada 2014 já estão a todo vapor e o calendário inclui provas na Hungria, China e novamente na Rússia. Os rumores indicam que a Mercedes poderá voltar a ter oito carros, assim como a BMW e a Audi.
Apesar da inconstância na frequência das colunas nesta temporada, foi uma grande alegria escrever para vocês e espero que eu tenha conseguido passar um pouco do fascínio da DTM.
Sobre o colunista: Marc Zimmerman é jornalista e fotógrafo e cobre automobilismo desde 1993. Com passagens pelo Brasil, EUA, Canada e Europa, acompanha, desde 2004, o Campeonato Alemão de Turismo (DTM). Já atuou em assessoria de imprensa para pilotos e foi um dos responsáveis pela criação do site Pit Stop em julho de 1997, o primeiro site especializado em automobilismo no Brasil.
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*As opiniões publicadas em colunas expressam a opinião de seus autores.
Fotos: udi Sport / Divulgação.




