Acompanhe no Carros e Corridas a nova Coluna do Borracha – Por Eduardo Abbas.
Festas e mais festas, acabou o ano e começou 2013 e eu volto com minha coluna semanal. Com as competições paradas, futuramente o assunto serão os testes das equipes de F1 e MotoGP e as definições da Fórmula Indy, e a tristeza em se ver o automobilismo e o motociclismo nacionais enterrarem categorias a cada dia que passa.
Enquanto isso, eu quero compartilhar alguns dados surpreendentes desse país chamado Brasil. Vivemos num momento impar da industria automobilística: o que se produz se vende mas o que se importa nem tanto. Ao fazer um balanço dos 12 meses que ficaram para trás pela ABEIVA, que é a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores e a ANFAVEA, associação nacional dos fabricantes de veículos automotores, fica claro que existem duas realidades e um mesmo denominador comum.
A ABEIVA encerrou 2012 com queda de 35,2% nas vendas de carros, totalizando 129.205 unidades emplacadas em relação ao de 199.366 veículos importados em 2011, respondendo por somente 3,55% de participação no mercado brasileiro. Esse recuo dos importados começou em setembro de 2011, quando foi anunciado o Decreto 7.567, responsável pela diferenciação da alíquota do IPI de 30 pontos percentuais entre carros nacionais – incluindo os de procedência do Mercosul e do México – e os importados e se consolidou com o Programa Inovar-Auto, decretado no dia 3 de outubro de 2012, analisou Flavio Padovan, presidente da ABEIVA. Das 29 empresas associadas à entidade, somente três conseguiram obter resultados positivos, e a primeira estimativa de vendas para 2013 é de 150 mil unidades, 16% mais em relação as 129 mil unidades de 2012, mas muito abaixo de 2011, quando a importação chegou a 199 mil unidades.
Já na ANFAVEA a vida foi uma montanha russa de emoções. É quase como um filme de Hollywood, do desastre muito próximo ao final feliz, do pior cenário possível aos verdejantes campos, céu azul e uma música suave de fundo.
Parece exagero, mas os números comprovam isso. O ano começou com o índice de 9,6% no licenciamento de veículos novos e daí começou a enorme queda. Foram meses de angustia até a chegada em maio da medida de redução do IPI, justamente no mês em que a marca negativa atingiu os – 4,8%. Daí para frente foi só alegria. A recuperação iniciada no meio do ano fez com que a indústria atingisse sua meta anual, que havia sido fixada em janeiro de 2012 entre 4,5% a 5%, fechando no excelente 4,6% de novos licenciamentos.
Como comemoração pouca é bobagem, de quebra a indústria comemora um recorde muito importante: nunca se vendeu tantas maquinas agrícolas como no ano passado. É uma marca histórica e que tem uma importância sem igual no desenvolvimento do Brasil na parte aonde ele é muito forte, no campo. A comparação entre janeiro/dezembro de 2011 e 2012 mostra um aumento de 6,2%, foram comercializadas 69.374 novas unidades no ano que passou.
Isso traz conseqüências também para o emprego. No ano foram criados 5.300 novos postos de trabalho, mas o detalhe é que 4.900 surgiram depois da redução do IPI, demonstrando que a redução do imposto atingiu realmente em cheio as pretensões do governo, isso porque a redução de um imposto e o aumento no pagamento de outros acabou acarretando no aumento da arrecadação de outros impostos que fazem parte da cadeia. Ninguém perdeu nessa corrida, todos ganharam.
Mas nem tudo é festa. A grande pedra no sapato da ANFAVEA são as exportações, que em 2012 ficou 20,1% abaixo de 2011, isso representou menos 9,3 bilhões de reais nos cofres brasileiros, e esse panorama não deve mudar tão radicalmente em 2013, a ANFAVEA acredita será possível uma redução nesse índice de – 20% para algo em torno de – 4,6% para automóveis e 0% para as maquinas agrícolas a serem exportadas.
Por falar em previsões, mesmo com o retorno do IPI desde primeiro de janeiro, a indústria acredita que a produção dos autoveículos devem ficar em torno de 4,5% e as vendas entre 3,5% e 4,5% .Já as máquinas agrícolas devem aumentar cerca de 3,1% na sua produção e as vendas variarem entre 4% e 5%, um cenário pra lá de animador que deve, segundo a entidade, acabar com um grande final feliz. Tim Tim!
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos & queijos
Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística. Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada, a direção do programa Grid Motor, a produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.
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