Por Robério Lessa – De Nova Santa Rita (RS) – A primeira fase do 50º Campeonato Brasileiro de Kart, disputada de 14 a 20 de julho, no Kartódromo do Velopark, em Nova Santa Rita (RS) vai entrar na história da CRG Brasil, pois, na tarde deste domingo (19) ela conquistou seu primeiro título na competição desde a sua chegada ao país há três anos. Coube ao piloto paranaense Gabriel Dias iniciar a jornada de títulos de uma das maiores empresas de kart de todo o mundo em solo brasileiro vencendo na categoria Shifter.
Uma vitória inquestionável de Gabriel, que superou Danilo Dirani, da Birel Art, na corrida mais emocionante presenciada pelo público que foi ao Kartódromo Velopark, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, palco da competição.
O paranaense, assim como os pilotos Rubens Barrichello e André Nicastro usam o mesmo modelo adotado pelos pilotos de fábrica da CRG da Itália, e que também é comercializado no país. A empresa disponibiliza dois tipos de kart, o modelo KF (125), no valor de R$16.500,00 e o KZ ( shifter) no valor de R$ 24.900,00. Os dois são modelo Road Rebel, com freios flutuantes (V05) e sistema de alinhamento Sniper.
A CRG é hoje uma das mais importantes fabricantes de karts do mundo. Fundada em 1986, ela nasceu a partir da experiência de seus fundadores durante os anos 1970 em outra fábrica, a Kalikart. Nos anos de 1990 a empresa passou por um processo de expansão que hoje conta com representantes em 70 países. Hoje a marca contabiliza São 36 títulos mundiais de kart, 36 do Campeonato Europeu, e um no Brasileiro de Kart. Já usaram o kart da marca pilotos como Michael Schumacher, campeão europeu em 1987 e Lewis Hamilton, também campeão europeu, no ano de 2000.
Hoje a CRG é mais uma opção no mercado de kart do país. O fato de ter em seu time dois pilotos que acumulam nove títulos brasileiros (cinco de Barrichello e quatro de Nicastro) mostra que a escolha desses dois pelo equipamento é um indício da competitividade oferecida.
Suporte nas corridas para os clientes da marca, essa é a ideia principal defendida pelo responsável da entrada da CRG no Brasil, o empresário Thiago Duarte, que espera a permissão da Comissão Nacional de Kart (CNK), da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) para apresentar mudanças nos modelos produzidos e comercializados no país.
“Essa homologação ficou congelada, não pode mexer muita coisa e a gente só vai poder alterar algo daqui a três anos. Então, a homologação foi congelada para todos, ninguém pode mudar, nenhuma outra fábrica mudou assim como a gente. Estamos fazendo, nesse momento, um tipo de investimento um pouco diferente, mais em relação a suporte de corrida. Montamos um caminhão que é para dar assistência ao pessoal que usa a nossa marca. A CRG é, hoje, a marca que tem mais títulos mundiais e europeus, são quarenta e dois títulos mundiais, e, no Brasil, nesses três anos, a gente veio brigando bastante, caminhado e estamos acertando o relógio”.
Thiago revelou ainda que o atual momento do kartismo no Brasil, que, na sua opinião, precisa de mudanças para voltar ao que era nos anos 1980.
“A CRG é uma marca que está no mercado brasileiro já há três anos, só que, no nosso ponto de vista, o mercado não cresce, se troca de marca. Então, se a gente analisar a história do kartismo no Brasil, fora aquele boom de quando tudo começou, ele não cresce, os pilotos mudam de marca e ele só diminui. A crise financeira diminui, melhora um pouquinho depois – não é que aumenta, ele continua tendo o aquilo que tinha antes. Então, você escuta falar que, em 1980, existiam 30 pilotos em uma categoria, 60 em outra e, se você for ver hoje, continua mais ou menos isso aí. Você tem 58 pilotos na F4, acho que na Júnior tem 32. Então, o piloto acaba mudando e isso não é muito culpa dos fabricantes de Kart. Isso é um pouco como o caso de uma pessoa que vai construir um Kartódromo, que é uma pessoa que vai construir porque gosta muito, já que financeiramente falando é inviável, já que os terrenos hoje são caríssimos, como é o caso do Velopark. Ele é lindo, maravilhoso e tem tudo o que você imaginar aqui. Mas quantos pilotos a gente tem?
Amante das corridas, Thiago defende a democratização do automobilismo. “Eu concordo com o pensamento de que falta incentivo governamental para que haja a democratização do automobilismo no Brasil, mas isso também tem relação com a vontade do pessoal que cuida disso aqui, que articula o automobilismo. A Federação de Motocross no Paraná, por exemplo, já conseguiu, por meio de uma lei, a isenção do imposto de importação. Então, analisando: o imposto de importação hoje é uma fortuna, vai chegar quase a 100% se você somar ao PIS/Cofins, ao IPI, ao Pasep, mas, o piloto de Motocross filiado à federação no Paraná, não paga imposto de importação, que é o mais pesado, que corresponde a 46% desse montante. Então, isso aí já existe. Tem um pouco de falta de vontade das pessoas para correrem atrás. Falta incentivo? Falta muito incentivo! Agora, tem que ver porque o automobilismo não se abre. Se você analisar o automobilismo nos Estados Unidos, você vê que aquilo é um evento, você tem um público de mais de duzentas mil pessoas, como é a corrida de Nascar. Então é um evento, existe uma promoção. Aqui não tem nada! A gente tem que passar a ver tudo como um evento. Como eu falei, as pessoas têm o costume de dizer que uma marca cresceu, mas, na realidade, nada cresce, apenas os pilotos trocam de marca, mas o número de competidores continua o mesmo há muito tempo. Mas, voltando aquele assunto, falta investimento para tudo isso crescer. Não digo que falta das fábricas, das lojas e dos representantes, o que falta é um pouquinho de retorno da federação. É o que acontece mais ou menos com o nosso governo: a gente nunca reclamou de pagar imposto, desde que esse imposto volte de alguma forma para a gente. E isso é como aqui, eu não tenho problema de pagar inscrição desde que a inscrição volte para nós de alguma forma. Pagar 14, 15 ou 20 Reais pela gasolina não tem problema, mas tem alguma coisa em retorno? O que muda? Por que eu pago R20,00 se eu posso pagar R$7,5 50 centavos no posto? Muda alguma coisa para mim aqui? Não, não muda nada! Então, por que custa tão caro? Dá para baratear um pouquinho! Dá para baratear! Na minha opinião, a gente vai passar por um processo bem complicado nos próximos três anos. O dinheiro já está desaparecendo e vai ficar cada vez mais difícil”, completou.
A CRG disputa também a segunda fase do Brasileiro de Kart que tem início nesta terça (21) e se encerra no sábado (25).
Nota da Redação. A Entrevista com o empresário Thiago Duarte foi realizada na quarta (15), antes da conquista do título na Shifter.
Texto e Fotos: Robério Lessa
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