Acompanhe mais uma coluna Velocidade do jornalista Robério Lessa. O colunista aborda sobre o futuro do brasileiro Felipe Massa na Fórmula Um, e sobre a etapa da Fórmula Truck na Argentina
Olá, amigos do Carros e Corridas.
A velocidade dos boatos na Fórmula Um costuma ser tão rápida quanto os bólidos, e assim, quem tentar acompanhar a contratação e demissão de pilotos para a próxima temporada publicada nos mais diversos periódicos de todo o mundo, sobretudo da Europa, tem de levar em conta um questionamento basilar. A quem interessa a informação?
O personagem Gordon Gekko de Michael Douglas no filme Wall Street, Poder e Cobiça (1987) é autor de uma frase que é preciso ser assimilada. “A informação é poder”.
Assim, não é comum vermos algumas informações tomando conta do noticiário e sendo jogadas na lata do lixo no dia seguinte. Na ânsia de noticiar um furo, de ser o dono da novidade são comuns alguns periódicos, sobretudo os que abusam da parcialidade como os italianos e espanhóis, estamparem em letras garrafais que piloto X foi contratado pela escuderia Y.
Neste ano o brasileiro Felipe Massa, que vive um momento crítico em sua carreira, já perdeu lugar na Ferrari para vários pilotos (Paul di Resta, Adrian Sutil, Nico Hulkemberg, Kamui Kobayashi, Jules Bianchi, Jenson Button, e agora Kimi Raikkonen). O certo mesmo é que a permanência do brasileiro no time italiano é algo quase impensado, no entanto, em um mundo onde a cor da grana fala mais alto que qualquer assinatura em contrato tudo pode acontecer.
Massa correu bem em Monza, andou na mesma tocada de seu companheiro, mas corrida à parte, ele não tem sido constante o suficiente para dar à escuderia o segundo lugar na classificação das equipes, que é o que mais importa para a Ferrari.
Felipe pode até ser o piloto ideal para Fernando Alonso, já que não se configura como uma ameaça ao egoísta bicampeão, acostumado a cantar de galo onde quer que esteja respaldado pelo aporte financeiro do banco que o patrocina.
Faz tempo que escrevo isso e defendo a saída de Massa da Ferrari para uma escuderia como a Sauber, Renault, e até mesmo a Toro Rosso. O brasileiro não é um qualquer. Está na Fórmula Um por ser capaz de estar lá, sabe pilotar, mas não é um gênio como alardeiam os “pachecos” do noticiário esportivo.
Massa precisa recuperar a alegria de ir à pista. Ontem, em entrevista antes e após a corrida, percebi uma rispidez ao responder as indagações do repórter. O tom de voz parecia denotar uma certa irritação. Também poderá. Era conversa única no circuito de Monza que o finlandês Kimi Raikkonen ficaria com seu lugar em 2014, segundo noticiara um periódico russo.
Ao final da prova ganhou um “crédito” da equipe, mas o que ele necessita mesmo é dar crédito a si próprio. Permanecer em uma escuderia onde será sempre o segundo e viver bombardeado em toda corrida sobre suposta saída não saudável para ninguém, nem mesmo para aqueles que têm sangue de barata, e isso não parece ser o caso desse latino, que tem sido maltratado.
O Massa não precisa sofrer mais, deveria buscar um outro lugar enquanto ainda é tempo, pois com tanto “piloto pagador”, ele corre o risco de ficar de fora da Fórmula Um em 2014.
Fórmula Truck – A Fórmula Truck mostrou neste domingo (08) todo seu poder e levou ao público argentino uma de suas melhores corridas dos últimos anos, onde não faltaram disputas, boas lições de esportividade e, infelizmente, outros exemplos questionáveis.
Pegou mal a atitude do piloto Luiz Lopes em cima do veterano Pedro Muffato. Os dois dividiram a curva e Luiz deixou seu Truck escapar demais jogando o Scania azul de Muffato contra o muro. Felizmente a pancada não trouxe maiores consequências ao piloto, fora um dedo quebrado e muita revolta com a atitude de Lopes. Ao ser entrevistado Pedro Muffato mostrou toda sua ira e cobrou uma punição mais dura ao piloto.
Não é de hoje que observo alguns pilotos abusando do direito de defender sua posição. Choques são comuns em corridas de carro, sobretudo em provas de turismo e na Truck, mas o abuso não pode ser regra e precisa ser coibido.
Já vi em outra categoria (Campeonato Norte/Nordeste de Protótipo) um piloto esperar outro para tirá-lo da pista. Uma atitude injustificada que poderia ter acabado em um sério acidente.
A desclassificação da prova acaba saindo barato para quem pratica esse tipo de atitude. As federações e a CBA precisa agir mais rigidamente e dar um gancho em quem pensa que pista é ringue.
Voltando à Fórmula Truck outro episódio lamentável aconteceu no pódio da etapa argentina. Roberval Andrade (terceiro colocado) e Beto Monteiro (vencedor) se desentenderam durante a premiação. Beto, que estava no lugar mais alto do pódio, chegou a estender a mão a Roberval, que recusou. Mesmo sem o áudio, percebe-se que eles estavam discutindo sobre a manobra defensiva do pernambucano (que não fez nada fora do regulamento, defendendo o primeiro posto mudando sua trajetória de maneira permitida, apenas uma vez) quando Andrade acabou saindo da pista e punido por exceder o limite de velocidade na reta. Beto levanta o dedo e recebe uma tapa de Roberval, e, não fosse à intervenção de Felipe Giaffone, o desfecho poderia ter sido pior.
E foi de Felipe Giaffone a grande lição da prova. Primeiro o show que deu dentro da pista mantendo seu carro entre os quatro primeiros na primeira parte da prova e, na hora certa, partindo para o ataque ao líder. Não fosse a perícia de Beto Monteiro, Felipe teria conseguido superá-lo, mas permaneceu em segundo e aí mostrou o quanto é grande dentro e fora das pistas. Chegando em segundo Felipe tirou a chance de seu companheiro de equipe, Leandro Totti, (o quarto colocado) ser Campeão Sulamericano da Fórmula Truck.
O piloto da Iveco ficou o título diante da honestidade de Giaffone que não fez o “jogo de equipe” para tirar a conquista daquele que vencera na pista.
Ganha a Fórmula Truck, ganha o automobilismo com a atitude de grandes homens como Giaffone.
O automobilismo precisa clonar um bocado de Giaffone.
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Robério Lessa é Jornalista e editor do site Carros e Corridas.
Fotos: Scuderia Ferrari/Fox/Orlei Silva – Divulgação.
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