A temporada de 2016 chegou ao fim e premiou um dos mais queridos pilotos da motovelocidade cearense. Foi seu primeiro título na carreira que teve início em 2001, quando decidiu ingressar no universo das corridas de moto na pista do Autódromo Virgílio Távora.
Aos 61 anos de idade, Tiago César de Souza sagrou-se campeão cearense e nordestino na categoria das motos 160cc quando conquistou a vitória na sétima e penúltima etapa da Copa Sol de Motovelocidade, que somou pontos para os dois certames.
Como todos que decidem ser pilotos, Tiago foi, desde cedo, um apaixonado por motos e corridas. Aos sete anos via-se fascinado por um ciclomotor Monark que passava em frente à sua casa. O motor barulhento soava como uma sinfonia aos ouvidos daquele garoto que nunca tirou aquela imagem de sua memória e foi crescendo e deixando crescer com ele seu amor pelas duas rodas. “Eu acompanhava aquela Monark passando pela minha casa…. a velocidade e o ruído (“pow, pow, pow”), era um monocilíndrico, me fascinava; o som grave e cadenciado que ele emitia assim como sua imagem ficaram gravados em minha mente e me acompanham até hoje. Cresci, comecei a trabalhar e consegui comprar minha primeira moto, uma Honda XL 125 S. Ao longo de minha vida vim a possuí outros modelos, mas, a ideia era sempre competir. Acompanhava através das revistas especializadas os resultados dos campeonatos de motovelocidade, especialmente o Campeonato Brasileiro e Mundial. Hoje, com as facilidades de TV a cabo, internet continuo sempre ligado aos vários eventos motociclísticos.
Após o pódio, Tiago fez um balanço da temporada. “Apesar de toda a dificuldade para a realização desta temporada, para mim foi um sucesso. Apesar do momento difícil pelo qual nosso país atravessa, conseguimos promover um evento exclusivo de motos, e aí foi fundamental o apoio incondicional da Federação de Motociclismo do Ceará, na pessoa do presidente Roberto Ito, que não mediu esforços para dar o apoio necessário que precisávamos. Acredito estarmos em um processo de crescimento, após vários anos de estagnação, principalmente pelo engajamento de novos pilotos e surgimento de novas categorias. Para a próxima temporada espero que possamos consolidar a motovelocidade em nosso estado e no Nordeste”, afirmou.
Tiago começou a correr de moto aos 46 anos, em 2001 após o moto clube que participava (Esquadrão do Asfalto) decidir reativar as corridas na pista do Eusébio. “Resolveram reativar essa modalidade esportiva entre nós. Eu, e um amigo, o Alex Gerard, decidimos participar: Não tínhamos moto ainda, porém, havia uma moto (uma Honda Titan 125cc) de outro piloto (Magela), que havia levado um tombo e machucado a clavícula. Falamos sobre a possibilidade dele nos ceder, e, de imediato, ele nos disponibilizou. Conseguida a moto, fomos então aos preparativos: Como a corrida era dividida em duas baterias, resolvemos que eu faria uma bateria e o Alex outra. Acertado isso, surgiu um impasse: Qual número seria utilizado na carenagem? Como resolver? A solução foi encontrada do seguinte modo: o Alex escolheu o número sete e largaria na primeira bateria. Quando ele terminasse e eu fosse realizar a segunda bateria adicionaria o número um ao lado do sete, assim foi feito e até hoje meu número é o 17. Após essa corrida, fiz uma outra etapa em uma moto cedida pelo Clarck Leitão, presidente do Motoclube Esquadrão do Asfalto, e estou nessa até hoje”, disse.
O mais novo campeão nordestino lembra da sua vontade de competir, e a ela credita ser a sua maior fonte incentivadora, além do apoio dos amigos. Tiago revela ainda que vem da sua esposa Paula uma dose extra de apoio, já que ela, além de apoiá-lo, cobra seu desempenho nas competições. “Na verdade, o incentivo maior era a minha vontade de competir desde sempre. É claro que o fato dos amigos Magela, e Clarck terem nos cedido suas motos foi um tremendo incentivo. Posteriormente, até os dias atuais os grandes incentivadores de minha carreira foram meus amigos Adelino Martins e Amarílio Barbosa, ambos ao longo desses anos de uma forma ou de outra sempre me apoiaram, dando suporte, compartilhando conhecimentos técnicos de preparação e pilotagem a cada etapa. Não poderia deixar de registrar o apoio que minha esposa, Paula Alencar, ao longo das últimas 06 temporadas, chegando as vezes ao exagero de cobrar um maior empenho de minha parte nas disputas dentro da pista”, comentou.
Em meio a emoção de seus primeiros títulos, o piloto da moto 17 relembra como foram a primeira corrida e a primeira vitória. “A primeira corrida foi uma alegria só, afinal estava realizando um sonho de “andar” no circuito do Eusébio pilotando para valer. A prova aconteceu em maio de 2001, nos dias cinco e seis, na qual cheguei na 9ª posição, marcando meus primeiros sete pontos. Quanto a prova em si, foi uma aventura, pois eu não tinha a menor ideia do desgaste físico a que iria ser submetido, quase não concluo devido ao cansaço, chegando ao final ofegante, quase sem poder descer de cima da moto. A primeira vitória demorou bastante somente vindo a acontecer em 2012, mas foi um momento mágico, igual ao de agora com a conquista destes dois títulos após dois vice-campeonatos”, concluiu Tiago.
A última rodada dupla da Copa Sol de Motovelocidade foi disputada dia 18 de dezembro, no Autódromo Virgílio Távora, localizado na cidade do Eusébio (CE).
Fotos: Arquivo pessoal do piloto e Robério Lessa
Texto: Robério Lessa.








