Acompanhe no Carros e Corridas a nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.
Amigos, foi um fim de semana para deixar todos aqueles especialistas em previsões desempregados. A astrologia, uma ciência que os registros mais antigos datam seu sugimento no terceiro milênio AC e teve um importante papel na formação das culturas, devido a sua influência, é encontrada na Astronomia antiga, nos Vedas, na Bíblia e em várias disciplinas através da história. A Astrologia e astronomia eram indistinguíveis. A Astronomia começou a divergir gradualmente da Astrologia desde o tempo de Ptolemeu, na antiga Grécia e essa separação culminou no século XVIII com a remoção oficial da Astrologia do meio universitário. Nem os grandes estudiosos poderiam esperar por tão grande reviravolta nas estrelas que orbitam o impressionante planeta carro depois do que aconteceu no último fim de semana.
Começou no sábado, com uma prova pra lá de movimentada da Formula Indy. No oval de Iowa, que mais lembra o antigo autorama da estrela, o atraso de 45 minutos no inicio por causa da chuva, dava a sensação de que muita coisa poderia acontecer. E foi justamente ela, a chuva, quem em alguns momentos deu o tom da prova. Foram várias trocas de posições e algumas batidas espetaculares. O líder do campeonato ficou de fora e o improvável vencedor acabou ganhando. Melhor para o norte-americano Ryan Hunter-Reay, vencedor da etapa. Ele trouxe a reboque seu compatriota Marco Andretti e o brasileiro Tony Kanaan em terceiro. Hélio Castroneves chegou em sexto lugar, logo à frente de Rubens Barrichello, uma bela colocação para o estreante. Força dos astros ou apenas destino?
Já no domingo o show mudou de palco e de continente. Nas ruas de Valência, na Espanha, mais uma vez o improvável aconteceu. As semelhanças com a corrida americana não ficaram apenas no fato do líder do campeonato também ficar de fora nem na imensa quantidade de ultrapassagem ocorridas durante a prova. Os coadjuvantes fizeram a diferença, deram o show e realçaram o brilho das grandes estrelas. Não podemos de forma nenhuma afirmar que foi uma grande zebra, muito pelo contrario, as colocações finais são frutos de trabalho árduo, e que até que me provem o contrario, esse ano os pilotos estão fazendo jus ao salário que recebem.
Agora, para mim, o grande show ficou com Schumacher. Eu não acredito que nenhum dos atuais pilotos vai conseguir metade do que o alemão conseguiu nesse fim de semana. Aos 41 anos, com todos os recordes e títulos conquistados, ele que já pensa seriamente em se aposentar em definitivo mostrou, aos intrépidos garotos, como é quando se ama o que faz. A corrida dele foi pra lá de perfeita, trocou apenas uma vez os pneus e controlou como ninguém a maquina e a corrida. Uma baita estratégia, num carro sensacional com um piloto que mostrou que os anos pesam, mas a grande experiência conta muito.Fernando Alonso foi soberbo, um gênio na condução de um carro ruim numa pista, que os previsores achavam que não tinha pontos de ultrapassagem, mas que mostrou uma enorme garra desde a largada até a bandeirada final. No mesmo nível esta o Kimi Raikkonen, que voltou esse ano pra Fórmula 1 e mostrou que não foi campeão em 2007 por acaso. Sua história é bem parecida com a do Alonso, apesar do carro da Lotus ser um pouquinho melhor.
Isso me faz lembrar uma piada que certa vez ouvi de dois personagens no filme COLORS do saudoso Dennis Hopper. Nele, dois policiais interpretados por Robert Duvall, o mais velho, e o novato Sean Penn, estão perseguindo alguns criminosos. Penn corre atrás do bandido, Duvall fica de tocaia e agarra o mesmo, sem fazer força. Quando voltam para o carro, o novato pergunta ao mais velho:
– Por que você não correu?
E ele retruca com uma pequena lenda:
– Você conhece a história do touro e do bezerro que andavam juntos pela estrada?
– Não.
– O bezerro olha para uma planície e vê várias vacas, olha pro touro e diz: pai, vamos correr até lá e comer algumas vacas?
– O touro responde: não filho, vamos andando e comeremos todas!
Talvez seja um bom exemplo a ser seguido pelos atuais e novos pilotos que venha a competir nessa categoria daqui pra frente. Infelizmente os nossos representantes não estão com sorte e foram vitimas de mais uma coincidência, tinha um japonês no caminho dos dois e custou caro. Bruno chegou em décimo e Massa em décimo sexto. Fazer o que? Quis assim o destino.

Pra encerrar, mais uma ótima coincidência. Como você pode ver na foto postada no fim desse texto, o pódio da Europa de 2012 é com os mesmos personagens da França em 2005.
Será mesmo que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes?
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos & queijos
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